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O lendário Arvydas Sabonis

Arvydas Sabonis, nascido na Lituânia, começou a jogar basquete aos 13 anos de idade. Aos 15 anos de idade já fazia parte da seleção júnior da União Soviética. Aos 17, assinou com o Zalgris Kaunas. Ele venceu três títulos soviéticos consecutivos, foi ouro nos Jogos Olímpicos de 1988. E, ainda assim, uma pergunta é frequente quando se fala na lenda do basquete mundial: quão bom ele seria se tivesse ido para NBA antes das lesões?

Sabas, como é conhecido pelos fãs, foi escolhido no draft de 1985 pelo Atlanta Hawks. Com a Guerra Fria ainda ativa, a NBA cancelou a escolha, dizendo que o pivô ainda não havia completado 21 anos de idade. Em 1986 ele foi escolhido pelo Portland Trail Blazers. Atrás da Cortina de Ferro, Sabonis não foi para a NBA imediatamente. Na verdade, só chegou aos Blazers em 1995. Quando já não era mais o mesmo.

Para entender o impacto de Sabonis no esporte você deve pensar nele antes da NBA. Antes das repetidas lesões prejudicarem sua movimentação. Antes da seleção soviética acelerar a curva descendente de seu basquete.

Naqueles dias, atletas da União Soviética jogavam atrás da Cortina de Ferro. Ficando lá toda sua carreira, dando raras oportunidades para que o público do lado de cá do mundo os visse. Com a queda da URSS, aos poucos jogadores chegaram à NBA. Drazen Petrovic, Vlade Divac, Sarunas Marciulionis e Tony Kukoc foram os primeiros nomes a ter um impacto na liga americana. 

Arvydas deveria chegar com essa turma. Infelizmente, para todo o basquetebol, Sabonis não chegou a tempo de evitar lesões. Em 1986 ele rompeu um tendão de Aquiles. Dois anos depois, ele rompeu o outro. Seu retorno foi apressado, o que prejudicou muito o futuro de sua carreira. 

Até 1989 autoridades soviéticas proibiram Sabonis de ir para NBA. Assim que o pivô foi autorizado, ele preferiu ir para a Espanha. Primeiro com o Vallodolid e, depois, com o Real Madrid. Em 1995 ele ajudou os Merengues a vencerem o título da Euroliga. E, finalmente, foi para a NBA.

Alexander Gomelsky, treinador da seleção da União Soviética por três décadas, tinha muita influência sobre Sabonis. Essa influência, segundo alguns, pode ter mantido o pivô longe da NBA. Muitos acreditam que o treinador recebia parte do salário de Sabonis e incentivos para manter o atleta longe dos Estados Unidos. Rumores indicam que Gomelsky falava que, ir para a NBA seria colocar sua família em risco. Sabonis, por sua vez, dizia não acreditar que seu corpo aguentaria os rigores da temporada da NBA.

Foi assim que, em 1995, Arvydas Sabonis chegou no Portland Trail Blazers. Já reconhecido como um dos maiores jogadores de basquete da história. Mas com uma bagagem de lesões e minutos que tornaram o então rápido gigante reduzido a um novato mais velho, mais pesado, mais lento.

A capacidade atlética podia ter acabado, mas a qualidade de Sabonis não. Pensem em um pivô “moderno” chegando na NBA nos anos 90. Alguém que, além dos 2,21 m de altura, podia abrir e chutar de 3 pontos, tinha uma qualidade no passe de dar inveja ao Nikola Jokic e, ainda ter força para trombar com Shaquille O’Neal dentro do garrafão. 

Sabonis foi um novato diferente. Uma década mais velho que os outros rookies, mais para o final da carreira do que o começo. Ainda assim, ele teve uma ótima temporada de estréia, com médias de 14,5 pontos, 8,1 rebotes por jogo, convertendo 37,5%¨dos arremessos de 3 pontos. Ele foi escolhido para o All-NBA Rookie Team e foi segundo na votação para novato do ano.

Em 2000, Sabonis deu uma idéia do que poderia ter sido. Nas finais da Conferência Oeste, ele enlouqueceu o Los Angeles Lakers. Mesmo no final de sua carreira ele deu trabalho pra um dos dois maiores pivôs da história da basquete, Shaq. Junto com Scottie Pippen e Rasheed Wallace, eles empurraram os Lakers para sete jogos, e uma virada história no quarto final. Só isso impediu de vermos Sabonis nas Finais da NBA.

“Foi o pior jogo da minha vida”, disse Sabonis, depois de ver seu time entregar uma vantagem de 15 pontos nos últimos 10 minutos de jogo. “Você tem três ou quatro. Esse foi um deles. Vencendo por 15 pontos com 10 minutos e perder. É difícil. Difícil de esquecer”.

Mas foi uma partida solitária em Dallas, em 1997, que deu uma indicação do que poderia ser Sabonis. Foram 33 pontos em cima do Dallas Mavericks. Arvydas converteu 11 de 14 arremessos de quadra, todos os três chutes da linha de três pontos e pegou 12 rebotes. Com ele em quadra, os Blazers venceram por 15 pontos. 

A política deixou Sabonis longe da NBA no seu auge. Mas, Sabonis não deixou de ser um dos maiores da história. 

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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