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Mesmo sem final histórica, Lakers pode fazer história

Foto David Santiago

Quem estava esperando pela final mais tradicional da NBA entre Los Angeles Lakers e Boston Celtics vai assistir a uma final inédita. Lakers e Heat iniciam nesta quarta-feira a decisão do título 2019-2020 da NBA na bolha da Disney, uma temporada que jamais será esquecida.

Com 16 títulos conquistados, a franquia mais popular de Los Angeles pode finalmente ser a mais vitoriosa da Liga, mesmo que fique ao lado do seu maior rival na história, o Boston Celtics, que já tem 17 troféus na sua galeria.

Na última semana, jornalistas, comentaristas e fãs da NBA no mundo inteiro, desde os mais tradicionais até os mais jovens, estavam em polvorosa esperando que a grande final Lakers x Celtics pudesse voltar a acontecer (mesmo sem a presença das torcidas). Foi assunto nas redes sociais, podcasts, jornais e TVs. Porém o Boston ficou pelo caminho. E, de certa forma, frustrou não apenas seus próprios torcedores.

Mas afinal, por que tanta expectativa? Por que a possibilidade de uma final como essa, mesmo que fosse acontecer sem público, mexe tanto com os torcedores e amantes do basquete?

Simples. É muita história envolvida. As duas franquias são as que mais venceram na NBA. Juntas acumulam 33 títulos (17 do Boston e 16 do Lakers) e já estiveram juntas em 12 finais. Na última, em 2010, e o Lakers levou a melhor. 

A rivalidade histórica começou literalmente em 1959, quando os dois times se enfrentaram pela primeira vez na grande final. Mas o Lakers já chegou a essa final com 5 títulos (conquistados ainda como Minneapolis Lakers). E perdeu o primeiro confronto. Foi uma varrida, 4 x 0.

A década de 1960 foi toda do Boston, que venceu 9 títulos em 10 anos, de 1960 a 1969 (só perdeu em 1967 para o 76ers). Desses 9 títulos, 6 foram em cima do Los Angeles Lakers. Bill Russell foi o grande nome dessa geração. O pivô foi a 12 finais, vencendo 11. Nada mal… Pelo Lakers, Jerry West e Elgin Baylor eram os destaques, e só foram campeões em 1972.

Foto Andrew D. Berstein, NBAE/Getty

Se a rivalidade parasse aí já seria suficientemente forte e marcante. Mas na década de 1980 os dois times voltaram a ser os maiores protagonistas da liga. Oito dos dez títulos em jogo nos anos 1980 ficaram com Lakers ou Boston. Foram 5 para o time de LA e 3 para os Celtics. Foi a era de Magic Johnson, Michael Cooper, James Worthy, AC Green, Byron Scott e Kareem Abdul Jabbar (já no final de carreira). Pat Riley, hoje chefão do Miami, dirigia esses craques. 

Pelo lado do Boston, brilhavam a lenda Larry Bird e seus companheiros Robert Parrish, Kevin McHale e Danny Ainge. A NBA pegava fogo nessa época. A Liga ainda vivia o impacto estrondoso de Michael Jordan nos seus primeiros anos como profissional.  

Os fãs mais novos já devem se lembrar da próxima hegemonia dos Lakers, no início dos anos 2000, com o tricampeonato da dupla Kobe e Shaq sob a tutela de Phil Jackson. Ainda com Kobe e Jackson, o Lakers conquistaria mais dois títulos, em 2009 e 2010, o último justamente contra o Boston. O Boston venceu seu último título em 2008 com Paul Pierce e Kevin Garnett, sob o comando de Doc Rivers, em cima do Lakers. E por enquanto vamos esperar pelo menos mais um ano para reviver esse confronto histórico.

Foto: Matt A. Brown / Icon Sportswire

A temporada mais atípica da NBA vai ter, portanto, uma final inédita, com uma equipe tradicionalíssima e outra não tão acostumada a frequentar o evento mais esperado do ano na Liga. O Miami Heat nasceu na temporada 1987-1988, numa expansão da NBA, quando o Lakers já era gente grande. 

O Heat esteve em 5 finais da NBA (venceu 3). Em 2006, comandado por Pat Riley, o time tinha Shaquille O’Neal, Alonzo Mourning, Gary Payton, e Antoine Walker, mas foi o jovem Dwyane Wade quem levou o MVP das finais contra o Dallas. Com o trio Lebron, Bosh e Wade, viriam os outros dois títulos, em 2012 e 2013. O técnico era Erik Spoelstra (que fora assistente de Riley em 2006).

Lebron agora é o líder do time da Califórnia. Entra em quadra quarta-feira como grande favorito ao título contra o seu ex-time e seu ex-técnico. Hoje ele forma uma dupla quase imparável com Anthony Davis e tem bons coadjuvantes no apoio.

Mas o Miami surpreendeu até aqui. Muito forte do perímetro, com Goran Dragic, Tyler Herro e Duncan Robinson letais, ainda tem Bam Adebayo dominante no garrafão. O pivô do Heat vem de uma série com médias de 21,8 pontos e 11 rebotes. É um time que joga coletivamente, sem uma grande estrela, com muita movimentação, defesa forte e muito bem organizada.

O técnico Erik Spoelstra dá confiança aos seus jovens jogadores e tem em Butler, Iguodala e Dragic experiência suficiente para equilibrar as ações do time em momentos importantes das partidas.

Entre os possíveis adversários do Lakers, o Miami é o que tem o técnico que mais conhece Lebron James, afinal ele foi atleta de Spoelstra por 4 temporadas. Mas Lebron mudou e evoluiu de 2014 para cá e a experiência de 17 temporadas e 10 finais pode ser o principal fator de desequilíbrio deste confronto.

Foto Jamie Sabau/Getty Images

Lebron terá do outro lado Andre Iguodala, que chega a sua sexta final consecutiva e foi o MVP das finas de 2015, quando defendia o Warriors e conseguiu parar a fera então no Cleveland. De lá para cá, 5 anos se passaram (para os dois jogadores). Como será desta vez? 

O match entre Adebayo e AD deve ser uma das peças mais importantes do quebra-cabeça que vai definir esta final. Vai caber ao treinador do Heat fazer os ajustes para tentar frear o pivô do Lakers, que tem sido decisivo dentro e fora do garrafão. Por outro lado, o maior desafio do técnico do Lakers será parar o back court do Miami.   

Se o Lakers, favorito, chegar ao título, passará a ser, junto com o Boston, o time com mais trunfos na NBA (17 títulos cada). Caso o favoritismo se confirme, pode ter sido bom a reedição da tão sonhada final histórica não ter acontecido este ano. Porque ela certamente será mais emblemática se for disputada com as duas franquias lutando também pelo título de maior vencedor da história. Não acha?

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NBA

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Marcia Melsohn Ver tudo

Sou jornalista (PUC-SP) e professora de Educação Física (USP). Joguei basquete dos 9 aos 22 anos, do mini ao adulto. Trabalhei como redatora e repórter na Folha de S.Paulo (Editoria de Esportes e sucursais) e na Revista Placar. Como professora, dei aula de Educação Física e fui técnica de basquete na Chapel School, em São Paulo, durante 11 anos. De lá para cá, escrevo para sites e blogs de diferentes empresas. Muito feliz por poder dar meus pitacos agora sobre NBA aqui neste espaço tão valoroso.

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