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Walt Frazier: o melhor Jogo 7 na história da NBA

Não existem duas palavras mais emocionantes no esporte do que Jogo 7. A partida decisiva de uma série de playoffs, longa e árdua, quando é vencer ou voltar para casa. A sétima partida aconteceu, apenas, 19 vezes na história das Finais da NBA. E ninguém teve um jogo como Walt “Clyde” Frazier, armador do New York Knicks nas Finais de 1970.

A NBA era bem diferente nos anos 70. Uma década antes de Magic Johnson e Larry Bird alavancarem a liga para o topo do mundo esportivo americano, ela sofria um pouco. As Finais, por exemplo, eram em VT, não ao vivo. Nessas condições que os Knicks derrotaram o Los Angeles Lakers por 113 a 99, no Madison Square Garden, no dia 8 de Maio de 1970.

O dia começou tenso para os Knicks. Seu capitão, Willis Reed, estava fora de ação. O Capitão, como era chamado pelos companheiros, sofreu uma ruptura muscular na coxa direita no Jogo 5. Ele ficou de fora do Jogo 6, uma vitória tranquila dos Lakers, e parecia fora da partida decisiva também.

Enquanto os Knicks estavam sem seu líder, os Lakers vinham com força total. Jerry West, Wilt Chamberlain, Elgin Baylor e Dick Garrett estavam prontos para aproveitar a ausência do algoz Boston Celtics nas Finais e garantir mais um título.

Alan Hahn/MSG Networks

O primeiro momento de glória, e não poderia ficar fora dessa história, foi de Reed. Nem os companheiros esperavam que O Capitão jogasse. Durante o aquecimento, um burburinho começou na torcida. Torcedores abrindo como o Mar Vermelho, enquanto Reed caminhava para a quadra é um dos momento mais emocionantes da história da NBA. Somente uma injeção para a dor permitiu que Reed mancasse para a quadra.

“Eu vi todo o time dos Lakers parado, olhando para o cara”, disse Frazier depois do jogo. “Quando vi isso, que eles pararam de aquecer, algo me disse que a gente tinha eles nas mãos”.

Reed fez as duas primeiras cestas dos Knicks e parou Wilt no início do jogo. Ele não fez muito mais, mas já foi o suficiente para mudar os rumos da história.

Nas sombras do que chamam de Partida de Willis Reed, ficou o maior Jogo 7 da história da NBA. “Clyde” Frazier terminou a partida com 36 pontos, 19 assistências e sete rebotes. “Clyde” converteu ou deu assistência para 31 dos 46 arremessos de quadra, 74 dos 113 pontos convertidos pelos Knicks. 

Infelizmente, na época, NBA não anotava roubadas de bola, algo que Frazier era craque. Diga um jogador de perímetro e eu garanto que “Clyde” pararia ele. Kobe Bryant? Sim. LeBron James? Walt já estaria correndo com a bola para o contra-ataque. Michael Jordan? Aí fica difícil, mas “Clyde” tornaria difícil a vida de MJ em quadra, pelo menos. Já vi um especialista garantir que Walt teve cinco roubadas de bola nesse jogo, e somente dois turnovers. Walt afirma que foram quatro roubadas.

“Eles chamam de ‘Jogo do Willis Reed’ e eu digo que isso é [censurado]”, disse Frazier, em 2019, durante um evento da Puma, marca que forneceu tênis para o armador durante sua carreira. “Willis inspirou a gente, fez os primeiros arremessos, aí eu tomei conta. Tive 36 pontos, 19 assistências, peguei sete rebotes e vendi cachorro quente no intervalo”, brincou.

Clyde era metódico. Ele tinha os fundamentos do basquete tatuados em seu cérebro. Sabia a hora de correr e a hora de diminuir o ritmo. “Agora tenho que arranjar um arremesso de meia distância pro ‘Dollar’ Bill Bradley, bola no Dick Barnett nesse ataque. OK, vou bater para a cesta e converter 12 de 12 lances-livres no Jogo 7 das Finais da NBA”, parecia pensar.

Se “Clyde” precisasse de 40 pontos nesse jogo, ele teria. Dez rebotes, tá em casa, ou, ao menos, o rebote decisivo. Ele sabia a hora de pular o pick and roll adversário ou ajudar o companheiro. Frazier não deixaria os Knicks perderem esse jogo. 

Tudo isso, sem a liberdade que a NBA permite aos armadores. Sem a linha de 3 pontos para pontuar de longe. Sem regras que penalizam a defesa física. “Clyde” tinha que bater para cima de Wilt para ser efetivo, não um pivô leve que foge do contato.

“Clyde” era o cara. E ninguém conseguiria definir sua atuação como o próprio após a partida. “Willis providenciou a inspiração, eu providenciei a devastação”.

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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