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Minhas 5 verdades absolutas sobre a NBA

Quem já conversou comigo sobre basquete, ou já ficou enojado com meus tweets (@hittheglass segue lá), já notou que tenho uma visão diferente do jogo. Não escrevo isso para me sentir especial. Não é isso. 

Primeiro, eu cresci com outro jogo. Exagero de chute dos 3 pontos e pouca defesa era “coisa de europeu”, NBA era um jogo físico, com defesa fortes. Essa liga diferente me fez ter ideias diferentes. Algumas coisas que, até hoje, mantenho no meu imaginário “manual de como jogar basquete”. E nunca falei muito sobre. 

Acho que já passou da hora de falar sobre cinco verdades sobre basquetebol que educam minha percepção do jogo. 

Usar mais o pivô

Cada vez menos a NBA valoriza o jogo de pivô, o que é um erro. Além de ser lindo (olhem aquele vídeo do Hakeem Olajuwon ali em cima e me digam que não querem ver mais disso ali em cima) o jogo de pivô pode ajudar muito o ataque da NBA moderna.

Primeira vantagem que jogar mais com o pivô traz: o contato físico do jogo de poste baixo gera mais faltas, mais faltas do pivô adversário gera mais lances-livres, mais lances-livres gera mais pontos fáceis. E não só do pivô. Imaginem que um jogador de garrafão do Atlanta Hawks encha o adversário de faltas. Trae Young pode cavar uma falta lá no meio da quadra, daquele jeitinho estapafúrdio dele, ganha dois pontos garantidos. E o defensor de aro adversário fica com problemas de faltas. 

Outra grande vantagem de ter a bola no pivô é o passe para o chute dos 3 pontos. Isso, pelo menos para mim, parece algo óbvio. Quando o arremessador recebe a bola de um passe vindo do perímetro, ele é obrigado a arrumar o corpo para arremessar. Esse passe vindo do post up pega o chutador de frente para o aro. E, se vier de um jogador que é uma ameaça ali de baixo, como um Carmelo Anthony, a defesa terá a obrigação de prestar atenção nele, livrando mais os arremessadores.

Controlar o ritmo do jogo ainda é muito importante

A NBA está cada vez mais rápida. Com tantos arremessos de 3 pontos, os times deixam de trabalhar o ataque, decidindo chutar já nos primeiros segundos. Isso torna o controle do ritmo de jogo cada vez mais importante. 

É fácil para um time como o Los Angeles Lakers correr bastante. Até seu principal jogador de garrafão gosta de decidir rápido e arremessar de fora, Anthony Davis. Mas, times com pouca qualidade, deveriam correr somente quando a vantagem é óbvia, nada de entrar no ritmo preferido pelo time melhor. 

O velho “jogar a partida na lama”, ou seja, deixar o jogo lento, com o mínimo possível de posses, ainda pode ser uma estratégia importante para o time com menos qualidade.

Analytics estão longe de ser uma arma perfeita

E aí está o grande problema de muitas análises atualmente: as pessoas descobrem os números e agem como se eles contassem toda a história. Ora, as fórmulas são feitas por pessoas, as pessoas são falhas, alguém dá muito mais valor para um chute dos 3 pontos do que de 2 pontos com falta. Outra fórmula ignora completamente a defesa. Essa, a defesa, que sempre foi um grande problema na hora de avaliar por analytics. As pessoas que criam as fórmulas são falhas, então essas fórmulas são falhas. Ou seja, seus resultados não devem ser aceitos como a palavra dos deuses do basquete.

Em segundo lugar, os números deixam de analisar as situações específicas durante uma partida. O jogador x não decide arremessar ou passar a bola em um vácuo matemático. Ele depende da decisão do companheiro de time, do adversário, do relógio de 24s, do placar, do tempo que falta para terminar a partida. Alguns jogadores, como Kevin Durant, preferem não arremessar uma bola do outro lado da quadra no final do primeiro quarto para não machucar seu FG%, outros não ligam e acreditam que, se a bola cair, aqueles 3 pontos podem fazer diferença no final. 

Números ignoram todo esse contexto. Eles servem para alguma coisa? Sim, são mais uma ferramenta e devem ser usados como uma, não como A ferramenta para acabar com todas as outras ferramentas.

Meia distância deveria voltar com urgência

Eu fico triste com a NBA ignorando a meia distância. É um arremesso tão bonito, ele não deveria ser esquecido. Sem contar que, ignorando a meia distância, o ataque deixa de usar uma boa parte da quadra. E não é todo mundo que tem um Damian Lillard para estender a quadra até o logo no meio dela. Entrega uma bola para os jogadores da NBA atual e peçam para eles chutarem um pull up da meia distância, KD será um dos poucos que acertará consistentemente.

Com as defesas organizadas para defender o aro e o chute dos 3 pontos, a meia distância está cada vez mais livre. O jogador que se especializar ali, vai encontrar sucesso, se os treinadores permitirem.

As regras mataram a defesa

A liga, proibiu o hand check (quando um jogador podia colocar a mão no atacante e “conduzir” ele um pouquinho), proibiu o defensor de tocar no atacante até certo ponto da quadra, diminui o contato ao extremo, protege demais o arremessador, ficou impossível defender nessa liga de Adam Silver.

O jogo fica mais chato quando tão desequilibrado assim. Quando o defensor não pode olhar torto para o atacante que já recebe uma falta e, ao mesmo tempo, o atacante pode criar todo o contato com o defensor que sai com a falta mesmo assim. 

Enquanto isso não mudar, a NBA sofre.

Aposto que todo mundo tem, pelo menos, uma regra fundamental. Comente a sua.

 

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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