Ir para conteúdo

Primeiras impressões do G League Ignite

Desde que Jalen Green optou por assinar com o novo programa para prospectos da G League, o Ignite se tornou uma das grandes histórias para o mundo do Draft. Na última semana a equipe finalmente estreou, bem depois da NCAA e da maior parte das ligas profissionais do mundo, o que só gerou mais expectativa. E eu diria que as expectativas foram atendidas, muitos questionaram como a performance desta equipe seria frente a outros times tão talentosos da G League, mas eles foram capazes de entregar um 3-0 nos primeiros jogos da temporada contra o Santa Cruz Warriors, o OKC Blue e o Raptors 905.

 

Vamos então falar sobre os jogadores numa base individual

 

Jonathan Kuminga

 

Resultado de imagem para jonathan kuminga ignite
Foto: NBAE

 

Kuminga foi claramente o melhor dos prospectos do Ignite nestes primeiros jogos. Com 22 pontos, 7 rebotes, 3 assistências,1 toco, 1 roubo por jogo e 59.3% de TS% ele tem sido tão bom quanto se poderia pedir ofensivamente e tem justificado o porquê de eu tê-lo como o jogador #2 da classe na pré-temporada.

 

Uma questão que já parece ter sido respondida quase que por completo mesmo nos primeiros jogos é sobre o atletismo. Sim, ele é um jogador dominante fisicamente e não só contra jogadores de High School. Seu poder físico se destaca muito, mesmo em meio a atletas do nível de NBA , impulsão, explosão, força, tudo. Eu costumava descrevê-lo como “um homem entre crianças” no High School e essa descrição continua cabendo perfeitamente mesmo enfrentando homens. E mantenham em mente que estamos falando de um jogador que se reclassificou da classe de 2021 para a de 2020, é um dos jogadores mais jovens deste Draft, que só fará 19 anos em outubro.

 

A parte mais surpreendente do seu jogo foi o playmaking. Eu já esperava que ele fosse se mostrar um passador muito melhor do que era com Patrick School, mas o nível que ele mostrou já tão cedo foi inesperado, nos seus dois primeiros jogos distribuiu 8 assistências, algumas bem impressionantes e até manipulando a defesa. Os 10 turnovers em três jogos não são positivos, mas não vale a pena se prender tanto ao número de turnovers com jogadores de 18 anos jogando em uma liga profissional.

 

O shooting foi mais ou menos o esperado, 4-14 do perímetro acumulando 28.6% de aproveitamento. O aproveitamento não é bom, mas nesse estágio não era esperado que fosse mesmo. O fato de ele mostrar confiança e ter tentado 5.5 arremessos de 3 per 40 é mais significativo do que as porcentagens ruins para mim.

 

A defesa infelizmente não parece ter tido uma evolução tão grande . O congolês esteve atrasado em rotações ou no lugar errado frequentemente, assim como se via nas temporadas anteriores. Ele teve um bloqueio e um roubo por jogo, mas mesmo assim, o eye test não foi positivo como team defender, apesar de bons momentos, como o toco no primeiro jogo contra o Santa Cruz Warriors que definiu a partida.

Isso tudo não significa que ele será um mau defensor no futuro, é importante quando avaliando prospectos defensivamente balancear ferramentas funcionais e a produção dele atual e processamento. E as ferramentas estão sem dúvidas lá.

 

Durante a temporada se formou um bloco com Cade Cunningham, Evan Mobley e Jalen Suggs como os principais prospectos da classe, ainda é muito cedo, mas parece que esse bloco ganhou um quarto integrante, e esse integrante é Kuminga.

 

 

Jalen Green

Resultado de imagem para jalen green ignite
Foto: NBAE

 

Jalen Green teve o começo mais decepcionante no jogo contra o Santa Cruz Warriors, onde teve apenas 11 pontos, 5 rebotes, 2 assistências e 3 turnovers, mas nos dois jogos subsequentes Jalen superou os 20 pontos e foi basicamente o jogador que eu esperava.

 

Seu início foi alarmante de várias formas. Muita dificuldade para criar separação, handle pouco funcional e até descontrolado, seleção de arremessos ruim e pouca criação para os companheiros. 

 

Apesar desses problemas não terem desaparecido, nos últimos dois jogos ele mostrou mais confiança, mais precisão nos movimentos e parece ter entrado no seu ritmo. 

 

O que Green mais mostrou até aqui foi o potencial como 3 level-scorer.  Os 17.7 pontos de média com 69% TS mostram como ele pode colocar pontos no placar. Ele pontuou saindo de screens, com pull ups dos 3 pontos e de meia-distância, atacou o aro, conseguiu cavar faltas e em transição produziu não só vários pontos, como highlights incríveis, todo o repertório como scorer foi mostrado. 

