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Shawn Kemp lembra a primeira exposição ao Larry Legend

Quando quem não acompanhou pensa em Larry Bird pensa em um caipira lento com um bom arremesso. Nada além disso. Não que não tenham razão. Bird nasceu em Indiana, o berço do basquete. Estado rural. Cidade pequena. Não é à toa que um de seus apelidos, traduzido, fica assim como O Caipira de French Lick. 

O que os novinhos não sabem é que Bird falava. Junto com Michael Jordan e Gary Payton, ele era um dos maiores faladores da NBA. O velho trash talk, aquela coisa de pegar no pé do adversário para tirar a concentração dele. Aquele caipira com cara de nerd era um dos melhores, sério. 

E, em 1989, recém chegado na NBA, Shawn Kemp sentiu na pele o que era estar do lado errado das palavras de Larry Bird. 

Kemp lembrou no excelente podcast The Knuckleheads, de Quentin Richardson e Darius Miles, no Player’s Tribune.

“O grande Larry Bird. Sabe, eu sou de Indiana, ele é de Indiana, conheço a história do Larry. Mas não sabia como ele funciona”.

Serem do mesmo estado não ajudou Kemp. Entendam, Larry conhecia Shawn. Por serem do mesmo estado, o lendário jogador do Boston Celtics acompanhou a carreira do novato. 

Rapidamente Shawn viu como Bird funcionava. 

“Larry fez 50 pontos em três quartos. E falou o jogo inteiro. No bola ao alto já perguntou para mim, ‘Você é o cara que quebrou todos meus recordes no Ensino Médio, né?’, fiquei tipo, ‘é, sou eu’. E ele fala, ‘e você é que enterrava na cabeça do meu irmão Andy?’, respondi, ‘é, sou eu’. Ele disse, ‘tenho algo para você essa noite'”.

Na verdade, Bird não fez 50. O tri-campeão da NBA terminou a noite com 40 pontos, 11 rebotes e 10 assistências. 

Não foi por falta de aviso. Kemp tinha como companheiro Xavier McDaniel, que já havia sido vítima das palavras de Bird. 

Final de partida entre Celtics e o Seattle SuperSonics. A bola era dos Celtics, que precisavam da cesta para vencerem a partida. No pedido de tempo, Bird já avisou ao treinador “me dê a bola e mande todo mundo sair do caminho”.

Entrando em quadra, Bird viu X-Man chegando para marcá-lo na última bola do jogo. Bird olhou para McDaniel e decretou, “vou receber a bola bem aqui e converter o arremesso na sua cara”. Bird recebeu a bola, achou o local que havia apontado momentos antes e converteu o arremesso na cara de Xavier. 

Mas Bird ficou feliz com o resultado? Nada disso? Voltando para a defesa falou, “não queria ter deixado dois segundos no relógio”.

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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