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Anthony Davis é o caminho para o Lakers voar para uma dinastia

FOTO: Kevin C.Cox/Getty Images

Ainda não chegou ao ponto de projetar não cinco, não seis, não sete aneis…mas o título do Lakers já fez alguns até pensarem na concretização de uma dinastia nos próximos anos. Afinal, LeBron não apenas é capaz de apontar o caminho certo para a cesta, mas também para as Finais. Nove decisões em dez temporadas tornam difícil qualquer tentativa de descredibilizá-lo. No entanto, se ele e o Lakers pretendem empilhar trofeus nos próximos anos, uma outra figura se faz fundamental: Anthony Davis. Se estivéssemos falando de um carro, LeBron seria o volante e AD, o acelerador. Um é o guia, o estabilizador; o outro, a diferença entre um ritmo tranquilo e um andamento que ninguém consegue acompanhar.

Esse não é um texto sobre como o Lakers deve correr para assinar com Davis, que possivelmente vai optar por sair do atual contrato agora que a temporada acabou. Parece pouquíssimo provável que ele esteja pensando em defender qualquer outro time que não o Lakers, considerando o sucesso que obteve em um time que ainda pode ser bastante lapidado.

O meu ponto é que Davis pode ser a diferença entre um Lakers que vai ter lugar cativo na elite do Oeste e um time que vai atrás da História. 

Na primeira campanha dele de playoffs em que realmente brigava por algo, além de continuar sendo a principal fonte de pontos em um time que tem LeBron James, Anthony Davis foi o benjamim que se encaixou em qual fosse o problema que o adversário tentasse criar. O lobby de James para que AD fosse reconhecido como o verdadeiro jogador de defesa do ano faz sentido. Nos playoffs, ele defendeu de tudo: desde Damian Lillard até Nikola Jokic, passando pelo pivô-por-falta-de-opção P.J Tucker na semi do Oeste e o heroball-por-falta-de-opção Jimmy Butler na Final. Se você tiver tempo, assista a esse vídeo com as melhores jogadas defensivas dele na temporada. Não se engane e impressione apenas com os muitos tocos. Chama a atenção justamente a variedade de perfis das vítimas. E muito do trabalho dele não aparece no boxscore (nem no top 10), mas na mente assustada dos adversários que nem pensam em infiltrar com ele patrulhando a área pintada.

Esse é só começo da explicação para que Davis mereça cada centavo que cobrar no novo contrato. Vou pegar emprestado o primeiro texto do camarada Sarvas aqui para o blog. A prosa dele destaca como ficou cada vez mais difícil para os pivôs ocuparem papeis centrais na construção dos times porque o basquete foi se afastando do que eles costumavam fazer bem e a adaptação ou é delicada ou não vale a pena para a maioria dos times. Ele listou três exceções: as duas primeiras, Embiid e Jokic, têm talentos enormes mas uma limitação em comum. Por mais inteligentes e fortes que sejam, não têm biótipo para parar jogadores mais rápidos e nem sempre vão conseguir puni-los quando estão sendo defendidos por esses caras. O terceiro exemplo do Sarvas foi o AD e a diferença é que ele consegue fazer isso tudo.

Anthony Davis consegue ser um pivô, ou melhor, um cara grande que sobrevive na era em que os pivôs têm um alvo nas costas, porque ele não parece um pivô. Na verdade, ele não sobrevive. Ele sobra. É aquela coisa: se algo é considerado inútil ou ninguém sabe como usar, em um ambiente competitivo como o esporte, isso se torna uma arma para quem sabe usá-la, porque ninguém sabe como parar isso também. É como se todo mundo jogasse Street Fighter com o Ryu ou o Ken e ninguém tentasse jogar com o Zangief porque não sabem usá-lo. O cara que souber usar possivelmente vai saber como derrotar os manés que só usam o Ryu e o Ken, mas o contrário não vai acontecer.

Blazers, Rockets, Nuggets e Heat tentaram nos playoffs, mas não acharam resposta para AD. Também foi verdade para a maioria dos adversários na temporada regular. Tentar formações baixas é ver Davis seguir passo a passo o seu ataque e programar o movimento de defesa na hora certa. Do outro lado da quadra, ele pode simplesmente arremessar por cima do marcador ou usar a força ou atacar os rebotes ofensivos. Conter o Monocelha – apelido subestimado – com um outro jogador grande provavelmente é incomodá-lo um pouco mais mas ainda assim sofrer com a finesse do jogo dele, isso para não falar da exigência de acompanhá-lo em contra-ataques e na linha de 3. Dobrar pode ser a solução, porque AD ainda não é um grande passador, mas está cada vez melhor. Enfim, arrisque colocar todas as suas atenções em LeBron e ele te mata com uma bola de longe:

Não é a única razão, mas uma explicação para esse perfil único de AD é a sua história única. Ele deu a famosa espichada quando já estava no fim da fase de crescimento. E não foi qualquer espichada. Dos 15 aos 19 anos, saltou de 1,87m para 2,08m. Aos 15, ele era um magricela tipo eu no colégio. Até os óculos eram parecidos (a diferença é que fiquei nos 1,70m). Ele foi trabalhado na base do basquete para se tornar um armador. De repente, ele se tornou um gigante, com os instintos de armador e o físico de um combo 4-5. Veja com seus próprios olhos.

Ele não ficou mais alto desde os 21 anos, mas agora é esse monstro de 115 kg:

FOTO: Ashley Landis/Associated Press

Mas óbvio que tem mais coisa aí. Existem jogadores especiais que carregam no arsenal capacidades de ball-handler e arremessador mesmo tendo estatura de pivô. Kevin Durant é um deles. A questão é combinar isso com tamanha ciência defensiva e explosão. 

A NBA é uma liga conhecida por ser uma eterna briga de gato e rato. Quem ganha dá as cartas e na temporada seguinte muita gente aparece tentando fazer o mesmo. Ano passado, a galera achou que a solução dos problemas era dobrar a dose no load management. Nos anos anteriores, o Golden State – de forma mais bem sucedida – e o Houston – de forma mais extrema – tentaram patentear o small ball como fórmula de sucesso. 

Com o título do Lakers, é bem possível que muitos times procurem alguém que possa ser como Davis. Spoiler: não tem. Outros vão montar o plantel pensando exclusivamente em como pará-lo. Outro spoiler: não é tão fácil. Já dizem até que o Warriors ligou o alerta e cogita adquirir algum cara grande no retorno, porque small-ball contra AD nos playoffs pode ser sinônimo de férias precoces. 

Por isso, investindo em Davis, o Lakers, no mínimo, garante um cara para acompanhar LeBron nos números históricos, ano após ano. Se Wade já admitiu que AD é o melhor parceiro que LeBron já teve, não parece impossível que em breve LeBron assuma que o camisa 3 é o que ele foi para Wade quando chegou a Miami. Não está muito longe do que alguns companheiros de time acham.

LeBron possivelmente vai continuar até o fim da carreira como a direção que suaviza qualquer curva. Mas com AD acelerando, mesmo que outros times encontrem volantes confiáveis, o Lakers já vai ter cruzado a linha muito antes. Porque ninguém mais tem esse turbo.

Igor Santos Ver tudo

Formado em Jornalismo pela UFRJ, tenho passagens pelo Jornal dos Sports e por O Globo. Desde 2013 estou na TV Brasil, onde sou repórter e apresentador do programa Stadium. Também escrevo umas palavrinhas sobre basquete pra Agência Brasil desde 2019.

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