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A classse internacional de 2021 (Pt.2)

Seguimos na rica classe internacional do Draft de 2021 com mais 5 nomes interessantes. Se você ainda não viu a Parte 1, pode conferir aqui

 

 

 

Amar Sylla, Filou Oostende (BEL) – Big

 

Foto: Champions League

Dados Gerais:

 

Nacionalidade: Senegal

Idade: 01/10/2001 (19 anos)

Altura: 6’9 (2,06)

Peso: 210 lbs (95 Kg)

Envergadura: 7’2 (2,18)

 

Sylla passou quase toda sua carreira nas bases do Real Madrid, desde quando deixou Senegal para ir a Europa até 2019. Por muito tempo foi considerado um das principais promessas do time espanhol. Ele foi parte importante da conquista do ANGT de 2019 com o Real Madrid, sendo eleito para o All Tournament Team das classificatórias de Munique e procedendo como parte crucial da equipe na fase final.

Sem conseguir espaço com o time principal do time do Real, o senegalês decidiu deixar o clube e ir para o Filou Oostende, da Bélgica, em busca de mais oportunidades no próximo nível. O clube belga além de disputar a FIBA Champions League já domina a liga nacional há um bom tempo, ganhando todos os títulos desde a  temporada 2012-2013, na 2019-2020 não foi diferente, com a ajuda de Sylla o time se consagrou campeão pela 8ª vez consecutiva.

Na sua primeira temporada como profissional já foi titular em todos os jogos e conseguiu ter uma média de pouco mais de 20 minutos por partida. Ele chegou a colocar seu nome do Draft de 2020, no entanto, acabou optando por retirá-lo e voltar para mais um ano na Europa. Neste início de temporada ele continua com um tempo de jogo similar e somando Champions League e Belguim-Scooore League seus números são de 7.5 pontos, 6.1 rebotes e 1.1 toco.

 

O que faz de Sylla um prospecto tão bom é a capacidade atlética somada ao potencial defensivo excepcional. Com altura de 6’9 e 7’2 de envergadura seu tamanho é ideal para um 4 da NBA. Sua fluidez é digna de um wing, consegue trocar de direção e se move tanto no sentido ‘norte-sul’ quanto ‘leste-oeste’ com facilidade. Suas capacidades como leaper merecem destaque também, não só saltando alto mas também de maneira veloz. Ele pode parecer abaixo do peso para um big, mas a verdade é que é incrivelmente raro encontrar bigs 100% prontos fisicamente entrando na NBA, especialmente tendo apenas 19 anos.

 

A defesa é o que os times mais devem se empolgar quando se trata de Amar. A forma com que ele consegue cobrir chão com seus braços longos, sua impulsão e sua mobilidade é o que todos os times querem dos seus jogadores de garrafão. Seu potencial como weak side rim-protector é imenso e ele faz questão de mostrar isso com tocos sensacionais saindo de um lado para o outro da quadra para proteger o aro e negar arremessos. Seu motor tanto na defesa quanto no ataque também é impossível de não se notar, ele sempre parece estar dando tudo que pode em quadra, lutando para se recuperar em jogadas, brigando no garrafão e por rebotes – rebotes que também são destaque no seu jogo, quase 12 rebotes per 40 nesta temporada. – Mas é necessário dizer que por mais intrigante que todo o potencial dele seja na defesa, ele ainda está razoavelmente longe de atingi-lo de forma plena. Nem sempre o posicionamento é preciso e apesar da mobilidade ser muito boa, é evidente a falta de experiência defendendo o perímetro ou como help defender no Pick & Roll, mesmo que no atual nível ele possa compensar isto por ser muito atleticamente superior, na NBA ele precisará de evolução.

