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Onde há fumaça, há crise!

Na último dia 4, o jornalista do The Athletic, Shams Charania, anunciou em seu Twitter que a NBA havia decidido por realizar o All-Star Game nesta temporada.  O evento está marcado para acontecer em Atlanta, no primeiro final de semana completo de março. A notícia pegou muita gente de surpresa e gerou um princípio de crise entre os atletas e a liga.

O Comissário da NBA, Adam Silva e o astro LeBron James em entrevista coletiva durante o All-Star Weekend de 2015.
Photo by: Jessy D. Garrabrant/Getty Images

Anteriormente ao início da temporada, a Liga anunciou que não iria realizar o evento neste ano em prol da flexibilidade do calendário. – além de uma oportunidade de dar aos atletas um período de descanso-. Logo, com a revelação feita por Shams, a imagem da liga sofreu um grande baque ao expor a potência dos interesses comerciais acima da imagem de cuidado com o bem-estar dos atletas que a NBA tenta promover. Em entrevista coletiva após o jogo contra os Nuggets, o astro LeBron James, fez uma série de críticas e definiu a realização do evento como um “tapa na cara”.

A fala de LeBron caiu como uma bomba no colo da Liga. Após a declaração do Rei, outras estrelas também se somaram ao coro contra o All-Star de 2021, como Giannis, Fox e até mesmo Kawhi Leonard. Desde o último ano a NBA vem investindo em sua imagem como parte ativa em movimentos sociais. Mas, apesar de estampar mensagens como Black Lives Matter e desenvolver um ambiente de bolha para finalizar a última temporada, a Liga demostrou o antagonismo entre suas declarações e suas ações.

Por conta da pressão financeira exercida pela sua parceira comercial, Disney, a NBA teve sua offseason mais curta da história para não perder a audiência que a rodada de natal proporciona. Mas a promessa da liga em não fazer o All-Star Game serviu aos jogadores como uma oportunidade de descanso. Novamente, a pressão financeira, dessa vez da Turner, obrigou a liga a mostrar seu interesse mercadológica acima do social. Nesta temporada não é a primeira vez que a mensagem da liga não é  acompanhada por suas ações. Apesar de fazer campanha de conscientização contra o Coronavírus, a liga permitiu a entrada de torcedores nas arenas por conta da renda gerada com o evento do jogo.

 

A hipocrisia da NBA em relação a COVID-19 ficou escancarada com a permissão de fãs nas cadeiras ao lado da quadra. Nesta posição, os torcedores ficam a menos de dois metros da quadra. Em um desses casos, uma mulher, apelidada de “Courtside Karen“, sentiu-se confortável para abaixar a máscara e ofender os atletas dos Lakers, especialmente LeBron James. A distância dos fãs para os jogadores gerou incômodo geral por conta do risco de contaminação dos jogadores, visto que muitos jogos foram adiados por preocupações relacionadas ao Coronavirus.

Esta não é a primeira vez que atletas e liga mostram estar fora de sintonia, vale lembrar que ao fim da temporada 2023-2024 o contrato de negociação coletiva (CBA) se encerra. Para alguns fãs mais novos isso pode não significar muita coisa, mas há pouco tempo atrás, a NBA e o sindicato de Atletas da liga não conseguiram chegar a um acordo  em relação ao CBA e o início da temporada 2011-2012 foi atrasada por conta de  uma Greve dos atletas. A crise financeira proporcionada pela pandemia pode fazer com que tenhamos uma nova situação parecida.

Ao menos, teríamos a oportunidade de ver LeBron e Kevin Durant batalhando em um campo de futebol americano novamente como em 2011.

Kevin Leal Ver tudo

Jornalista em formação pela Escola de Comunicação da UFRJ, torcedor fanático da maior franquia da NBA e devoto de Marcus Smart. #CelticsBasketball

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