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A Zona

Tyler Herro e Jimmy Butler defendem Kemba Walker
Butler sorri ao ver Kemba tentar passar pela defesa – divulgação Celtics

Desde que a NBA “liberou” a defesa por zona ela foi gradativamente sendo utilizada cada vez mais. Porém, essa utilização era ainda ligeiramente rudimentar e simples, algumas posses nos jogos, poucas variações, alguns erros de posicionamento dos atletas que muitas vezes não vemos em níveis internacionais graças a experiência nesse tipo de defesa. Mas, como eu disse, ERA assim. Ontem o Miami Heat mostrou uma defesa por zona que perdurou por três quartos e com variações diversas que dificultaram a vida do Boston Celtics.

Começando a ser utilizada no segundo quarto, foi implantada uma defesa 2-3 por Spoelstra mas que já não começou de maneira convencional. Ao invés de deixar os dois jogadores menores e mais leves na parte de cima da zona, foram Jimmy Butler e Andre Iguodala definidos para a tarefa por alguns motivos. Primeiro, com jogadores maiores nessa região os passes sofrem muito para entrar no garrafão, pois precisam ser mais altos, e os laterais precisam ser mais precisos, já que tem corpos maiores para desviar a bola. Além disso, a maneira como o Celtics se posiciona em quadra colabora para essa formação. Walker, Smart, Tatum e Hayward não possuem tantas vantagens físicas sobre os pequenos do Miami e a leitura deles auxilia para fazer ajustes rápidos caso necessário.

Defesa por zona do Miami Heat
Defesa 2-3 posicionada do Heat dificultando a leitura do Celtics.

Mas aí você pensa, e os rebotes? Pois bem, o Heat perdeu a batalha deles, mas por apenas 6 rebotes (40 x 46) e muito pela maneira que a equipe se comportava em cada um, com todo o time correndo para cada bola arremessada. Isso influenciou no ritmo do jogo, que quando não forçavam o turnover do Celtics, reduziam a velocidade e jogavam em meia quadra conseguindo ter mais tempo da bola na mão.

E para gerar os turnovers eles foram além de confundir o ataque do Celtics com uma zona imensa na parte de cima. Eles implantaram uma pressão que diminuía a velocidade que do ataque do Celtics E forçava a alguns erros quando a leitura do time de Boston era errada. Uma verdadeira aula de como estruturar um ritmo em diversas fases do jogo.

Defesa pressão do Miami Heat
Defesa pressão que se transforma em zona após a meia quadra.

Brad Stevens vai ter muito trabalho nos ajustes para o próximo jogo, no intervalo conseguiu fazer alguns que surtiram efeitos, mas Spoelstra com certeza vai fazer os seus na equipe também. O duelo tático da final do Leste é um dos mais intensos até agora e a cada partida da série existem mudanças significativas a partir do jogo anterior. Aguardando ansiosamente para o jogo 5.

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NBA

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Vitor Hugo Sarvas Ver tudo

Analista de desempenho desde 2014, acredita que a ciência e a prática podem e devem andar juntas. Escrever faz parte da maneira de divulgação científica e mostrar como de fato ambos se completam.

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