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Os 10 novos nomes no mercado de treinadores da NBA

Reciclar nomes de treinadores é um problema antigo no esporte. A NBA não é uma exceção. Estamos quase em 2021 e Jeff Van Gundy, que não treina uma equipe desde 2007, ainda tem seu nome especulado quando uma franquia busca um novo treinador. Phil Jackson, que já em 2010 anunciou que seu corpo não aguentava mais as exigências de ser treinador na NBA também aparece em listas de possíveis nomes. A liga parece não sair da mesmice.

O medo de arriscar pode ser um motivo. Franquias, atualmente, são negócios bilionários. Executivos têm um bom salário e, se seu chefe não tiver o sobrenome Dolan, uma certa segurança no emprego. Pode ser difícil ter coragem de colocar todas as fichas de sua reputação em um nome sem experiência como o head coach.

No entanto, a liga mudou. Os jogadores têm cada vez mais poder. Treinadores como Pat Riley, que anseiam o controle de cada posse de bola, não encontram espaço na NBA atual. Por outro lado, treinadores que gostam de seguir a filosofia de Phil Jackson, confiar nos seus atletas e treinos, povoam os bancos da liga. 

Para essa nova era da NBA, novos nomes são necessários. Nomes mais jovens, que entendem melhor a cabeça de atletas que chegam cada vez com mais poder em menos tempo de experiência. 

Ime Udoka

Verdade, Udoka é um dos nomes com menos experiência na lista, mas o que ele tem vale bastante. Udoka foi jogador por 10 anos, indo da Europa para a NBA. Eventualmente, ele acabou ao lado de Gregg Popovich no banco do San Antonio Spurs. Ele passou sete anos aprendendo com um dos melhores treinadores da história e recebeu o Selo de Qualidade Pop™.

Em 2014 ele fez parte do departamento técnico que comando a equipe texana ao título da liga. Em pouco tempo, seu nome passou a ser cogitado como treinador principal de qualquer equipe que demitisse seu técnico. Não conseguindo um comando, ele acabou como um dos assistentes mais bem pagos da NBA, no Philadelphia 76ers.

Udoka é mais conhecido por sua defesa. Na Philadelphia, Udoka mudou o estilo de defesa dos Sixers, fazendo com que o time tentasse tirar a bola das mãos dos armadores. Do outro lado da quadra, ele parece ter se adaptado ao estilo de Pop, sem um jeito definido de jogar, mudando conforme o adversário.

Sua maior vantagem é sua idade. Aos 43 anos de idade, Udoka tem mais facilidade de se comunicar com os jovens talentos da liga. 

Becky Hammon

AP Photo/Eric Gay

Vamos seguir com o Selo de Qualidade Pop™. Dessa vez, a candidata é Becky Hammon, a primeira assistente em tempo integral da NBA. Ela chegou ao banco dos Spurs em 2014 e, sem perder tempo, usou seu conhecimento do jogo e experiência como atleta para virar uma das principais vozes entre os assistentes de Popovich.

Quem reclama de Hammon como uma candidata, normalmente, se esconde atrás do argumento de que ela está “furando a fila”. Isso ignora que ela passou anos como armadora em uma liga de alto nível, comandou os Spurs em uma Liga de Verão, ganhando o título, ou que ela tem poucos anos no trabalho, como se não fosse parte do time de Pop. 

O problema, no final, é óbvio. Hammon é uma mulher. E o Clube do Bolinha não consegue aceitar alguém invadindo a festa.

Fora dessa turma, Hammon já demanda respeito. Ela já tem uma reputação como alguém que pensa fora da caixa, procurando soluções criativas para problemas. Tony Parker comparou ela ao seu mentor de anos, Popovich, dizendo que ambos têm uma ótima mente para o basquete.

Ainda não convencidos? Então assistam ela em ação:

Stephen Silas

Stephen é filho do lendário Paul Silas, ex-jogador e treinador da NBA, esse é um cara que vive o basquete desde o berço. Além disso, Silas (o filho) começou cedo, como olheiro, em 1999. Logo ele foi promovido a assistente, aos 27 anos de idade. 

Silas é conhecido por saber desenvolver jovens e organizar um ataque. Ele trabalhou com LeBron James e Steph Curry na Liga de Verão. Ele é calmo na hora de passar suas ideias, como um Brad Stevens.

Algo comum nesta lista, Silas tem facilidade de se comunicar com os jogadores de hoje em dia. Silas pode ser o treinador ideal para um time cheio de jovens que precisam de alguém para ensinar os caminhos dos profissionais.

Darvin Ham

Ham tem aquela palavrinha que está sendo repetida, experiência. Nos seus 47 anos de vida ele viu muito basquete. Sua carreira universitária foi lá em 1996, com Texas Tech. Nos profissionais, ele passou de time em time, até fazer parte dos campeões de 2004, Detroit Pistons. 

Logo que se aposentou como jogador, Ham foi assistente do Albuquerque Thunderbirds, hoje Canton Charge, da antiga D-League, hoje G-League. Em dois anos ele assumiu o cargo de treinador na equipe. Seu trabalho na liga menor rendeu um convite do Los Angeles Lakers, para servir de assistente de 2011 até 2013. Logo depois ele se juntou a Mike Budenholzer.

