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Keon Johnson, possível escolha Top 5 e um caso interessante de Player Development

Keon Johnson é um dos melhores e mais interessantes prospectos da classe. No RSCI (Recruiting Services Consensus Index) era o 23º colocado entrando na temporada, essa posição era claramente absurda para o jogador que Keon era já antes da temporada e isso ficou claro já nos poucos jogos que Tennessee jogou.

Primeiro vamos falar da sua defesa inacreditável. Keon é um prospecto defensivo tão bom quanto um guard de 6’5 pode ser. Agilidade lateral absurda, excelente trabalho de pés, aceleração e desaceleração, força física para conter todos os guards e até wings, boa habilidade para atacar a batida de bola do adversário e intensidade e um motor muito alto. Fora da bola ele não perde nem um pouco da força, seu principal foco geralmente é seu homem, em diversas posses ele simplesmente o tira da jogada da jogada, não permitindo nenhuma oportunidade para que a bola seja passada para o oponente, mas ainda existem momentos de ajuda muito impressionantes em que ele se desloca rapidamente para uma rotação e consegue impedir um passe, roubar uma bola ou ajudar na proteção de aro. O armador é um defensor de elite em praticamente todos os aspectos, isso sendo apenas um freshman. É interessante ressaltar que embora possua boa altura e ótima envergadura para a posição, existe um limite para o nível que um jogador de 6’5 pode atingir defensivamente, um bom exemplo disso é que nos últimos 20 anos não tivemos nenhum defensor do ano com menos de 6’6, mesmo assim ele é um prospecto na defesa tão bom quanto se pode ser dadas as circunstâncias. Algumas estatísticas muito impressionantes são: 5.9% Blk%, 5.5% Stl% e 7.1 Defensive BPM, que é o 3º maior da NCAA, a amostra é limitada, mas são números maravilhosos. 

 

 

Uma posse inteira soberana de Keon na defesa que acaba com um roubo de bola.

 

 

 

Agora vamos falar sobre a parte ofensiva. As médias simples não encantam, 8.4 pontos por partida e 2.6 assistências. Porém lembremos que essa foi apenas uma amostra de 5 jogos, ele saiu do banco em todas as partidas e não passou dos 25 minutos em nenhuma delas, mas o mais interessante, em cada uma das partidas é possível ver uma pequena evolução ofensiva da sua parte, se tornando mais confortável com sua função, entendendo mais como jogar no ataque de maneira geral e considerando que a gigantesca maioria dos jogos ainda estão por vir, sua continuidade é uma das principais coisas a se observar durante a temporada universitária.

A palavra “cru” é muito boa para defini-lo, “cru” é um termo muito usado para descrever jogadores que não são habilidosos mas tem boas ferramentas físicas, e esse é o caso para ele, mas nesse grupo de “crus” entram tanto os que tem a ausência de skills e os que só não os desenvolveram ainda, e Keon se encaixa no segundo e não no primeiro grupo.

Como ele consegue gerar a maior parte do seu ataque? Simples, com seu atletismo e seu QI.

Ele tem um excelente reconhecimento de aberturas e espaços na quadra então consegue executar cortes com ou sem bola que levam a oportunidades ao redor do aro fáceis e com contestação leve, destrinchando esse tipo de jogada, ele consegue processar a quadra mais rápido que os demais jogadores e com explosão e velocidade chega onde quer QI + atletismo. Transição também é o paraíso para o armador, vamos lembrar sobre sua defesa intensa que leva a muitos roubos e gera turnovers do adversário, com isso, ele simplesmente tem que ativar sua velocidade e sua impulsão de elite e boom, um highlight para o SportsCenter, mais uma vez, inteligência na defesa e físico para o contra-ataque – QI + Atletismo. Uma outra maneira que pode não ser a mais bonita, mas é uma das mais eficientes, indo para a linha de lances livres, com os cortes agressivos e até um desejo pelo contato físico, acaba conseguindo cavar muitas faltas e então pontos fáceis.  

 

 Este é um bom exemplo de como a defesa cria oportunidades de ataque para Keon

 

 

 

Mas agora vamos para o que seriam as fraquezas do seu jogo.

