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O que as 10 Finais de LeBron James dizem sobre a NBA

Aviso: o post a seguir não é uma crítica. São apenas análises de como a NBA mudou durante os anos. Aproveitem.

LeBron James chegou a sua décima final de NBA. Quando o Los Angeles Lakers venceu o Denver Nuggets nas finais da Conferência Oeste, o ala se tornou o quarto jogador a chegar em um dezena de Finais. Todos os outros três estão no Hall da Fama, lugar que James ocupará sem dúvida quando chegar a sua vez.

Bill Russell lidera a curta lista de finalistas. Em suas 13 temporadas de NBA o pivô do Boston Celtics chegou a 12 Finais, vencendo 11. A única derrota foi para o St. Louis Hawks, em 1958. Seu colega de equipel, Sam Jones, aparece com 10 Finais em 11 temporadas. Kareem Abdul-Jabbar é o único outro jogador que não é Celtics nessa lista. Em 20 temporadas, Kareem chegou às Finais 10 vezes, duas com o Milwaukee Bucks e oito com os Lakers. Vencendo uma vez em Milwaukee e cinco na cidade dos anjos.

Além de ser o único jogador que não é de Boston, e o único Laker, James tem mais uma coisa em comum com o lendário Abdul-Jabbar. Como Kareem, LeBron também não chegou às 10 Finais com a mesma equipe. 

A primeira série final de James foi com o time que o escolheu no draft, o Cleveland Cavaliers. Após as primeiras Finais, ele não voltou em três temporadas e resolveu deixar Cleveland. Junto com Dwyane Wade e Chris Bosh eles formaram um grande trio no Miami Heat, chegando a quatro Finais. Vendo seus companheiros de Heat passando do auge, ele voltou aos Cavs. Com Kyrie Irving e Kevin Love ele chegou a mais quatro Finais. Foram dois títulos em Miami, com o grande trio, e um em Cleveland, com o trio um pouco menor.

Agora a grande diferença entre Kareem e James. Abdul-Jabbar foi trocado para os Lakers, não teve muita escolha. James, por sua vez, usou toda sua influência para escolher, três vezes, o melhor time para disputar o título novamente. E isso fala muito sobre como a NBA mudou.

Jones e Russell são retratos de seu tempo. Sem poder para escolher o destino, eles passaram suas carreiras inteiras em Boston. Afinal, nesse tempo, a NBA não tinha free agents. Os donos tinham todo o poder nas mãos. Até para fazer uma bobagem como trocar Kareem, um dos três maiores pivôs da história da liga.

Em 1970, o então presidente do sindicato dos jogadores da NBA (NBPA), Oscar Robertson – curiosamente ex-companheiro de KAJ nos Bucks – processou a NBA. O objetivo era simples, dar poder aos atletas para que tivessem chance de escolher seus destinos. A gangorra deixaria de pender para um lado apenas, equilibrando um pouco o sistema.

Em 1976, dois anos após a aposentadoria do Big O, a NBA e NBPA chegaram a um acordo. O resultado foi a liberdade para que atletas, no final de seus contratos, decidam o melhor destino para seus talentos.

Mas a coisa ainda não era bem assim, na realidade. Mesmo que o time não quisesse mais contar com um atleta, o próximo time deveria compensar financeiramente a equipe original. Assim, era difícil trocar de equipe ao final do contrato.

Apenas em 1988 a NBA criou o free agent sem restrições. Ou seja, agora, ao final do contrato, o jogador podia realmente escolher em que time jogaria. Efetivamente a liga tem, até hoje, dois tipos de agentes livres. Restritos, o último time podia apenas igualar qualquer proposta para manter o jogador. Sem restrições, onde o atleta tem liberdade para escolher para onde vai, mesmo que resolva receber menos. Tudo isso depende de tempo de contrato, tempo na liga, entre outras coisas.

Tom Chambers foi o primeiro jogador a aproveitar essa nova regra. Chambers estava no Seattle SuperSonics e seu contrato havia acabado. Ele estava pronto para aceitar que os Sonics, procurando novos caminhos, renovariam seu contrato e esperariam uma proposta de troca boa.

Foi então que ele recebeu uma ligação de Larry Flescher, então presidente da NBPA. “Ele ligou para o meu agente depois que Seattle havia feito uma oferta”, contou Chambers para os jornais da época, “e disse, ‘não aceite, acho que vamos fechar essa coisa de agente livre sem restrições”.

Dois dias depois, a NBA anunciou a nova regra. Jogadores que estavam na NBA há sete anos ou mais, ou jogadores que haviam completado dois contratos seriam, a partir de agora, agente livre sem restrições. Chambers assinou com o Phoenix Suns.

Oito anos se passaram até uma das estrelas da NBA usar, ainda em seu auge, a regra de agente livre sem restrições para trocar de time. Durante a abertura das Olimpíadas de Atlanta em 1996, os Lakers anunciaram que Shaquille O’Neal havia assinado um contrato de sete anos, no valor de US$120 milhões.

James apenas levou a regra ao extremo. Ao trocar de time quando via uma oportunidade melhor, ele mostrou que os jogadores, agora, têm o poder. A NBA é outra. Kevin Durant deixa o Oklahoma City Thunder, vai para o Golden State Warriors e, depois, para o Brooklyn Nets. Kawhi Leonard começa no San Antonio Spurs, vence um título com o Toronto Raptors e tenta fazer milagres com o LA Clippers.

No final de carreira, Patrick Ewing não se aposentou com o New York Knicks, nem Hakeem Olajuwon com o Houston Rockets. Ambos foram trocados depois de anos de lealdade. O jogo mudou. O poder é dos jogadores. 

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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