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Moses Moody, O Super Jogador Complementar

 

Dados Gerais:

Nacionalidade: EUA

Universidade: Arkansas

Idade:  31/05/2002 (18 anos)

Ano: Freshamn

Altura: 6’6 (1,98)

Peso: 205 lbs (92 Kg)

Envergadura: 7’0 (2,13)

 

Moody, Arkansas decimate cold-shooting Lipscomb | theScore.com
Foto: Wesley Hitt

Assim como Devin Vassell foi o “queridinho” do Draft Twitter em 2020, Moses Moody é o “queridinho” de 2021. Apesar de serem jogadores absolutamente diferentes em vários aspectos, são similares no sentido de serem jogadores complementares de elite, com upside muito subvalorizado. Muito dessa subvalorização vem do fato de eles não terem uma mixtape dando crossovers ou enterrando 360s em quadra aberta, mas vou contar um segredo: não é só disso que vem upside. “Teto” também é um conceito que usam contra esse tipo de jogador, já que geralmente o “teto” significa só ferramentas físicas e ignora muito do restante, como se fosse realístico por exemplo, que amanhã o Deandre Ayton pudesse começar a arremessar como o Stephen Curry ou como se o Marvin Bagley pudesse passar a ter a visão de jogo do Chris Paul.

 

Moody será apontado muitas vezes como um 3&D até o Draft. E é um daqueles casos que gosto de dizer que se por 3&D você quer dizer que ele é capaz de arremessar bem dos 3 pontos bem e defender bem, você está correto, mas ele pode fazer muito mais do que isso. 

 

Antes de entrar mais profundamente no jogo de Moody, vamos para o seu background. Moses começou sua carreira no High School na sua cidade natal, Little Rock, Arkansas. Ele jogou na cidade até o seu ano de Junior, quando se transferiu para Monteverde Academy. Na sua temporada de Senior ele fez parte do que foi talvez o melhor time de basquete de High School de todos os tempos, o time que tinha no seu quinteto titular 5 possíveis escolhas de loteria incluindo a provável escolha #1 de 2021, Cade Cunningham. Ao contrário da imensa maioria dos prospectos, Moody já executava uma função parecida com a que ele deve executar na NBA no High School, tendo oportunidades com a bola mas não sendo o principal ball handler, já que jogava com Cunningham e Scottie Barnes, dois jogadores que hoje executam a função de armador nas suas respectivas universidades. Um dos motivos de ele ter sido um jogador tão subestimado saindo do High School pode ser o fato de ele não ter sido a estrela da sua equipe no High School, mas mesmo assim ser apenas o 40º no RSCI era ridículo. 

Com Bradley Beal Elite, seu time da EYBL, ele atuava numa função de criação bem maior que por Monteverde, o que ajudou a ter mais repetições on ball e achar sucesso nessa função. Mesmo que no nível mais alto ele não deva ter responsabilidades de iniciação de jogadas nesse volume logo de cara, é uma experiência e nos permite vê-lo nesse contexto também.

Para o nível universitário, o ala-armador está de volta ao seu estado de origem, atuando por Arkansas. Em relação a sua função, Arkansas atua num sistema bem distribuído em que vários jogadores possuem oportunidade de criação. Portanto Moody atua numa função que alterna entre posses em que ele fica mais e que fica menos com a bola.

 

Bem, o que você consegue com Moody? Um verdadeiro 3 level scorer, que espaça a quadra muito e um defensor off ball excelente que também é bem acima da média no ponto de ataque e que fará todas as pequenas coisas que ajudam o time nos dois lados da quadra.

 

Moses Moody é disutivelmente o melhor shooter da classe e no vídeo vemos a incrível versatilidade do seu arremesso, sendo usado numa grande variedade de situações com efetividade.

 

No ataque, ele é um bom passador reativo, executa bem passes em movimento e consegue usar um pouco da sua gravidade como pontuador para gerar oportunidades para seus companheiros. Criando para si, ele tem um bom conjunto de movimentos curtos com a bola, trocas de ritmo e fakes para poder atacar o aro ou arremessar, muito úteis para atacar closeouts inclusice. Mas é no jogo sem bola que ele brilha. Ele tem uma compreensão do espaçamento e de posicionamento de quadra num nível em que muitos jogadores até veteranos na NBA não tem. Ele é um cutter muito inteligente também que reconhece os espaços na quadra de forma rápida. Uma estatística interessante para ilustrar a capacidade de Moody para pontuar sem a bola é a seguinte: a estrela de Arkansas tem a 4ª maior média de pontos entre todos os freshmen na NCAA DI, atrás apenas de Cameron Thomas, Sharife Cooper e Cade Cunningham, mas quero apontar para o usage dos três, que são respectivamente, 33.3%, 35.5% e 27.2%, todos substancialmente maiores do que os 22.2% de Moody, o que vem para mostrar a capacidade que ele possui de pontuar sem necessitar da bola em suas mãos. A versatilidade do arremesso é um dos seus principais recursos, Moses pode fazer muito mais que arremessar spot-ups estáticos no corner, ele pode correr por screens e sair arremessando em movimento, pode arremessar saindo do drible e tudo isso com um jumpshot rápido. 