 

Ofensivamente há upside também, no entanto este potencial está ainda mais distante. Vamos começar pelo lado bom: o atletismo insano continua lá, ele é um reboteiro ofensivo prolífico (4.4 reb. ofensivos per 40) portanto consegue muitos pontos de segunda chance, ataca bem em transição, tem flashes de bom handle apesar da efetividade questionável, pode finalizar lobs, corta bem em direção a cesta e pode explorar mismatches no post. Porém, especialmente no início, será difícil encontrar uma função para ele dentro do ataque. Apesar de uma mecânica decente ele é muito inconsistente como shooter e arremessou 22% dos 3 pontos tanto na temporada passada quanto na atual, ele é um passador nada impressionante no momento (apesar de sempre poder evoluir), não é alguém que você quer recebendo toques no post por uma série de motivos incluindo a incapacidade de mover jogadores maiores no garrafão e um footwork pouco avançado e apesar de não ser um jogador ruim no PIck & Roll não é nada demais também. Sem espaçar a quadra, passar a bola ou ser uma grande ameaça no post e no PnR as chances de ele acabar sendo um jogador insustentável ofensivamente são grandes.

 

Amar Sylla tem grande potencial mas grande downside ao mesmo tempo, o que muitos chamam de “boom or bust”, é um daqueles casos de que para selecioná-lo você precisa de duas coisas: tempo e confiança no seu player development. Deixá-lo como um stash na Europa por mais um tempo pode ser uma opção, já que ele mesmo no melhor dos cenários só deve ser um contribuinte confiável na NBA em 2022 ou 2023.

 

 

Mario Nákic, Filou Oostende (BEL) – Wing

Foto: Champions League

 

Nacionalidade: Sérvia/Croácia

Idade: 14/06/2001 (19 anos)

Altura: 6’7 (2,01)

Peso: 193 lbs (88 Kg)

Envergadura: 6’7.5 (2,02)

 

Nákic não só é compartilha o mesmo time, mas também compartilha uma história similar a de Amar Sylla. Teve os maiores holofotes para ele ao chegar nas bases do Real Madrid, onde era visto como uma grande promessa, foi eleito o MVP do Torneio de Munique do ANGT na temporada 2017-2018 e MVP e campeão da fase final do ANGT na temporada 2018-2019.

Quando tinha ainda 16 anos estreou pelo Real Madrid no profissional durante uma derrota contra o Gran Canaria na ACB 2017-2018, mas foi só na temporada 2019-2020 que ele conseguiu realmente jogar com um pouco mais de consistência, entrando em 12  jogos (9 da ACB e 3 da EuroLeague), onde teve médias de apenas 2.6 pontos e 0.9 rebotes em cerca de 8 minutos por jogo. Sem conseguir repetir a mesma relevância que tinha nas categorias de base, o sérvio-croata foi emprestado em 2020 para o Oostende em busca de mais tempo de jogo e experiência.

 

Já de cara nos primeiros jogos com o clube belga Nákic ocupa uma função crucial no time. Até aqui foram 8 jogos disputados e apenas um saindo do banco, na sua primeira oportunidade com os titulares já anotou 25 pontos e 9 rebotes, mostrando o quão capaz é de produzir em alto nível. É evidente que estes números não se sustentaram, mas 10.6 pontos, 3 rebotes e 1.4 assistências por jogo em ligas competitivas da Europa é uma produção que há de se respeitar.

 

Vamos entrar de fato nas suas características agora. Com 6’7 de altura, Mario tem bom tamanho para atuar tanto na posição 2 quanto na 3. Ele pode ser considerado um “drible, pass, shoot wing”, ou seja, um ala que pode driblar, pode arremessar e pode passar a bola com eficiência, e apesar de este rótulo não ser o mais sexy, é altamente valioso.

A pontuação de Nákic é bem completa, ele pode variar arremessos dos três níveis, é um off ball cutter inteligente, um bom driver apesar do atletismo mediano, tem um ótimo fell para atacar pelos ângulos corretos, atacando sempre com objetividade e no ritmo certo. Ele possui um jogo no nível intermediário tanto com jump shots quanto com floaters que usa quando a oportunidade é dada . Arremessando do perímetro ele sempre foi inconsistente, mas mostra promessa. Nesta temporada ele está 8-15 (53%) e com o Real Madrid na última temporada teve 6-12 (50%) do perímetro, porcentagens maravilhosas e em um volume bom por partida, mas shooting  uma característica que precisa de amostras muito mais amplas para serem analisadas de maneira minimamente razoáveis e considerando o nível profissional, este tipo de amostra não existe para ele. A mecânica é sólida e existe uma variedade razoável de situações em que o ala do Oostende já se mostrou capaz de converter arremessos. A parte inferior do corpo muitas vezes não proporciona equilíbrio adequado para o arremesso, então é algo para se seguir.