Ham traz uma liderança nata para suas equipes. O que é garantido, também, é a habilidade de se adaptar. Entre trabalhos com Mike D’Antoni, Mike Brown e Bud, Ham viu vários estilos diferentes, e se destacou como assistente em todos. 

Wes Unseld Jr

O nome já indica que estamos na presença de mais um filho de uma lenda da NBA. Wes Unseld Jr, obviamente, é filho de Wes Unseld, pivô do Washington Bullets, hoje Wizards. Para manter a tradiçao, Unseld Jr começou sua carreira no time da capital americana. Ele começou como olheiro e passou para assistente do time antes de buscar novos ares.

Eventualmente, ele chegou ao Denver Nuggets, onde se tornou o coordenador defensivo, onde permanece até hoje.

Unseld Jr é descrito como alguém que vai apelar para empatia, inteligencia e esperteza em vez de estourar na cara de alguém. Ele ajudou a melhorar, aos poucos, os times que o empregaram. Unseld Jr trabalhou com ataque, defesa e desenvolvimento de jovens. Um pacote completo.

Lindsay Gottlieb

A primeira coisa que salta aos olhos quando se fala em Gottlieb é que ela faz parte do quadra de conselheiros do Positive Coaching Alliance. A PCA é uma organização que visa treinar de uma maneira positiva. Em vez de Bobby Knights, mais Phil Jackson, seria o resumo do objetivo.

Gottlieb foi assistente em Syracuse, New Hampshire, California, treinadora na  UC Santa Barbara até ser contratada como assistente do Cleveland Cavaliers em 2019.

Desde que começou sua carreira na lateral das quadras, em vez de dentro dela, Gottlieb ganhou fama como uma excelente estrategista, com uma capacidade ímpar de se adaptar durante as partidas. Seu estilo favorito encaixa bem na NBA atual. Ela gosta de ver seus times correndo sempre que possível. 

WilL Hardy

Mais um jovem para a lista. Pode ser que, com 32 anos de idade, alguns considerem Hardy jovem demais. Poxa, ele é mais jovem que alguns jogadores da NBA. E tem uma história que parece conto de fadas.

Hardy começou como estagiário e logo virou um dos assistentes de Popovich. Ou seja, mais um aprovado por Pop.

Ser tão jovem pode ser beneficiário. Hardy ainda não tem suas manias, e está aberto a novas ideias. Se comunicar com jogadores não será um problema para ele. 

Segundo Pop, Hardy trabalha duro, passando horas e horas no ginásio, aprendendo para compensar sua juventude. Além disso, ele sabe o caminho para vencer, aprendeu com Popovich. 

Pode ainda não ser a hora de Hardy, mas ela vai chegar.

Sam Cassell

Sam “I am” chegou na NBA vencendo. Como novato, já foi campeão com Hakeem Olajuwon e o Houston Rockets. Como treinador, Cassell passou cinco temporadas como assistente do Wizards e seis no LA Clippers. Já está mais do que na hora de vê-lo no comando de um time.

Sam passou bastante tempo ao lado de Doc Rivers, que ama se adaptar. Mas as evidências de sua qualidade são muitas. Austin Rivers deu todo crédito para Cassell, que o ajudou a trabalhar no seu jogo de meia distância. Chris Paul elogiou seu trabalho nos Clippers. David Fizdale chamou Cassel de “um gênio do basquete”. 

Na bolha, ele recebeu sua primeira chance como treinador. E não decepcionou. Em pouco tempo, mostrou seu alto conhecimento do jogo e qualidade nas laterais.

Chauncey Billups

Billups mostrou, em quadra, todas as qualidades que fazem um ótimo treinador. Liderança, inteligência, calma, ele foi bem como estrela e jogador de banco. Comandou o time como um treinador dentro das quatro linhas.

O maior problema? A falta de experiência. Mas, Steve Nash mostrou que isso não passa pela cabeça dos executivos da NBA como um problema.

Seus Pistons eram conhecidos pela defesa, os Nuggets dos quais fez parte eram equilibrados, o New York Knicks dependeu muito de sua armação. Além disso, seu estilo fora da quadra será uma total surpresa. Mesmo assim, eu daria uma chance para Billups, antes de contratar alguém que já provou mais de uma vez não ter a qualidade necessária.

Kristi Toliver

Por último na lista, mas não menos importante, temos Kristi Toliver, a Panda. Toliver começou como assistente dos Wizards por meio período, para continuar dominando nas quadras da WNBA. Ela não participou da última temporada da WNBA, citando o imenso risco de uma temporada no meio de uma pandemia.

Com os Wizards, Toliver provou que está pronta para encarar a diferença entre atleta e treinadora. Ela não demorou para conseguir o respeito dos jogadores sob seu comando. 

Ela usa seu conhecimento de dentro das quadras para analisar, com facilidade e sabedoria, os pontos fortes e fracos de suas equipes e times adversários. O fato de ser, praticamente, uma treinadora em quadra, certamente vai facilitar a transição para o comando técnico.

Esses nem são todos os nomes. Patrick Ewing, Sue Bird, quando resolver parar, entre outros exemplos. Nomes existem, o que falta é a coragem de sair da mesmice e dar a chance para quem está pedindo passangem.

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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