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O NBA Jam assombrado

Em 1993 a Midway, empresa de jogos eletrônicos, lançou um dos melhores fliperamas (jovem, fliperama eram máquinas de game grandes, com um jogo só, que ficavam em uma galeria. No Brasil, a gente comprava fichinhas para jogá-los) já feitos, o NBA Jam. O jogo é no estilo arcade, ou seja, foge bastante do basquete que a gente conhece. Sem faltas, sem saída de bola pela lateral, com empurrões, enterradas estratosféricas, e jogadores “pegando fogo” em partidas de dois contra dois.

Com os elencos da temporada 1992-93, logo o NBA Jam virou um fenômeno. Shaquille O’Neal comprou duas máquinas, uma para sua casa, outra para levar nas viagens do seu time, então Orlando Magic. Michael Jordan e Gary Payton, fora da primeira leva e elencos, pediram para entrar nas próximas versões. Guarda aí essas informações, que mais tarde vou falar sobre elas.

Nos EUA, a máquina gerou mais de US$1 bilhão em moedas de 25 centavos (pausa para explicar: enquanto no Brasil se compra fichinhas, nos EUA se usam moedas de 25 centavos mesmo). Em 1994 a Amusement & Music Operators Association anunciou que o NBA Jam foi o fliperama que mais ganhou dinheiro na história.

Quem nasceu nos anos 90 lembra dos segredos do NBA Jam. Um dos rumores era de que, contra alguns times, as estatísticas de Scottie Pippen diminuíam. Isso era verdade, mas apenas contra o Detroit Pistons e o jogo estivesse com o placar apertado. Mark Turmell, desenvolvedor líder do jogo, era um grande fã dos Pistons e colocou um código que fazia o Chicago Bulls errar o último arremesso do jogo contra seu time favorito.

Personagens principais também eram muitos. Bill e Hillary Clinton, os Beastie Boys, Benny the Bull, o padrinho do funk George Clinton, o narrador Marv Albert, Will Smith e Jazzy Jeff eram alguns dos nomes conhecidos que eram liberados com um simples código na hora de colocar suas iniciais no jogo.

Já Shaq costumava alugar máquinas de NBA Jam para sua casa e viagens. Até que um dia resolveu comprar duas. Uma ficou na sua mansão em Orlando, a outra levavam para cima e para baixo no avião particular do Magic. Extravagante? Não para O’Neal. O pivô já alugou um parque aquático inteiro por algumas horas, para que ele e um amigo pudessem se divertir. Mas não para evitar fãs, só para evitar filas mesmo.

Payton e Jordan pediram para entrar no jogo. Inicialmente, Gary Payton não entrou na lista de dois jogadores do Seattle SuperSonics, a dupla foi Shawn Kemp, uma escolha óbvia, e Benoit Benjamin, por algum motivo. Um tempo após o lançamento, um representante de Payton ligou para a Midway e informou que o jogador estaria disposto a pagar o que fosse necessário para fazer parte da sensação dos fliperamas. Já Jordan, que havia retirado seu nome do acordo coletivo de uso de imagem dos atletas da NBA, só pediu para alguém ligar e dizer, “MJ quer entrar no jogo, faz essa para a gente”. Pronto, a próxima versão do NBA Jam tinha um time de estrelas com MJ e Payton.

Alguns rumores apontam para poucas máquinas com a dupla Jordan e Pippen nos Bulls. Eles foram enviadas antes de Jordan tirar seu nome do acordo. 

Mas, como é dia das bruxas, vamos falar de algo assustador. Para isso, passo a palavra para Trumell, em uma entrevista para a ESPN.

“A gente já tinha terminado o NBA Jam quando Drazen Petrovic faleceu. O jogo já tinha saído para entregas e ele estava no [New Jersey] Nets. Então, a gente tinha um monte de máquinas pelo escritório, e uma noite a gente estava jogando Mortal Kombat e tinha uma NBA Jam ao lado. De repente o jogo começou a gritar “Petrovic! PETROVIC!” E isso só aconteceu após a morte do Petrovic. Todo mundo começou a pirar. Algo estranho aconteceu no software e, até hoje, se você tem uma máquina original do NBA Jam, de vez em quando, ela vai gritar Petrovic. É louco”.

Honestamente, não sei o que faria se acontecesse comigo. Ainda lembro da primeira vez que vi a lateral da máquina com a bola de basquete e o logo da NBA imenso ao fundo. Mas acho que sairia correndo se a máquina estivesse assombrada.

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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