O passing é algo que os times devem gostar nele também, por mais que ele não esteja no patamar para ser um iniciador primário na NBA, ele é um criador secundário de alto valor, a primeira coisa que ele faz ao receber a bola é procurar na quadra um companheiro melhor posicionado, sua visão é bem avançada considerando a idade e a posição em que joga, seu processamento da quadra é rápido e a “generosidade” também é algo bom de se ver. O poder de criação mesmo em baixo usage é ideal para um guard secundário ou wing como Nákic se projeta. O número de turnovers pode ser maior que o ideal – 2.1 TO p/ partida – mas tendo a não me prender excessivamente em erros quando se trata de jogadores de perímetro tão jovens. 

 

Defensivamente apesar de não ter uma velocidade lateral absurda, impulsão enorme ou braços particularmente longos, ele faz um bom trabalho de maneira geral. É um team defender muito ativo nas linhas de passe, faz a ajuda sempre que possível fechando cortes adversário para a cesta, tem uma inteligência razoavelmente boa defendendo o Pick & Roll e se esforça no ponto de ataque. Ele não é o jogador para marcar a estrela adversária, mas não irá prejudicar contra um jogador comum e contribuirá na defesa coletiva.

 

Mario Nákic traz uma dinâmica como uma peça complementar muito interessante, apesar de não ser um jogador que grita upside, conseguir um jogador como Nákic, de impacto e que atua de forma complementar as suas estrelas é algo que todos os times deveriam ao menos considerar. A opção de deixá-lo na Europa por mais um ano após o Draft pode ser válida também, não ocupando uma vaga num elenco, entretanto meu nível de confiança na produção dele no médio-prazo é alta.

 

 

Vrenz Bleijenbergh, Antwerp Giants (BEL) – Wing/Guard

 

Vrenz Bleijenbergh - Telenet Giants Antwerp (photo Giants - Goyvaerts - GMax Agency) - EC20
Foto: Giants

 

Nacionalidade: Bélgica

Idade: 14/10/2000 (20 anos)

Altura: 6’10 (2,08)

Peso: 209 lbs (95 Kg)

Envergadura: Desconhecido

 

Seguimos na Bélgica, mas agora com Vrenz Bleijenbergh. 

 

Bleijenbergh não é uma “novidade”, ele já é seguido como um prospecto de alto padrão na Europa por anos, mas esta temporada ele está conseguindo levar seu stock para outro nível. 

Na divisão B do Campeonato Europeu Sub-18 em 2018 ele foi capaz de liderar a seleção belga para o 3º lugar da competição e foi eleito para o time ideal do torneio com médias de 13.5 pontos, 8 rebotes, 2 tocos, 1.1 roubos e liderando todos os jogadores em assistências, com 6.0.

Desde a temporada 2018-2019 o ala já fazia parte da rotação do Antwerp Giants, mas de maneira limitada e lentamente ganhando mais oportunidades, mas na temporada 2020-2021 ele está se mostrando parte crucial do time, seja vindo do banco ou começando os jogos. Sua média de pontos triplicou de um ano para o outro, a bola de 3 pontos passou a cair com mais frequência e ele tem tido uma função de criação ainda maior. A temporada 2020-2021 também marca a  volta dos Giants a EuroCup depois de mais de 10 anos, o que significa a oportunidade também de ver Vrenz num nível mais alto.

 

E ele não só tem respondido, como tem superado as expectativas. Um dos principais fatores que levam a animação ao redor de Bleijenbergh é o potencial como Point Forward, só ao ouvirem este termo eu já posso ver GMs salivando por um jogador, afinal, o que há de melhor que um jogador basicamente da altura de um pivô com o skillset de um armador? E é isso que pelo menos em teoria ele Vrenz pode ser.

