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Talentos esquecidos: os undrafteds na NBA

A noite de terça-feira foi especial para a maior liga de basquete do mundo. A NBA teve em quadra, mais especificamente na bela quadra do Barclays Center, um jogo com tantos talentos que mais parecia um All-Star Game. Kyrie Irving, Kevin Durant e James Harden, o Big 3 do Brooklyn Nets de um lado, e Kawhi Leonard, Paul George e Serge Ibaka do outro pelo Los Angeles Clippers. Talvez os dois times mais talentosos da liga. Tinha tudo para ser um grande jogo. E foi! Trocas de liderança, final disputado e ótimas atuações das grandes estrelas que estavam em quadra.

E mesmo assim quem roubou a cena naquela noite foi um jogador não draftado (undrafted).

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Photo by Toronto Raptors – Twitter

Fredderick Edmund VanVleet Sr. Nome grande para o “baixinho” (Fred tem 1,83m de altura) do Toronto Raptors. O jogador, que até 2018 era desconhecido por grande parte dos fãs do esporte, terça-feira foi um dos nomes mais comentados, senão o mais, durante os jogos da rodada. Isso porque Fred quebrou dois recordes. Com sua pontuação de 54 pontos contra o Orlando Magic ele se tornou o jogador do Toronto Raptors que mais pontuou em uma única partida, superando o antigo recorde de DeMar DeRozan que era de 52 pontos. Ainda, com essa pontuação da partida de terça-feira, Fred VanVleet se tornou o jogador não draftado com a maior pontuação na história da liga. Simplesmente histórico.

Outro recorde quase foi batido por VanVleet. O americano despertou a atenção da mídia porque no intervalo da partida já havia convertido 8 cestas de 3 pontos e flertava com a quebra do recorde mantido por Klay Thompson de mais bolas convertidas do perímetro (14). Fred terminou a partida com 11 cestas de 3 pontos de 14 tentadas, aproveitamento de 78,5%. O camisa 23 converteu 17 dos 23 arremessos de quadra tentados, aproveitamento de 74%. Realmente, uma noite espetacular para o jogador do time do Canadá.

O acontecido gera um debate especial sobre outro assunto muito comentado na liga, especialmente no começo das temporadas: o draft, suas escolhas e a recuperação de possíveis talentos.

No ano em que Fred VanVleet não foi escolhido por nenhuma das equipes, 2016, outro jogador que merece  destaque pela importância que representa em sua equipe, também não foi draftado. Alex Caruso, conhece? Isso mesmo, o jovem senhor do Los Angeles Lakers é um dos undrafteds que vem ganhando reconhecimento e importância na liga. O reserva do time da Califórnia teve papel influente nos jogos da bolha e posteriormente nos play-offs. Grandes partidas realizadas defensivamente, válvula de escape para o time, muito importante para o coletivo, o jogador foi aos poucos ganhando espaço e ganhando o carinho da torcida, deixando de ser apenas um “showman” para se tornar uma peça fundamental da grande máquina que é o atual Lakers.

Photo by Jesse D. Garrabrant – Getty Images

Outro jogador não draftado que merece atenção, principalmente pelo seu desenvolvimento nessa temporada: Christian Wood. O jogador se candidatou para o draft do ano de 2015 e acabou ficando de fora das 60 escolhas. Nesse ano, após temporadas conturbadas e sem muito destaque, o jogador encontra sua redenção. Com média de 22 pontos e 10 rebotes por jogo, Wood encontrou seu melhor basquete junto ao Houston Rockets e vem sendo importante para a reconstrução da equipe após a perda de seu principal astro. Temporada tão relevante que seu nome está entre os mais cotados para o título de MIP (Most Improved Player) desse ano.

Tanto Fred, quanto Caruso e Wood passaram por times da G-League, a liga de desenvolvimento. Eles foram apostas que corresponderam, assim como outros nomes mais antigos da liga. Ben Wallace, quatro vezes vencedor do prêmio de melhor jogador defensivo da liga, campeão da NBA em 2004, também não foi escolhido no ano de seu draft. Estes jogadores são frutos de grandes projetos de desenvolvimento de talentos realizados por suas respectivas equipes. Projetos estes que são necessários não só para jogadores que não foram escolhidos, mas também para aqueles jogadores que foram a 1ª pick de seu draft, para que estes atinjam o máximo de seus potenciais. Wallace e os outros jogadores mencionados são a prova de algo que algumas equipes da NBA já perceberam e que outras precisam logo tomar consciência: O draft vai muito além das 60 escolhas que ocorrem entre suas duas rodadas.

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