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A selvageria de Larry Bird

Sim, Larry Joe Bird é, novamente, o assunto do dia. No último post, achei que não ficou bem claro quão selvagem Bird era. Então resolvi voltar e contar algumas histórias envolvendo o maior ala da história do basquetebol. 

Senta que lá vem história do tio Rubens. 

Ben Poquette

“Uma coisa que sempre me irritou foi quando um branco me marcava”, Bird contou em diversas ocasiões. “Nunca me importei com quem me marcava, só não coloca um cara branco. É uma falta de respeito com o meu jogo”.

Entra em cena Ben Poquette. Ele não era alguém extremamente ruim. Um jogador extremamente ruim não ficaria 11 anos na NBA. Ele tinha sua serventia. Mas, caiu para marcar Bird na noite errada. 

Acontece que o Chicago Bulls perdeu os ingressos de Bird para o jogo entre as equipes. O que já deixou o ala do Boston Celtics irritado. Antes do jogo, Bird encontrou Doug Collins, então treinador dos Bulls, e perguntou qual o recorde de pontos do Chicago Stadium. Esse era um costume de Bird, perguntar o recorde de pontos de um local. E, nessa noite, estava irritado. 

Ainda por cima, Poquette era branco. 

Bird olhou para “Ben Poquette!? Tá me sacaneando!?” e, no intervalo, já tinha 33 pontos. Sem precisar fazer mais danos, terminou com 41. 

Eu já fiz um estrago suficiente

Não foi a única vez que Bird ficou de ir atrás de alguma marca por ser desnecessário. E, dessa vez, a vítima foi o Utah Jazz no dia 18 de Fevereiro de 1985. 

Bird teve um triplo duplo, 30 pontos, 12 rebotes e 10 assistências, em três quartos, e precisava de uma roubada de bola para o raro quádruplo duplo. Acontece, que os Celtics já tinham a vitória nas mãos, 90 a 66 no final do terceiro quarto (venceram a partida por 110 a 94).

Depois do jogo, um repórter perguntou se Larry não quis retornar para a quadra para tentar roubar mais uma bola. “Pra quê? Já fiz um estrago suficiente neles”.

Bird vs Reggie

Essa Reggie Miller contou na sua autobiografia I Love Being the Enemy.

Em uma partida na primeira temporada de Miller na NBA ele tentou distrair Bird na linha do lance-livre.  Larry encarou ele e converteu o primeiro. “Novato, eu sou o melhor arremessador da [censurado] dessa liga. Dessa liga, entendeu? E você está aqui querendo falar [censurado]?”, disse Bird. E converteu o segundo lance-livre. 

42-6

Vocês já devem ter visto a foto acima. Pelo que se fala, a briga entre Dr. J e Bird começou porque Larry estava lembrando a outra lenda da NBA da pontuação dos dois em uma fácil vitória dos Celtics. 

Até o momento que Bird teria falado “42 a 6”, e Dr. J perdeu a paciência. 

O jogo da mão esquerda

Eu ia deixar para o final, mas essa história é boa demais pra não contar. É algo que lembro toda hora, para não deixar ninguém esquecer o quão bom Larry Legend foi. 

Os Celtics haviam vencido todas as partidas e o Portland Trail Blazers esperava no dia de São Valentim. Bird estava entediado. A coisa tava fácil demais. 

Na noite anterior ao jogo, ele falou para seus companheiros, “amanhã vou jogar com a mão esquerda. Pelo menos três quartos”.

O resultado foi 47 pontos, 14 rebotes, 11 assistências e a vitória. 

“Estou guardando minha mão direita para os Lakers”, ele disse ao Boston Globe depois do jogo. 

Rodman e Grant

Dennis Rodman e Horace Grant foram dois dos maiores defensores da história da NBA. E nenhum dos dois tinha chances com Bird. 

Rodman, então no Detroit Pistons, lembra de uma partida em particular. “Eu estava grudado nele, tentando negar o passe para ele, e ele gritando ‘estou livre! Passa logo antes que eles notem!’ então ele colocava o cotovelo no meu queixo e o arremesso na cesta. Aí começava a falar com meu treinador (Chuck Daly, outra lenda), ‘é melhor tirar esse cara e colocar alguém que me marque, porque é fácil demais estando livre assim'”.

Já Grant, ainda nos Bulls, caiu no erro de falar de volta. “Falava, ‘você não vai pontuar, não vai ir para a cesta’, aí ele me dizia exatamente o que iria fazer. Dizia que iria me fintar para a esquerda e chutar um gancho com a direita. E fazia exatamente isso”.

Entenderam?

Em uma noite em Dallas, em 1988, Bird entregou a jogada inteira para o banco do Mavericks. “Entenderam?”, perguntou aos jogadores do banco. “Vou ficar parado aqui, não vou me mover. Vou receber a bola e o próximo som que vocês vão ouvir é o da bola no fundo da redinha”.

Bird piscou para o banco adversário depois de fazer exatamente isso. Ou o mais perto possível.

Feliz p**** de Natal

Antes de um jogo contra os Celtics no Natal, Chuck Person, que tinha o apelido de Rifleman (homem rifle), disse que estava indo “caçar passarinhos (Bird em inglês)”. 

Quando Bird ficou sabendo disso, afirmou ter um presente para o falastrão ala do Indiana Pacers. E tinha mesmo. Depois de arremessar uma bola de 3 pontos, Bird se virou para Person e, com a bola ainda no ar, falou “Feliz p**** de Natal”, antes dela cair. 

Quem vai ser o segundo?

Bird chegou no vestiário, olhou para seus adversários no torneio de 3 pontos do Final de Semana das Estrelas e perguntou, “quem está arremessando para o segundo lugar?”

Bird nem tirou a camisa de aquecimento. Converteu a última bola, levantou o dedo indicador da mão direita e foi receber seu prêmio. 

No ano seguinte, Dale Ellis comentou que Bird estava quieto dessa vez. “Não tenho motivos para falar”, disse Bird, “todo mundo sabe quem vai vencer”.

Em 1990, Craig Hodges venceu e, perguntado se a ausência de Bird manchava seu título respondeu, “ele sabe onde me encontrar”.

“Sim, no final do banco dos Bulls”, foi a resposta de Larry. 

Do colo do treinador

Doc Rivers, armador do Atlanta Hawks na noite que Bird converteu 60 pontos, conta a história para a NBA.

“Bird entrou na zona e começou a avisar os arremessos. ‘De tabela’, ‘quem é o próximo?’, ‘onde querem esse?’, no último arremesso, ele disse, ‘do colo do treinador’, o que queria dizer um arremesso dos 3 pontos de longe”.

“Indo para o ataque ele perguntou ‘quem quer?’ Então o Reggie Brown, não sei ao certo quem foi, corre até ele e, acidentalmente, derruba no colo do treinador. Então foi exatamente o que ele disse. Foi um acidente, mas foi quase destino. Eles mostram nosso banco e Cliff Livingston e Eddie Johnson estão comemorando, foi demais”.

“Aquela noite não foi demais. Mike Fratelli chamou uma reunião de time. Ele coloca a fita e fala, ‘uma coisa é ficar impressionado, outra é celebrar’, e ele fica repetindo o momento”.

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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