 

No lance podemos ver a inteligência de Moody como cutter o rendendo uma cesta fácil.

 

 

Defensivamente o seu maior impacto também vem fora da bola. Ele tem um processamento muito rápido, portanto pode antecipar jogadas adversárias e fazer rotações com precisão e velocidade. Ele tem um fell excelente para se posicionar sempre no lugar certo. A intensidade com a qual o ex-jogador de Monteverde joga é ótima de se ver e esse nível de esforço mesmo sendo uma estrela universitária ofensivamente é algo a se apreciar. O tamanho para a posição é outro item na lista de aspectos positivos para Moses, com 6’6 de altura e 7’0 de envergadura seu tamanho é ideal para a posição 2 na NBA e faz com que ele possa cobrir chão da maneira que shooting guards menores não conseguem. Ele é um reboteiro acima da média para a posição , o que é relevante numa NBA que se inclina mais e mais para o small ball 

Na bola, seu trabalho de pés é excelente, que combinada a sua boa velocidade lateral e muita inteligência, sabendo quando ser agressivo e quando não ser, fazem com que ele permita um número baixo de penetrações, seus braços longos também ajudam na contestação de arremessos. 

 

Suas fraquezas aparecem majoritariamente se sua função for estendida demasiadamente ou se for ele for usado da maneira errada. Colocá-lo como playmaker principal na NBA seria um erro, mesmo que um dia ele possa até poder liderar uma segunda unidade, não faria isso no time titular e nem em nenhuma situação nos seus primeiros anos de carreira, caso contrário, sua falta de instintos de criação natural vão ficar evidentes. Colocá-lo sempre com a bola nas mãos também não seria algo indicado. Ele não tem handle avançado nem uma primeira passada muito acima da média para vencer seu homem no 1v1 constantemente, não tem uma grande explosão vertical e pode ter problemas atacando o aro em meio ao tráfego por ter uma preferência grande por saltos a partir de dois pés. Na defesa, ele pode ser considerado um marcador da 1 a 2.5 colocar ele contra os maiores wings (LeBron, Kawhi, Butler etc.) pode o deixar numa situação de desvantagem física muito acentuada. 

 

A maneira correta de utilizar Moody é num molde similar ao de Monteverde Academy, jogando ao lado de um criador potente, como era com Cunningham, maximizando assim seu potencial como off ball scorer, permitindo que ele se movimente sem bola no perímetro espaçando a quadra para o criador primário, que tradicionalmente precisa de uma quadra bem espaçada para ser maximizado também, Moses poderia atuar como um cutter ativo, já que ele tem essa inteligência e jogando com um criador de vantagens potente essas chances para cortes fora da bola se abrem. Defensivamente, ele se encaixa bem também como um complemento a esse tipo de super-criador, já que muitos deles – LeBron, Doncic, Harden, Cade Cunningham etc. – apesar de serem lead ball handlers  e muitas vezes até serem considerados PGs não são primariamente marcadores da posição 1 e 2, então o ala-armador dos Razorbacks poderia preencher essa função defensiva.

 

O importante para se levar em conta com Moses Moody é que ele é um grande facilitador de team building, tanto por ser um jogador que espaça a quadra e é um off ball scorer de alto nível, quanto por ser um team defender que beira o nível elite. Não acredite que ele é um jogador de teto baixo, pois existe uma possibilidade real dele ser um jogador tão bom na sua função que ele chegue ao patamar de estrela, assim como jogadores como Khris Middleton e nessa temporada, Malcolm Brogdon, fazem. E é um upside mais fácil de comprar do que de muitos outros jogadores que são muito pouco eficientes e na prática trazem baixo valor mas são máquinas de highlights que não vão a lugar algum. 

 

Sobre seu range no Draft, qualquer lugar a partir da escolha #6 é uma boa escolha para Moses Moody. Mas ele tem potencial legítimo para ser um steal, já que ele é encarado por muitos ainda como um jogador para meio de primeiro round. Moody é um dos principais nomes do Draft de 2021 e deve ser observado de muito perto.

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