 

Com 6’10 a promessa belga mostra um skillset de perímetro real. É um passador muito bom, que entende como manipular as defesas de maneira natural e tem o privilégio de enxergar toda a quadra por cima da defesa e ter acesso a passes que jogadores menores não tem. A naturalidade com a qual ele é capaz de criar para seus companheiros é realmente difícil de achar nesta idade, mesmo em armadores pequenos. Ele já mostra  bastante inteligência para manipular o Pick & Roll inclusive, o que é um grande item na lista das suas forças. Mas talvez o melhor da sua criação esteja em jogadas de transição, em que ele tem a quadra toda para explorar com passes criativos e engenhosos que ele adora usar e a capacidade que ele tem de pegar rebotes e já partir no contra-ataque é ótima também. Se a bola for dada para ele numa situação de desequilíbrio da defesa mesmo na meia-quadra, o mesmo é válido.

 

O que sempre segurou muito seu stock foi a capacidade de pontuar, mais especificamente arremessando. Seus números do perímetro sempre estiverem em eficiência e volume médio/baixo, mas nesta temporada as coisas podem estar mudando. Na temporada passada ele arremessava 6.6 bolas de 3 per 40 e as convertia numa taxa de 32%, em 2020-2021 estes números saltaram para 8.0 e 40%. Mesmo assim eu teria cautela em comprar totalmente o arremesso logo de cara, primeiramente é bom lembrar que uma amostra tão limitada de menos de 100 tentativas na temporada é sempre duvidosa, o FT% não é inspirador – 64% na carreira profissional – o jump shot eu diria que é no mínimo pouco ortodoxo, apesar de ele mostrar confiança e até certa versatilidade no uso. Então, por mais que eu gostaria de dizer que as preocupações em relação ao shooting são águas passadas, elas precisam ainda ser levadas em conta.

 

Como slasher existe muito a se gostar, o tamanho e a fluidez da sua movimentação já lhe dão uma capacidade interessante, seu toque é legal ao redor do aro, há capacidade de troca de direção e o ball handling é bom o bastante. Fisicamente ele pode deixar a desejar, não possui uma primeira passada particularmente explosiva, tem uma impulsão sólida mas nada absurda e não tem grande força física desenvolvida ainda, apesar de mostrar a habilidade para usar a fisicalidade sobre seus oponentes a capacidade de fazer isso contra atletas da NBA é questionável.

 

Sua perspectiva ofensiva é a seguinte: há muito potencial de criação, por mais que iniciação primária na NBA seja pouco realística, conseguir um secundário com os recursos que Bleijenbergh é de valor extraordinário. Ele precisa se provar ainda uma ameaça real na meia-quadra de forma mais constante, o arremesso precisa de consistência ainda não 100% comprovada e o seu corpo precisa de desenvolvimento para que ele se torne o jogador que pode ser infiltrando. 

 

A defesa é tão complexa quanto o ataque, existem cenários em que consigo ver Vrenz sendo um jogador muito positivo defensivamente, mas existem cenário que o vejo sendo muito negativo.

 

O lado ruim é que ele pode ser ainda mais cru na defesa do que no ataque, ele constantemente se atrasa em rotações, é muito agressivo no perímetro e pula em fakes. Mas quando avaliando prospectos defensivamente é sempre bom lembrar que as ferramentas mostradas e pequenos flashes são muito importantes, e isso é inegável que o jovem belga tem. O upside de um jogador tão alto, longo e móvel na defesa precisa ser reconhecido e existem vários momentos em que ele mostra o que pode ser como um playmaker defensivo, cobrindo chão, protegendo o aro a partir do weak-side e atuando nas linhas de passe. O potencial on ball também existe, marcando possivelmente duas ou três posições diferentes. As palavras para sabermos o que Vrenz Bleijenbergh  pode ser são “tempo” e “desenvolvimento”.

