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Apostas para 20-21: Blake Griffin como peça fundamental…longe de Detroit

FOTO: Duane Burleson/AP

Vem aí a segunda temporada seguida completamente fora do padrão na NBA. Fazer previsões normalmente já é difícil e nesse cenário é mais arriscado ainda. Nos últimos dias antes da abertura da temporada 2020-2021, o Blog do Souza traz as apostas para o ano. A ideia não é necessariamente acertar o que vai acontecer nos próximos meses, mas sim apontar times, jogadores e situações que vale a pena ficar de olho. Mas é claro que se a gente cravar alguma coisa, vamos querer o crédito.

Duas temporadas atrás, na trade deadline, Toronto foi atrás de Marc Gasol. Ofensivamente, a contribuição dele não foi grandes coisas, mas o pivô espanhol foi peça importante na contenção a Joel Embiid, nas semifinais do Leste, na caminhada do Raptors rumo ao título inédito da NBA. O que Gasol fez foi uma versão em menor escala do que Rasheed Wallace conseguiu por Detroit em 2004, quando a chegada do ala-pivô falastrão foi a jogada final que trouxe o que o Pistons precisava dos dois lados da quadra para ser campeão. Agora, em 2020-21, minha aposta é de que a franquia de Michigan novamente vai estar envolvida numa troca importante na deadline, mas dessa vez o movimento vai ser de saída.

Blake Griffin, aos 31 anos, tem seis All-Star Games no currículo, além de cinco prêmios All-NBA (três vezes no segundo time e duas no terceiro). Porém, o acúmulo de lesões e o contrato gigante fazem dele uma estrela ligeiramente esquecida na atualidade. A combinação de talento com valor – não preço – em baixa pode ser uma boa para diversos contenders.

É praticamente consenso na liga que Griffin sofreu uma das transformações mais interessantes da história recente. Ele saiu de ser um jogador que fazia isso com frequência…

…para um cara que aparece bem menos, geralmente em jogadas espertas como essa:

Se fosse na pelada, diríamos que Griffin saiu de ser o cara que chegava sempre para humilhar quem viesse pela frente e agora é o cara que parece estar gastando o mínimo de energia e aparecendo porque faz sempre a jogada certa. Hoje, é bem mais provável vê-lo armando a jogada ou indo para o drible em câmera lenta antes de arremessar de média e longa distância do que subindo para a enterrada.

Isso aconteceu muito porque Griffin é inteligente, mas também porque o corpo o limita muito. Foram várias lesões ao longo da carreira, muitas delas no joelho. A primeira o deixou de fora de toda a temporada de rookie e a última o fez ser praticamente um espectador da temporada 2019-2020. 

Com isso, Griffin tem um corpo castigado pelas cicatrizes, mas não pelas milhas. Na carreira, tem 622 partidas disputadas em temporadas regulares. James Harden, que é do mesmo draft que ele e um exemplo de durabilidade, tem 833. É como se o Barba tivesse passado quase três temporadas a mais que Griffin na liga, mesmo com os dois entrando juntos na NBA.

A aposta é que, com a dose certa de sorte – e de load management – Griffin volte a ser o que vimos em 2018-19, quando foi votado para o terceiro time da NBA e carregou um time capenga do Pistons para os playoffs, aonde, por sinal, chegou baleado e quase não jogou. Naquele ano, Griffin foi o 12º cestinha da liga, com 24.5 pontos por jogo (a maior média da carreira) e também o principal assistente de Detroit, com 5.4 por jogo (talvez isso diga mais sobre o Pistons do que sobre ele, mas ok).

O contrato de Blake Griffin não é fácil de ser trocado, é verdade. Não é qualquer time que consegue achar espaço para 36 milhões de doletas nesta temporada e mais 38 na seguinte. Mas um Griffin saudável, sendo um dos melhores jogadores da liga, não faz sentido num time perdedor como Detroit deve ser. Em reconstrução, o Pistons deve aceitar um outro contrato ruim e grande junto a escolhas de draft e/ou um jovem minimamente promissor em troca. (Ou um pivô, para aumentar a coleção).

Em uma negociação direta ou com a inclusão de um terceiro time, não parece algo tão complicado para alguns dos times da lista de contenders que querem subir uma prateleira para desafiar o Lakers. Griffin se encaixa em praticamente qualquer time sem maiores problemas. Seria uma terceira estrela quase perfeita. Um jogador para quem você pode entregar a bola que ele vai saber o que fazer e que, mesmo que não seja mais um exemplo de atleticismo, pode encontrar a cesta com inteligência e bom trabalho de pés e fintas. Ele poderia ser uma espécie de Kevin Love quando chegou no Cavs (em outro momento da carreira, claro). Tem capacidade para ser o franchise player, mas em um papel menor pode ser uma peça diferencial para uma disputa realmente importante. 

Griffin tem mostrado comportamento exemplar nos anos de Detroit, sendo boa influência no vestiário e para os jovens enquanto vê a carreira estagnar num time que não oferece nenhuma chance de vitória. Ele também mostrou saber se adaptar e aprender novas habilidades ao longo da carreira. Só não aprendeu direito a falar espanhol.

O contrato é ruim? É. Mas duas temporadas é tempo grande o suficiente para se testar a viabilidade e tempo curto o suficiente para se abortar o plano sem maiores danos ao futuro da equipe que o pegar. Na dança das cadeiras que é a NBA, nunca se sabe de onde vai surgir a próxima brecha, mas o talento de Griffin pode ser o suficiente para fazer vários times aproveitarem o descuido dos outros e sentar na cadeira de campeão no final da temporada. Eu aposto.

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Igor Santos Ver tudo

Formado em Jornalismo pela UFRJ, tenho passagens pelo Jornal dos Sports e por O Globo. Desde 2013 estou na TV Brasil, onde sou repórter e apresentador do programa Stadium. Também escrevo umas palavrinhas sobre basquete pra Agência Brasil desde 2019.

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