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Tainá Paixão fica no Brasil e eleva o nível do Paulista 2020

Paixão em partida contra Austrália, no Pré-Olímpico de Bourges (Foto: Divulgação/FIBA)

No dia 29 de novembro de 1991, na cidade de Jundiaí, em São Paulo, nasceu Tainá Mayara da Paixão, que em alguns anos ia iniciar seu caminho no basquete nas quadras da cidade, seguindo os passos das suas irmãs mais velhas. Anos depois, viraria fã de Magic Paula e o que ninguém poderia imaginar era que aquela menininha, no futuro, viraria um atleta referência para crianças e adolescentes que hoje praticam basquete.

Quando se fala em referência, Tainá não tem do que reclamar. Ela se inspirou nas melhores e acredita que isso foi o seu grande diferencial. 

“Acho que nós temos muitas jogadoras que são referência, sempre tivemos muito material humano. Na minha posição tivemos armadoras espetaculares e que acabaram servindo de espelho pra mim. Sempre admirei a (Magic) Paula e depois tive a oportunidade de jogar com a Adrianinha, no Recife, e isso era uma coisa que eu queria muito. Acho que ter boas referências faz você querer mais e faz você acreditar que pode ir mais longe. Claro que não adianta só querer, precisa trabalhar muito, treinar duro e ter essa consciência que você também pode inspirar outras meninas que estão começando”, disse.

Atletas comemorando título nacional (Foto: Matheus Marques)

Tainá defenderia o Sampaio Corrêa durante a temporada 2020 da Liga de Basquete Feminino (LBF), mas o campeonato foi cancelado devido a pandemia do COVID-19. Quando os campeonatos no exterior começaram a retornar, a atleta fez o sentido contrário da maioria das suas companheiras de Seleção Brasileira e, ao invés de defender um time da Europa (9 atletas da Seleção foram jogar no Velho Continente), Tainá preferiu ficar no Brasil e fechar contrato para disputar o Campeonato Paulista pelo SESI/Araraquara. Mas por quê? Ela responde:

“Minha escolha foi muito pensada. Tive propostas da Europa, mas que não me balançaram. Acho que o atleta tem fases na carreira e eu já estou perto dos 30, com uma carreira na Seleção e em clubes importantes aqui, então pra ir pra fora precisa ser uma coisa que valha a pena em todos os sentidos, não apenas financeiro. E nessa pandemia aproveitei pra estudar, ficar mais perto da minha família e com isso surgiu a proposta do SESI/Araraquara. Não poderia ter sido melhor”

Além de ser uma equipe com uma boa estrutura física para receber suas atletas, também é um clube que trabalha em regime CLT, coisa rara de ser vista hoje no cenário nacional.

“Estou muito feliz com a estrutura, com o respeito com o atleta profissional. Tenho carteira assinada pela primeira vez vida. Pode parecer bobeira, mas isso é uma segurança de que seus direitos estarão garantidos. Então juntei o útil ao agradável e ficar no Brasil, neste momento, foi a melhor escolha. Estou muito feliz”

Com essa decisão, quem ganha é o basquete nacional, que vai ter uma atleta de alto nível disputando um torneio regional.

Tainá Paixão foi a MVP das Finais da LBF CAIXA 2019 (Foto: Matheus Marques)

Dentro do país, Tainá tem passagens por São José (SP), Ourinhos (SP), Sport (PE), UNINASSAU/América (PE) e Sampaio Corrêa (MA), onde foi campeã nacional na última temporada. A camisa 8 da Seleção Brasileira já viveu vários momentos do campeonato nacional e quando eu perguntei sobre o que mudaria no torneio nacional se fosse dirigente, Tainá respondeu:

“Talvez eu pensaria num campeonato mais longo, com mais equipes, que pudesse dar mais segurança financeira para as atletas também. Acho que uma Liga de Desenvolvimento seria algo legal também para revelar mais jogadoras. Também tentaria levar o basquete feminino a lugares e regiões que ainda não tem contato com a modalidade. Já pensou um time no Norte, no Centro-Oeste? Podem ter talentos escondidos nesses lugares e elas só precisam de uma oportunidade. Mas eu tenho consciência que não é fácil fazer esporte no país sem apoio e patrocínio”

Tainá Paixão tem hoje, 11.6 mil seguidores no Instagram, coisa que não fazia parte da realidade das atletas de basquete feminino até pouco tempo atrás. Tainá considera esse “boom” nas redes sociais uma resposta ao momento que está sendo vivido.

“Acho que estamos vivendo um grande momento de união no basquete feminino. As jogadoras estão mais engajadas. Teve a campanha “Levante a Bola Delas” (assista abaixo) que fez um barulho grande pra que olhassem mais para o basquete feminino e temos que continuar lutando por causas justas, como a busca por mais apoios e patrocínios. Estamos lutando pelo nosso ganha pão. Nós somos as maiores prejudicadas se não houver investimento e bons campeonatos”

Para finalizar, Tainá deixou um recado para as atletas mais jovens, que pensam em desenvolver cada vez mais o seu jogo. 

“Jogar fora é uma experiência muito válida, falo isso para as meninas mais jovens. Tem quer ir, enfrentar a dificuldade do idioma, adaptar seu jogo a um outro estilo. Isso só faz você crescer. É uma experiência necessária pra quando você enfrentar qualquer time ou situação, para você não se assustar ou ter medo”

Tainá Paixão irá fazer sua estreia pelo SESI/Araraquara no dia 16 de outubro, contra o Ituano Basquete, às 19h, no Ginásio Gigantão. 

Jéssica Maciel Ver tudo

Jornalista, trabalhando com cobertura de basquete feminino desde 2013. Amante de esportes!

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