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O que esperar dos Clippers com Tyronn Lue?

Tyronn Lue ao centro, com Sam Cassel e Doc Rivers, ainda como assistente técnico dos Clippers. Créditos: David Richard-USA TODAY Sports

Depois da decepção nos playoffs da temporada 2019-20 – e, é claro, de outras decepções anteriores – o Clippers anunciou a demissão de Doc Rivers. Doc foi técnico da franquia durante sete temporadas. Mesmo entre tantas temporadas regulares positivas, ele acabou deixando uma marca pelos fracassos da franquia durante os playoffs. Perdeu duas semifinais de conferência quando ganhava por 3-1, além de pelo menos duas eliminações precoces na primeira rodada.

A franquia escolheu Tyronn Lue como seu sucessor. Campeão da NBA em 2015-16 com o Cleveland Cavaliers, Lue estava trabalhando como assistente técnico de Doc e a escolha do novo técnico estava entre ele e o outro assistente Sam Cassel.

Mas afinal, o que pode-se esperar dos Clippers com o novo técnico?

Bom, uma das principais reclamações a respeito de Doc Rivers era a falta de ajustes ao decorrer das séries de playoff. Com Lue é diferente. Durante seu trabalho em Cleveland, ele se mostrou crucial fazendo os ajustes para ganhar as séries, inclusive quando estava em desvantagem. Um exemplo foi a final de 2015-16, onde conseguiu emplacar três vitórias seguidas e foi campeão em cima de um time com pouquíssimas limitações. Lue soube tirar proveito delas e corrigiu principalmente a defesa de Cleveland, ponto importantíssimo para o título.

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Tyronn Lue e Kyrie Irving durante as finais de 2016. Foto de: Kyle Terada

Outro ponto muito exposto de Doc Rivers durante os playoffs foram as jogadas desenhadas do Clippers. Ou melhor, as jogadas não desenhadas. O Clippers dependia muito de talento individual, principalmente do Kawhi Leonard. Além disso, o modelo de isolations de Doc limitava Paul George a um arremessador de três, embora o ala seja bem mais do que isso.

Nesse ponto, acho que foi uma boa escolha dos Clippers e vou tentar mostrar isso.

O playbook do Cavs de 2016 era bem interessante. Lue conseguia tirar o máximo de um ball-handler e arremessador sensacional que era Kyrie Irving no pick and roll, além de jogadas desenhadas para LeBron no poste baixo, potencializando a infiltração do King, que sem dúvidas é uma das melhores da história da liga.

Vamos analisar um pouco desse playbook.

Na jogada abaixo, ocorre o pick and pop de Kyrie com Kevin Love. Pensando no elenco atual dos Clippers, sem adicionar um novo armador, Paul George poderia ser o ball handler e Jamychal Green, que é um bom arremessador, ficar na posição de Kevin Love. O papel de handler poderia ser feito também por Lou Williams ou até mesmo o Kawhi, porém o astro não tem uma combinação de handles tão boa quanto os outros dois.

Já nessa, Kyrie explora a falha defensiva no pick ‘n roll e continua a jogada. O marcador à frente de Kyrie vai em direção a Shumpert. Assim, o armador segue a jogada e acha o arremesso livre na meia-distância. Esse é outro papel que pode ser feito por PG13, além de que isso tiraria George um pouco da linha dos 3 pontos, trazendo-o para a meia-distância ou uma infiltração. Doc fazia jogadas parecidas com Kawhi, que pode continuar com esse papel. Um armador poderia até achar o passe em situações como essa caso venha a dobra da marcação.

Outra jogada que deve se repetir é a exploração do Catch and Shoot. Na jogada abaixo, LeBron e Mozgov fazem um bloqueio duplo para JR Smith aparecer livre e arremessar a bola vinda de Kyrie. Os Clippers já podem explorar isso com suas peças, mas a vinda de um playmaker para a equipe traria arremessos fáceis como esse para PG13 e principalmente Kawhi a todo momento. A falta do Catch and shoot de Kawhi durante a temporada, aconteceu justamente pelo fato do ala ter que muitas vezes armar a jogada, limitando o estilo de jogo dele.

E por último, uma jogada que também pode acontecer. Por ter jogadores altos e de bom arremesso como Jamychal Green na linha dos três pontos e Zubac na meia-distância, a segunda unidade dos Clippers pode usar jogadas assim. Dellavedova atravessa a quadra por meio do bloqueio dos “bigs” e logo depois ocorre outro bloqueio de um big para o outro, assim, Channyng Frye consegue arremessar livre da meia-distância. Lou Williams poderia comandar jogadas assim na segunda unidade, ou até mesmo Landry Shamet.

Bom, deu para ver o básico do que será o Lue nos Clippers. Mas e agora, quais os palpites? O quão longe o técnico pode levar essa equipe recheada de talento? E quais são as inovações em relação a temporada anterior que podem acontecer?

Eduardo Moreira Ver tudo

Tenho 16 anos e sou apaixonado em basquete. quero compartilhar a visão e meu mínimo conhecimento com todos

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