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Aprendizados do Lakers de 2004 para o Lakers de 2020

Ben Wallace defendendo Shaquille O'Neal
Shaq e Ben Wallace em uma das incontáveis jogadas de 1×1 das finais de 2004 – divulgação NBA

As finais de 2004 da NBA foram surpreendentes pelo lado da conferência leste. Sem nenhuma grande estrela no elenco mas com um jogo coletivo invejável e a segunda melhor defesa do campeonato, o Detroit Pistons despachou os favoritos New Jersey Nets, de Jason Kidd, e Indiana Pacers, de Jermaine O’Neal e o então Ron Artest, com uma sólida defesa, deixando o aproveitamento dos adversários baixo e com um pace baixo até para a época (com 87,9, eram a 24ª equipe com menos pace da NBA). Do outro lado estava o todo poderoso Los Angeles Lakers, com um quarteto fantástico em Shaquille O’Neal, Kobe Bryant, Gary Payton e Karl Malone. Mesmo tendo alguns problemas de encaixe durante a temporada, a equipe ficou em terceiro na conferência oeste, apenas dois jogos atrás do Minnesota Timberwolves, primeiro colocado. Nos playoffs, despachou tanto o próprio Wolves quanto o San Antonio Spurs, que terminará em segundo, para chegar nas finais com um gigantesco selo de favorito.

Enterrada de Anthony Davis contra o Miami Heat nas finais da NBA de 2020
LeBron James e Anthony Davis contra o Heat – Photo by Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Images

Viajamos agora de volta ao presente, o ano é 2020 e as finais possuem uma narrativa semelhante. De um lado, um Miami Heat que chegou as finais com mais de 6 jogadores marcando 10 ou mais pontos por jogo, donos de uma defesa extremamente competente e criativa e tendo deixado no caminho dos playoffs o primeiro colocado da conferência leste Milwaukee Bucks e o tradicional Boston Celtics. Sem nenhum grande destaque, a equipe conta com um equilíbrio e com um dos paces mais baixos da liga (27º time da liga). Do outro lado, temos novamente o Los Angeles Lakers com uma super equipe, desta vez com duas estrelas em Anthony Davis e LeBron James e um amplo favoritismo. Nos playoffs, despachou o sempre complicado Houston Rockets e o aguerrido Denver Nuggets, chegando ainda mais favorito para essas finais.

A destruição do favoritismo em 2004

Em 2004, o Los Angeles Lakers encontrou uma defesa SURREAL pelo lado de Detroit. Os cinco titulares dos Pistons eram exímios defensores individuais e com uma estratégia de tirar todos os espaços dentro do garrafão e obrigar o jogador portador da bola a decidir, apenas Shaq e Kobe conseguiram produzir ofensivamente, com mais de 20 pontos por jogo. Kobe, porém, teve um aproveitamento pavoroso de 38% nos arremessos, sofrendo muito com a defesa de Richard Hamilton e Tayshaun Prince. Ofensivamente, o time do técnico Larry Brown jogava de maneira simples e eficiente, com jogadas diamante (onde o jogador escolhe para que lado vai sair e receber uma série de bloqueios) para Hamilton e seus arremessos de média distância e com pick’n roll/pop com Chauncey Billups e Rasheed Wallace. Esse ritmo lento de jogo, a defesa extremamente física e todo trash talk minou jogo a jogo a confiança do Lakers e a série terminou 4-1 para o campeão Pistons.

2020 pode ser o replay?

Com certas semelhanças entre o Detroit Pistons de 2004 e o Miami Heat de 2020, surgem algumas dúvidas sobre a possibilidade de uma nova “zebra”. Novamente, para isso acontecer, isso terá de passar pela defesa e pelo pace do jogo. Assim como o Pistons, a equipe do Heat tem uma defesa que prioriza todas as fases do jogo. São cinco jogadores no rebote, o que diminui a possibilidade de contra-ataque mas que ajuda a diminuir o pace e consequentemente a velocidade do jogo. A defesa individual e a zona são agressivas e com rotações rápidas, dificultando muito os passes e obrigando decisões de jogadores que não costumam decidir. Além disso, a divisão de protagonismo no ataque também dificulta a defesa do Lakers, podendo assim criar diversos espaços e complicar a vida dos angelinos.

Já pelo lado do Lakers, vale frisar a importância do elenco de apoio para suas estrelas. Em 2004, foi exatamente onde eles tiveram muitos problemas e acabaram sucumbindo por depender apenas de Shaq e Kobe. Um diferencial é o tipo de jogador que é LeBron James, sendo um jogador que envolve mais seus companheiros, com sua visão de jogo diferenciada e senso coletivo, bem diferente das estrelas de 2004. KCP, Kuzma, Caruso e Rondo foram muito bem já no jogo 1, o que possibilitou muitos espaços para Davis jogar e LeBron ter confiança em passar a bola quando todo o time do Heat fechava o garrafão em suas infiltrações. É fundamental para LA que eles continuem com aproveitamento em arremessos livres para não repetir o fiasco de 2004 e conquistar mais um título para sua coleção.

Vitor Hugo Sarvas Ver tudo

Analista de desempenho desde 2014, acredita que a ciência e a prática podem e devem andar juntas. Escrever faz parte da maneira de divulgação científica e mostrar como de fato ambos se completam.

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