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Uma ideia tão louca para equilibrar a NBA que pode dar certo

Deu! Chega! Não aguento mais! Todo jogador que ganha um destaque, mas está fora de um dos times da panela, vira alvo de rumores. O jogador da vez é Bradley Beal. O jovem do Washington WIzards, cestinha da temporada, vê seu nome em manchetes pedindo para que deixe a equipe da capital federal americana por outra equipe. E sempre os mesmos suspeitos. “Vá para o time de LeBron James, Kevin Durant, Steph Curry ou Giannis Antetokounmpo”, clamam as manchetes.

A NBA está desequilibrada. Cada vez mais os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres. Não falo sobre finanças, mas sobre talento. Enquanto Los Angeles Lakers, Brooklyn Nets, Golden State Warriors acumulam talento, e a imprensa pede para que acumulem mais ainda, times como os Wizards sofrem para conseguir alguém. E, quando conseguem, os jovens jogadores sofrem pressão dos especialistas e fãs para se juntarem a outros craques em vez de fazerem suas histórias.

A solução para isso estava escondida em um velho episódio de Seinfeld. E é louca o suficiente que pode funcionar. Como disse Kramer, “níveis, Jerry”.

 

Não é uma ideia nova. O vôlei brasileiro já fez uso dela. É bem simples, separa-se os jogadores em níveis, cada nível tem uma certa pontuação, e o time completo não pode ter mais do que uma quantidade de pontos e/ou jogadores de um certo nível. Em uma liga que diz prezar por equilíbrio, isso solucionaria o problema. Algo assim.

A ideia

Calma gente, isso é só para demonstrar a ideia. Cada nível teria, por obrigação, 30 jogadores, um para cada equipe. Só que o exemplo ficaria grande demais caso eu fizesse isso. Eu teria que, além das 30 colunas, fazer fileiras para os 13 posições nas equipes. E a intenção aqui é só dar uma ideia, não criar um livro de regras.

No seu âmago, é aquela velha brincadeira do Twitter “monte seu time com $15” e cada fileira de jogadores tem um valor $X, só que com um propósito real. Sendo assim, jogadores da fila A valeriam, digamos, 5 pontos, da B=4, C=3, D=2, E=1 e o time não pode passar de 15 pontos e não pode ter dois jogadores da linha A na equipe.

O Bom

As vantagens são óbvias. Um sistema assim espalha o talento pela liga, deixa o campeonato mais equilibrado e divertido de ver. Um time pode não ter um LeBron, mas vai ter um Damian Lillard e um Kawhi Leonard, por exemplo. As partidas da temporada regular serão mais competitivas, já que nenhum time deve ter lugar garantido. Assim o fã que viajar e pagar cara para ver um jogo corre menos risco de chegar na arena e ler “fulano não joga, descanso”. Os primeiros rounds dos playoffs, normalmente perda de tempo, terão mais zebras. Tudo para uma NBA mais competitiva.

O ruim

Claro que nem tudo são flores. Esse sistema restringiria bastante a movimentação de jogadores. Complicaria ainda mais trocas e contratação de jogadores sem contrato. Por esse lado, é quase como se voltássemos para os anos pré-protestos de Bills Russell, Oscar Robertson e Jerry West por mais liberdade para os atletas. Não tão ruim, mas um passo atrás.

O feio

A verdade é que a NBA não pode continuar assim. Um acúmulo de talento tão grande que somente dois ou três times realmente tem chances de título. Isso é ruim para a liga, afasta o público casual, diminuindo o lucro. Isso é ruim para quem gosta da NBA, o campeonato, longo, fica chato de assistir, maçante. 

Talvez seja hora da NBA testar algumas ideias malucas. Eu nem vou cobrar pela minha. OK, talvez League Pass grátis para sempre.

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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