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A importância de Mutombo, Olajuwon e Manute Bol para a comunidade

Foto: Divulgação / Dikembe Mutombo Foundation

Durante os anos 80 e 90, esses três nomes chamaram atenção na maior liga de basquete do mundo: Dikembe Mutombo, Hakeem Olajuwon e Manute Bol. Em comum, três filhos do continente africano que, além do sucesso dentro de quadra, plantaram sementes – não somente esportivas-, para o continente. O efeito transcendeu o jogo, criando oportunidades de vida.
Dikembe Mutombo, por exemplo, sonhava em ser médico. Começou a investir em sua carreira dentro das quadras aos 16 anos, mas nunca se esqueceu da necessidade de fazer mais pela comunidade. E bom, seu maior apoio filantrópico hoje é na área da saúde, graças à construção do Hospital Biamba Marie Mutombo, que carrega o nome de sua mãe. Inaugurado em 2007, foram investidos US$ 29 milhões com objetivo de fornecer atendimento à população, através de check ups, serviços de emergência, cirurgias, maternidade e internações. Além do hospital de pronto atendimento para a população de Kinshasa, sua cidade natal, seus esforços em prol da saúde pública não se limitam à capital da República Democrática do Congo, envolvendo-se também na luta contra o ebola, que assombra o leste do país. E Mutombo ainda é ativo em atividades filantrópicas em Angola.
Hakeem Olajuwon atua através da Dream Foundation, localizada na Jordânia e que desde 2012 tem como objetivo dar assistência à comunidade local. A organização auxilia principalmente jovens, oferecendo alimentação às famílias e associações cadastradas, fornece bolsas de estudos para universitários e cria projetos sustentáveis que geram empregos à população. Ainda há um braço da instituição que viabiliza atividades esportivas voltadas para a base.

Hakeem, que escolheu a Jordânia para apoiar e viver, devido aos seus estudos islâmicos, tenta retribuir ao país toda sua aprendizagem. Sua construção de valores vem de um núcleo familiar firme desde aos 17 anos, quando entrou em um torneio de basquete pela primeira vez e, logo depois, migrou para os EUA. Nascido e criado em Lagos, na Nigéria, Olajuwon viveu e sabe das dificuldades sobre falta de oportunidades, e por isso não hesitou em contribuir quando pôde dar voz a sua representatividade.
A guerra civil no Sudão foi um cenário presente na vida de Manute Bol, que, quando viu a oportunidade de jogar basquete universitário nos EUA e se qualificar para o draft, não pestanejou. Bol foi selecionado em 1985 pelo Washington Bullets (atual Wizards), e chegou a jogar por mais três times. Suas principais habilidades eram defensivas, e não somente dentro de quadra.
Como um ativista político em seu país, Bol usou o dinheiro obtido na NBA para primeiramente tirar sua irmã de lá, devido aos intensos conflitos. Infelizmente, Manute Bol faleceu em 2010, e em condições precárias até para conseguir ser enterrado em seu país. Isso aconteceu porque ele investiu tudo o que tinha para ajudar os sudaneses, devido às guerras civis. Auxiliou também a financiar a independência do Sudão do Sul, contribuindo com US$3,5 milhões. Ele também foi em todas as aldeias e comunidades da região para convencer os nativos da mudança política, mesmo que sua condição de saúde não fosse a melhor.
Infelizmente Salva Kiir, presidente desde 2011 do Sudão do Sul, instalou uma ditadura e as guerras não cessaram no local. E obviamente, numa situação assim, a comunidade necessita de todos os cuidados básicos. Mas graças à semente que foi plantada pelo atleta, jogadores como Luol Deng, por exemplo, que aprendeu a jogar basquete no Egito quando ainda era refugiado, assim como Bol, puderam abrir portas para outros sudaneses. Através de sua fundação, Deng contribuí para que jogadores como Wenyel Gabriel e o próprio Bol Bol, filho de Manute, pudessem jogar basquete e chegar na NBA.

Foto: Luol Deng / NBA

Representativos e pioneiros, esses três jogadores usaram de sua relevância além do esporte para mudar ou criar oportunidades de vida, seja dentro de quadra ou não. E isso é um exemplo de luta pela comunidade que o esporte proporciona. Claro, todos foram exceção na realidade que viveram, e não medem ou mediram esforços para suas carreiras refletissem em algo maior. Vivemos um momento em que banalizamos o termo “militância”, que é lutar por algo. Talvez esses exemplos ajudem a significar realmente o sentido de militar por uma causa – ser maior do que podemos tocar.

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