 

 

Matthew Strazel, ASVEL (FRA) – Guard

 

BeBasket : actualité du basket en France et en Europe : Matthew Strazel, 9 points en EuroLeague à 17 ans : selon Mitrovic, "il représente l'avenir du basket français"
Foto: Infinity Nine Medea

 

Nacionalidade: França

Idade: 05/08/2002 (18 anos)

Altura: 6’0 (1,83)

Peso: 178 lbs (81 Kg)

Envergadura: Desconhecido

 

Depois de Théo Maledon em 2020, o ASVEL vem com outro bom prospecto na posição de PG este ano. Matthew Strazel é um dos jogadores mais divertidos da classe toda, muito habilidoso, uma ameaça para pontuar em todos os níveis, um finalizador e passador criativo, ágil e rápido.

 

Nos níveis mais baixos, Strazel sempre se mostrou uma grande promessa e teve grandes performances nos torneios do ANGT. Com 17 anos já havia jogado na EuroLeague como titular e era peça importante do ASVEL, uma das principais equipes da França e da Europa. Na  EuroLeague 2019-2020 teve médias de 4 pontos e 1.6 assistências, números que não saltam aos olhos, mas considerando o nível de competição é muito positivo.

 

Seu jogo é como eu disse muito divertido de se ver. Matthew é conhecido por ser um score first guard, o que é verdade, mas acho que é necessário reconhecer o progresso que ele tem tido como playmaker. Em números as 5.2 assistência per 40 na EuroLeague são boas e o eye test só confirma isso, ele mostra uma boa manipulação da defesa, sempre usando seus olhos para tentar criar algum desequilíbrio e vem aprendendo cada vez mais a usar a gravidade que ele gera como scorer e a pressão que coloca no aro para gerar oportunidades para seus companheiros e com mais repetições no nível profissional esses instintos só devem se desenvolver mais. Se eu acho que ele será um jogador de 8+ Ast por jogo um dia? Não, mas ele pode ser um criador complementar confiável ou possivelmente ser o líder de uma segunda unidade.

 

Os recursos para pontuar são o grande chamariz de Strazel. A começar pelo seu jogo como slasher, apesar da altura baixa o francês não tem nenhum medo de contato ou brigar no garrafão com jogadores maiores, o que seu FT Rate de 0.43 na temporada ajuda a ilustrar. E os lances livres são um ponto importante também, ele entende que tem a vantagem da velocidade e usa isso para conseguir faltas quando seus defensores estão atrasados na jogada. Como finisher, seu toque é bom e ele consegue executar bandejas acrobáticas para fugir dos oponentes, mas tem de ser apontada a dúvida de o quão isso será efetivo na NBA, já que diariamente ele estará jogando contra jogadores até 30 centímetros maiores do que ele e somente o toque e essa criatividade vão perder pelo menos um pouco do seu valor. 

O arremesso é uma força. Na sua carreira somando ANGT, campeonato francês, EuroLeague, LNB Espoirs e a Leaders Cup converte os lances livres numa taxa acima de 80% e os arremessos de perímetro em 38%. A dificuldade na transição para o próximo nível pode ser relacionada a capacidade de ele conseguir o espaço para arremessar estas bolas, não apenas pelo tamanho, mas sua mecânica idealmente seria um pouco mais alta também. De qualquer forma o shooting é sim uma força do francês e pode ser uma arma tanto arremessando no Catch & Shoot quanto saindo do drible. 

 

O grande problema é tamanho, tamanho, tamanho. Strazel é um armador de 6’0 num bom dia, ele não tem acesso a passes que criadores maiores tem, tem limitações atacando a cesta e conseguindo colocar arremessos, tudo isso por conta da baixa altura. Portanto é difícil vê-lo atingindo um patamar muito alto na NBA, mas isso não significa que ele não possa ser um bom sexto homem ou até uma estrela na Europa.

 

Defensivamente a história é parecida. Ele é inteligente, faz suas rotações bem e se esforça muito, mas é um defensor de apenas uma posição e se ele fica meio passo atrás do ataque ele já apresenta uma dificuldade muito grande em se recuperar. Eu acredito que seja bem possível que ele seja um bom marcador da posição 1, mas em situações de Playoffs ou final de jogo não seria difícil forçá-lo contra um jogador maior e fazê-lo uma vulnerabilidade. 