Primeiro o playmaking, não é preciso ser nenhum especialista para perceber que Keon Johnson não é o playmaker mais natural do mundo. Ele não tem muita manipulação, não faz leituras muito complexas e não tem grande antecipação, é claramente um passador muito mais reativo do que proativo. Mas o que isso realmente significa? Que ele não será um criador primário. E isso é ruim? Claro,mas existem muito menos criadores primários nas classes do que se projetam todos os anos no processo pré-draft, simplesmente não existem tantos jogadores que preenchem bem essa função, cada Draft geralmente só tem um jogador deste tipo, então não é o fim do mundo.  

 

Apesar de não ser um Playmaker avançado, passes como esses são extremamente positivos

 

 

E o segundo problema é o arremesso, ele nunca foi consistente no High School e não tem sido no College também, mas a mecânica é boa apesar de poder ficar um pouco mais rápida e há uma visível progressão e ganho de confiança na área, o que é ótimo.

Após entendermos como joga Keon Johnson, vamos para projeções futuras e o que penso dele como prospecto.

Esse tipo de prospecto que capitaliza muito bem na NCAA com QI e atletismo superior ofensivamente e domina na defesa numa idade tão baixa me agrada, com a curva de desenvolvimento que ele apresenta então, eu estou totalmente a bordo do trem chamado Keon Johsnon.

E eu gostaria de expandir mais sobre o que é uma curva de desenvolvimento ou uma curva de evolução. A famosa “ética de trabalho” é um dos termos mais falados na liga,a falta dela impede jogadores talentosos de se tornarem estrelas e cria Hall of Famers ao mesmo tempo. E é muito fácil achar entrevistas e citações de companheiros de time, analistas e técnicos elogiando a ética de trabalho de prospectos, mas sabe o que realmente prova de forma indiscutível a dedicação e o trabalho para evoluir o jogo de alguém? Evolução ocorrer, você ver um jogador ir do ponto D em uma área para o ponto C, para o ponto B e para o ponto A.

E Keon é um destes casos, a evolução é clara através dos anos. Por isso, não me preocupo muito com seus defeitos atuais. Não creio que no final do contrato de rookie olharemos para seu arremesso e o apontaremos como um fraqueza, nunca será de alto volume e alta eficiência, mas deve estar na média da liga. Quanto ao playmaking, já disse que as chances de ele se tornar um primário são remotas, mas com as melhoras que ele mostra e com sua inteligência, as chances de ele se tornar um ótimo secundário no seu auge são altas. Uma linha interessante que eu quero apontar aqui também é que muitas vezes vemos grandes playmaker ofensivos com ótima visão de jogo e por mais que ainda não apresentem muito na defesa, pensamos que essa compreensão do jogo pode se traduzir eventualmente para a defesa, o que  algumas vezes acontece, o prodígio de Tennessee pode fazer a rota inversa, sua antecipação e percepção como playmaker defensivo podem se transferir para o lado ofensivo futuramente.

Por fim, vamos explorar seus cenários ideias de evolução e maximização.

Já acredito que como um rookie Johnson irá ocupar uma função na rotação do time que selecioná-lo. Isso principalmente pela sua defesa de alto padrão. O jeito mais fácil de conseguir uma vaga na rotação de um time é basicamente defendendo bem e tomando boas decisões no ataque, por mais que ele tenha seus problemas com turnovers, eles ocorrem bem mais por descuidos e uma função de criação muito estendida do que uma falta de entendimento por parte de Johsnon, por isso não contaria como uma preocupação quanto a tomada de decisão.

Em termos do team building ideal, os quatro jogadores ao seu lado que extraírem o máximo dele e de si mesmos na quadra: um “Jumbo Creator” (Doncic, Jokic, LeBron etc.)  com bons arremessadores ao redor. Nessa situação ele poderia cobrir o melhor jogador de perímetro adversário na defesa, ser um apoio de criação para o criador principal mas ao mesmo tempo não precisando da bola para ser efetivo, podendo fora da bola ser um cutter, lob threat, sendo colocado em Guard-Guard ou Guard-Wing PnRs tanto como o handler quanto como o screener e arremessando spot-ups pelos grandes desequilíbrios que os criadores costumam criar na defesa.

Para acabar, uma dica: acompanhem Keon Johnson e Tennessee esta temporada, não só por ser uma das mais divertidas e melhores equipes do país, mas por ter um dos casos prospectos mais interessantes em Keon e duas outras possíveis escolhas de 1ª rodada excelentes, Jaden Springer e Yves Pons.

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