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Trae Young e a superproteção do arremessador na NBA atual

 

“Isso não é basquetebol”, assim resumiu Steve Nash, treinador do Brooklyn Nets, após Trae Young tirar seu mais novo truque do chapéu. Foi em um jogo no começo de 2021 entre os Nets e o Atlanta Hawks, de Young, que Nash viu o armador tomar a frente do defensor, parar, subir para o arremesso, cavando a falta. 

Dias depois, foi a vez de Tom Thibodeau, técnico do New York Knicks, reclamar enfaticamente com a arbitragem. Thibs, por sua vez, disse que Young não apenas parava ao tomar a frente do defensor, mas também iniciava o contato, pulando para trás. 

A jogada se repete algumas vezes durante uma partida dos Hawks. Um companheiro faz um corta-luz alto para o armador que aproveita e toma a frente do defensor. Logo, Young para, criando contato e a falta. 

E tem funcionado. No momento, Young arremessa 10,4 lances-livres por partida, segundo a NBA.com/stats. Isso é mais do alguns dos maiores frequentadores da linha da caridade como James Harden e LeBron James.

Superproteção 

Agora, o problema. E, aqui entramos mais na reclamação de Thibs. A NBA protege muito o arremessador hoje em dia. Young inicia o contato, sai totalmente do que seria seu arremesso normal, para caçar a falta e é recompensado por isso. 

O clipe não me deixa mentir. 

Nos lances acima, Young muitas vezes não para e pula para arremessar. Ele para e pula para cima do defensor, dessa forma criando contato. E Thibs notou isso. 

“É interessante. Eu vi o jogo do Brooklyn e vi isso (do Young)”, disse Thibs para o New York Daily News. “É algo que começou com James Harden, e a liga em geral, proteger o arremessador. É interessante, tendo treinado basquete internacional, na FIBA não dão essas faltas”.

E Thibs tem razão. Com Harden, com Young, e com qualquer arremessador. Seja saltando para frente ou para trás, a NBA chegou em um nível exagerado de proteção ao chutador que ficou impossível defender um arremesso. 

Basta o atacante esquecer totalmente do seu arremesso, saltar para cima do defensor de qualquer jeito, que vai ser recompensado com a marcação da falta. 

Frequentemente vemos algo assim acontecer em um jogo da NBA:

Até pior, na verdade.

Não foi sempre assim

O engraçado, é que não foi sempre assim. E achei dois exemplos dos playoffs históricos dos Knicks em 1999 para mostrar. 

No primeiro lance, na série contra o Miami Heat (o Jogo 5 do Round 1, Allan Houston vence a partida no segundo final), Terry Porter está desesperado e tenta cavar a falta. Os Árbitros nem olham para ele e o jogo segue. 

No mesmo link, tem um lance do Jogo 5 das Finais entre Knicks e San Antonio Spurs. No final do primeiro quarto, Houston faz a finta e Sean Elliot salta para defender. Houston sai completamente de seu arremesso para cavar a falta. 

É tão simples, NBA. É só lembrar que o atacante não pode iniciar o contato e ser recompensado por isso. 

Em outras palavras, parem de proteger tanto o ataque. Devolvam a defesa para a liga. O fã da NBA merece. 

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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