 

 

Khalifa Diop, Gran Canaria (ESP) – Big

 

Foto: FIBA

 

Nacionalidade: Senegal

Idade: 15/01/2002 (19 anos)

Altura: 6’11 (2,11)

Peso: 231 lbs (105 Kg)

Envergadura: 7’4 (2,23)

 

Khalifa Diop já é acompanhado como um dos principais prospectos africanos há um tempo. Em 2019 disputou com Senegal a copa do mundo sub-19 da FIBA e teve médias de 13.1 pontos, 7 rebotes, 1.3 tocos e 1.3 roubos. No campeonato africano sub-18 em 2020 ele novamente teve uma boa performance e ajudou a levar Senegal a final da competição com números de 12.6 pontos, 11.8 rebotes, 3.6 assistências, 3.4 roubos e 1.2 tocos.

 

Com o clube ele evidentemente era visto como uma grande jóia . Até a última temporada ele passava a maior parte do tempo com o Gran Canaria II, na LEB Silver (3ª divisão da Espanha) apesar de flertar com algumas aparições já com o time principal. Mas nesta temporada isso mudou. Jogou apenas um jogo na 3ª divisão e já emplaca minutos relevantes na EuroCup e na elite do basquetebol espanhol e tem até algumas aparições como titular. 

 

O maior valor de Diop vem da capacidade de impactar o jogo de diversas maneiras e em alto nível na defesa. Sua mobilidade é excepcional, se move lateralmente com uma fluidez rara para um pivô, consegue trocar de direção com guards e wings e tem um bom nível de compreensão de como marcar no perímetro e acima do nível do screen, apesar de ainda poder evoluir, esse nível de inteligência de defesa de perímetro nem sempre é vista mesmo nos bigs móveis, especialmente com menos de 20 anos. Tudo isso em um jogador de tamanho real de pivô, que faz um trabalho muito bom próximo a cesta também. É bem físico, muito bom reboteiro, tem um bom feel e bom timing como protetor de aro, sai do chão muito rápido e tem uma impulsão alta. Somando tudo, as ferramentas físicas, a mobilidade e a presença interior que ele é, vemos em quadra um defensor muito versátil e impactante, que parece estar influenciando em todas as jogadas adversárias. 

 

No ataque seu jogo ainda precisa ser polido. O que ele tem é seu atletismo e tamanho, que o dão a capacidade de finalizar pontes-aéreas, pegar e finalizar embaixo da cesta, atacar como roller no Pick & Roll, fazer pontos de segunda chance e punir mismatches no garrafão. O “adicional” é sua habilidade como passador. Apesar de estar longe de ser um Nikola Jokic ou qualquer coisa do tipo, ele tem uma boa visão de jogo e possui até alguma antecipação das jogadas e flashes de passes em movimento. A habilidade como passador vem muito mais em flashes do que em algo constante, ainda existem momentos em que ele simplesmente perde leituras simples, mas os momentos bons são encorajadores. Mas ainda há muito mais a se desenvolver em termos do seu jogo no post, que apesar de efetivo em certas situações ainda é pouco avançado, consistência geral e o principal, a habilidade para espaçar a quadra: O pivô nunca foi um arremessador do perímetro e suas porcentagens de lances livres sempre foram ruins – entre 45% e 60% em basicamente todos os níveis. – e na NBA a capacidade de arremessar muda carreiras brutalmente. É comum ver bigs que desenvolvem um arremesso dos 3 pontos após vários anos de carreira, então afirmar que ele nunca arremessará em cenário algum seria um erro, mas seria bom ver ao menos algum sinal. Uma simples melhora nos lances livres já seria algo positivo. 

 

A conclusão é: Khalida Diop é um jogador de grande potencial e versatilidade defensiva com limitações ofensivas. Mostrar mais consistência no ataque e uma progressão contínua na defesa são fatores a se acompanhar. O arremesso pode ser um game changer.

 

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