 

O arremesso tem sido bom, apesar de ter tido altos e baixos, em 10 tentativas o ala-armador fez 4 arremessos de 3 pontos e acertou 8 de 10 lances livres. Todos esses números devem ser monitorados por um período maior, mas já que estamos tratando exclusivamente dos primeiros jogos, podemos observar o arremesso como um ponto positivo.

 

Os problemas foram os que já poderiam ter sido previstos, falhas como defensor coletivo apesar de bons flashes, controle de bola ainda muito pouco confiável gerando muitos erros e seleção de arremessos que vai e vem.

 

No momento, minha posição quanto ao Green se mantém. Definitivamente não vejo ele como uma possibilidade na escolha #1 nem tão próximo ao Top 3. É um off ball scorer extremamente talentoso que continua sendo uma escolha Top 10.

 

 

 

Daishen Nix

 

Resultado de imagem para Ignite daishen nix
Foto: NBAE

Apesar de ele não ter o nome e a fama que Kuminga e Green tem, Nix começou bem a temporada da G League e se mostrou uma legítima escolha de primeira rodada. Com médias de 12.7 pontos, 4.7 rebotes, 4.7 assistências e 0.7 roubos, ele foi uma importante peça do time passando a bola, pontuando e fazendo as jogadas certas.

 

A primeira coisa que saltava aos olhos em quem via Nix no High School era a habilidade enorme como passador, com o Ignite não tem sido diferente. Ele lidera o time em assistências e constantemente consegue criar jogadas para os companheiros de maneira que impressiona. Manipula bem a defesa, é criativo e tem uma visão de jogo excelente.

 

O scoring era o grande ponto de interrogação sobre o armador e não deixou de ser. Sem grande velocidade, explosão, impulsão ou um arremesso muito bom, há de se questionar sua capacidade de pontuar. No seu primeiro jogo fez 12 pontos, no segundo 0 e no seu aniversário, contra o Toronto, 905 fez 25. Claramente inconsistente, mas houveram momentos bons, conseguindo jogar no seu próprio ritmo e usando desacelerações e trocas de direção achar seu caminho para a cesta e pontuar. Com sua inteligência e processamento de jogo superior, Daishen consegue suas oportunidades. É uma dúvida ainda como esse estilo vai se transferir para o próximo nível e é necessário continuar o acompanhando para saber. O arremesso apesar de ter uma boa taxa de aproveitamento até aqui de 50%, ainda está num volume muito baixo de apenas 3.5 tentativas per 40.

 

A defesa on ball teve os problemas óbvios, velocidade lateral baixa que dificulta muito a contenção de adversários no perímetro. Seu nível de engajamento entretanto foi bom, o que mostra disposição defensiva pelo menos, mas melhoras no deslocamento lateral são necessárias. 

 

 

Isaiah Todd

Resultado de imagem para isaiah todd ignite
Foto: NBA

 

Com 9.3 pontos, 5.3 rebotes e 0.7 roubos de média, Isaiah foi o prospecto que menos produziu entre os quatro em termos de box score, mas mostrou sinais muito bons mesmo assim. 

 

Com 6’10 a sua capacidade de arremessar da meia-distância e dos 3 pontos sempre foi um dos seus aspectos mais atraentes como prospecto. No entanto, mesmo com toda essa habilidade ele não era um jogador de altas porcentagens do perímetro, na EYBL 2019 por exemplo arremessou 28.6% em bolas triplas, isso por conta da alta dificuldade dos seus arremessos. Nos jogos até o momento, mesmo arremessando em movimento ou saindo do drible constantemente, ele conseguiu converter as bolas de 3 em uma taxa de 60% (6-10) num volume alto de 5.7 tentativas per 40.

Shooters com tamanho no Draft são muito valorizados pelos times da NBA (alô Phoenix Suns). É evidente que ele não manterá essa porcentagem até o final da temporada, mas se ele conseguir se manter acima dos 35% com essa versatilidade e volume, ele irá atrair bastante interesse da liga.

 

Todd ainda não mostrou uma presença interna em nenhum dos dois lados da quadra. Não foi um jogador que pontuou muito ou criou vantagens próximo ao aro, nem um grande defensor de garrafão ou protetor de aro.

Defensivamente o que foi mostrado de positivo foi a defesa de perímetro. Em certas situações foi capaz de defender guards no perímetro e fazer um ótimo trabalho não permitindo penetrações e se mantendo com seu homem. A mobilidade sempre esteve lá, mas parece que agora ele evoluiu um pouco mais em termos de disciplina.

 

A tomada de decisão está como sempre: bem ruim. Ainda comete erros bobos e tenta fazer demais. Turnovers e seleção de arremessos ruim continuam sendo marcas registradas do ala-pivô. Pense que uma das suas principais jogadas é o mid-range saindo do drible, esse não é o arremesso que você quer ver seu big tentando.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: