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Surpresas e decepções do início da temporada 2020/2021 da NBA

A NBA iniciou a temporada 2020/2021 ainda em meio aos efeitos da pandemia COVID-19.   O  tempo entre as finais na bolha da Disney e o começo dos jogos foi  curto (menos de 45 dias) e os diversos protocolos de segurança continuam, inclusive no tocante ao acesso reduzido dos fãs às arenas.  O momento crítico ainda é um fator a se considerar na avaliação deste começo de NBA, mas ótimas surpresas –  e algumas decepções – tornaram a abertura da temporada empolgante. Aqui vão alguns deles.

 

DECEPÇÃO – TIMES

Toronto Raptors

Provavelmente a maior decepção deste início de NBA. Não faltam talentos, mas os Raptors amargam o penúltimo da Conferência Leste (só venceu os Knicks). A boa defesa não é suficiente para compensar os problemas no ataque.  O time de Nick Nurse reluta em engrenar (mesmo com boas atuações de VanVleet) e tudo indica que o fator emocional deve estar pesando.  O time está em Tampa, na Flórida, bem longe da cidade base no Canadá. O clima no vestiário não é dos melhores. Pascal Siakam chegou a ser suspenso por indisciplina e ele é peça fundamental para a equipe voltar a vencer. A continuar assim, a melhor colocação que vai conseguir é para a pick do próximo draft.

Brooklyn Nets

A expectativa era grande e os primeiros jogos dos Nets pareciam indicar o campeão do Leste. Mas a onda não durou muito. Perderam para Charlotte Hornets e Memphis Grizzlies, pior time do Oeste, e tropeços como esses colocaram o time no embaraçoso 8º lugar. O treinador Steve Nash pediu calma, afinal, a temporada está apenas começando e o time ainda busca seu estilo de jogo. O ataque eficiente (4º melhor da liga) não compensa os problemas na defesa, que cede muitos pontos aos adversários. Na derrota para o Wizards, por exemplo, foram 13 rebotes ofensivos perdidos.  Nash (e a torcida) espera que uma melhora no entrosamento nas próximas semanas se reflita nos resultados e recoloque o time bem longe de uma disputa de play-in.

Miami Heat

O vice-campeão da última temporada está muito longe do desempenho surpreendente da bolha. Já acumula 4 derrotas (10º lugar na Conferência Leste) e tem um dos piores ataques da Liga (24°).

A decepção é compartilhada pela maior estrela do time: Jimmy Butler. Após a derrota para o Boston Celtics, chamou a atenção dos colegas de equipe: ninguém está jogando no mesmo ritmo da temporada passada. Chega de corpo mole. É hora de jogar duro. A instabilidade na defesa, vide o time ter o maior número de turnovers da liga, precisa ser resolvida para que o Miami siga rumo aos playoffs.Talvez o pouco tempo entre as finais e o início da temporada tenha prejudicado o ritmo neste início de temporada, mas ainda é possível recuperar.

DECEPÇÃO – JOGADORES

 Kelly Oubre Jr.

Com a contusão de Klay Thompson, a expectativa era de que Oubre Jr iria compensar (um pouco) a ausência do ala-armador. Parece ter sido uma ilusão. Na 1ª temporada pelo Golden State Warriors, as médias de Kelly Oubre têm sido muito abaixo do esperado: de 10.9 pts, 0,7 ast e 5,7 reb. Quando jogava pelo Phoenix Suns tinha performance melhor, chegando até uma porcentagem de acertos de bola de 3 na casa de 35,2%. Agora tem sido de 16,7%. Chegou a ter 0 acertos em 17 tentativas no início da temporada! Essa com certeza não era a expectativa do GSW. Certo que na defesa ele tem atuado bem, mas, se não reaprender a pontuar, pode comprometer o futuro do time rumo aos playoffs. Mesmo a boa recuperação de Steph Curry de lesão (conseguiu o incrível recorde de 62 pts em um jogo), não dá para concentrar tudo nele. Oubre precisa acordar.

Luka Doncic

Antes do começo da temporada, era a principal aposta para MVP, fosse por indicação de analistas de basquete ou pelas casas de apostas de Las Vegas, mas o começo da temporada decepcionou com atuações abaixo da média. Visivelmente fora de forma, Doncic está melhorando, mas esse começo ruim pode ser um problema se ele ainda sonha em ser o MVP da temporada. Os Mavericks também sentiram o impacto do início ruim de Luka: hoje estão fora dos 8 primeiros no Oeste, atrás do surpreendente Sacramento Kings.

 

SURPRESAS – TIMES

Philadelphia 76ers

O fracasso da última temporada, quando foram varridos dos playoffs pelo Boston Celtics, é coisa do passado. Líder da Conferência Leste,  acumula 7 vitórias e 3 derrotas. No banco, a maior novidade: Doc Rivers. O treinador parece ter deixado o fracasso com o Los Angeles Clippers para trás e vem construindo uma nova cultura para para o Philadelphia: defesa sólida e rotação no ataque. Isso mudou o desempenho do trio Ben Simmons, Joel Embiid e Tobias Harris. Harris evoluiu na parte defensiva e foi eleito o jogador da semana 3. Embiid trocou o ar apático da última temporada por uma postura (e números) que podem lhe render o prêmio de MVP (já é o favorito). Ben Simmons tem  sido incentivado por Doc a criar jogadas, com mais liberdade, em vez de apostar tudo em arremessos de 3. Destaque também para as atuações de Seth Curry e Danny Green.  Do banco, Dwight Howard se coloca como líder para os mais jovens. O entusiasmo com o desempenho é inegável e os torcedores já sonham com o 76ers como um “contender” ao título da NBA em 2021.

Indiana Pacers

Outra boa surpresa da temporada tem sido o Indiana Pacers. O time ocupa a 3ª posição na Conferência Leste e 5º na classificação geral. Já são 6 vitórias em 9 jogos. A melhora na defesa (já é a 6ª mais eficiente) contribuiu para esse rendimento e o time parece ter resolvido a queda de rendimento no 4ºQ, que poderia levar  a derrotas desnecessárias. Já o trio Domantas Sabonis,  Malcolm Brogdon e Victor Oladipo têm feito jogos para mais de 20 pts cada. Destaque para Brogdon, que mantém a evolução da última temporada e chegou, na vitória sobre o Houston Rockets, a marca mais alta da carreira: 35pts.

New York Knicks

Quem imaginava um começo de temporada tão auspicioso para os Knicks? Já são 5 vitórias e o 6º lugar na classificação do Leste e 12º no geral. Boas atuações contra Indiana Pacers e Atlanta Hawks parecem ter empolgado o time de Tom Thibodeau. Os ajustes na defesa são nítidos e no ataque conta com boas atuações de RJ Barrett e principalmente Austin Rivers. Seguro em quadra, o filho de Doc tem se destacado no ataque, em especial nas bolas de 3.  Mas a estrela tem sido Julius Randle. Líder das principais estatísticas, faz a melhor temporada da carreira. Há 4 jogos tem médias para duplo-duplo (23.1 pts e 12 reb). Esse é o melhor desempenho de um jogador do Knicks desde a era Patrick Ewing. Quem sabe isso não seja um indicativo de retorno dos Knicks aos playoffs?

Phoenix Suns

É o líder da Conferência Oeste, à frente do campeão Lakers. Pelas contratações que fez na agência livre já era esperado que time viesse em uma boa colocação, mas os efeitos da chegada de Chris Paul, Jae Crowder e Dario Saric colocaram o Phoenix Suns em outro patamar. A aposta na combinação da experiência de Paul com o poder ofensivo de Devin Booker se mostrou efetiva. Com a 6ª melhor defesa e o 9º melhor ataque, os playoffs devem ser uma realidade para os Suns.

Cleveland Cavaliers

Teve um começo surpreendente com 3 vitórias seguidas, incluindo o Philadelphia 76ers.  Em Power-rankings de pré-temporada, como o da ESPN, apareceram na 29ª posição. Na temporada passada tiveram a pior defesa e nesta estão entre as 5 melhores (3ª melhor). Vai precisar de ajustes para se manter, principalmente no ataque (são apenas o 29º melhor da liga). O fato é que muito desse bom começo deve ser creditado às jovens estrelas como Collin Sexton, mas as lesões têm atrapalhado e podem dificultar o ritmo de jogo. Retornar aos playoffs não vai ser fácil.

 Orlando Magic

Outro time que para analistas não teria muito sucesso, mas surpreendeu ao vencer 5 dos 7 primeiros jogos, entusiasmando torcedores e dirigentes. Hoje tem uma das melhores defesas deste início de temporada, com pouco desperdício de bola. Nikola Vucevic é o nome deste começo. Continua em alto nível e melhorou o arremesso de 3.  A pedra no caminho são as contusões. Infelizmente, a lamentável contusão no joelho de Markelle Fultz para o resto da temporada pode comprometer uma campanha que vem sendo promissora.

 

SURPRESAS – JOGADORES

 Collin Sexton (Cleveland Cavaliers)

O armador tem sido um dos destaques do Cleveland. A pontuação alta (média de 26) ajudou Sexton a igualar a marca histórica de LeBron James na franquia: é o 2º jogador a anotar, no mínimo, 20 pts nos 6 primeiros jogos do time. Não foi a primeira vez. Além de se mostrar um pontuador nato, não tem medo de chamar a responsabilidade do jogo para si. Por exemplo, na vitória sobre o Atlanta Hawks, na casa do adversário, Sexton foi decisivo no último período, marcando 13 pts. A continuar com essas atuações, Collin poderia almejar oprêmio de Most Improved Player (MIP) ou o jogador que mais evoluiu, mas ainda precisa de um Cavs mais regular na temporada. Um detalhe sobre a história de Sexton. Ele poderia ser um Celtic hoje se o time não tivesse repassado a pick n. 8 do draft de 2018 para o Cavs em troca por Kyrie Irving.

Brandon Ingram (New Orleans Pelicans)

O “cara” da franquia New Orleans Pelicans neste início de temporada deveria ser Zion Williamson, mas, esse posto também tem sido ocupado por outro jogador: Brandon Ingram. Ele vem liderando o time, principalmente na reta final das partidas, a vitórias importantes. O MIP da última temporada já teve sua atuação reconhecida: foi eleito, ao lado de Domanta Sabonis, o jogador da semana pela NBA, dezembro.

Ingram já afirmou não ter medo de resolver as partidas e que os companheiros podem confiar nele no clutch time. O Pelicans ocupa hoje a 5º colocação do Oeste e Ingram caminha para uma boa posição entre os possíveis MVPs da temporada.

Jaylen Brown (Boston Celtics)

A estrela da franquia é Jayson Tatum, mas a sensação celta deste começo de NBA é Jaylen Brown. Cestinha do time, média de 27.5, o desempenho de Brown é fruto de uma evolução constante a cada temporada. Na bolha, já havia feito bons jogos, principalmente depois da contusão de Gordon Hayward, agora alia boa performance na defesa com um ataque letal. O nome de Jaylen já surge nas conversas para MVP, sinal claro de que tem saído da sombra de Tatum. Também chama a atenção fora das quadras: foi elogiado por suas duras críticas à invasão do Capitólio, em Washington.

 

 

Texto: Patrícia Rodrigues

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