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A escola de verão de Giannis Antetokounmpo

A temporada 2019-20 de Giannis Antetokounmpo, ala do Milwaukee Bucks, foi muito parecida com a 2018-19. Um troféu de MVP, o segundo para sua conta, e uma saída dos playoffs com dificuldades para impor seu jogo na última série. A frustração certamente já bate na porta do grego.

Os playoffs são “um animal diferente”. Não adianta, é a verdade, por mais que a NBA mude. A série melhor de sete permite que o foco seja extremo. Cada ajuste gera, pelo menos na próxima partida, um reajuste. O jogo de Giannis, apesar de dominante, não tem muita variedade. 

Já passou da hora dele colocar os livros na mochila e voltar para as aulas. Professores selecionados a dedo farão com que Antetokounmpo tenha os recursos para diversificar seu jogo.

Adicionar é preciso. Todo verão os melhores jogadores da NBA tentam ganhar mais recursos para bater os adversários. Essa é a escola de verão de Giannis Antetokounmpo.

Professor Shaquille O’Neal

O primeiro período é com o mais dominante de todos os tempos. Com Shaq, Giannis terá aulas de posicionamento no post up (e esse é um tema recorrente nessa escola, usar Antetokounmpo mais no pivô) e jump hook.

Revendo alguns jogos dos Bucks, me impressionou a passividade de Antetokounmpo quando o time inicia um ataque. Ele costuma quase que acompanhar o armador. OK, um dos objetivos dos Bucks é penetrar e encontrar Giannis com a defesa desarrumada, correndo como um trem para a cesta, mas não precisa ser tão seguido.

Uma das artes que Shaq dominava, e vejo cada vez menos, era buscar uma posição cedo no ataque perto da cesta. Enquanto o seu marcador ainda estava distraído, ele corria na frente de todo mundo e, quando o time chegava no ataque, já tinha posição perto da cesta. Era receber a bola, girar e enterrar. 

A outra aula com o professor MDE é de jump hook. Para quem não conhece o jump hook, ele é o gancho mais comum. Aquele que o jogador salta com os dois pés, de lado para o aro. Não o lindo gancho dos céus de Kareem Abdul-Jabbar. Não é uma arma do arsenal de GA, mas Shaq dominava. Girando para os dois lados, o superpivô era impossível de parar. Giannis pode ter um sucesso parecido com o jump hook, quando não consegue chegar no aro.

Variedade é o segredo do sucesso. Morte por mil jump hooks.

Professor Magic Johnson

Já que o assunto é gancho, por que não roubar o Official junior junior skyhook do Magic Johnson? Ele é quase uma mistura de bandeja com um jump hook. Um jogador da altura de Giannis poderia tirar vantagem dos centímetros a mais que esse ganchodeja (bandegancho?) proporciona. 

Esse gancho também abre linhas de passe. Tentando pontuar em movimentação, mesmo que não uma linha direta ao aro, força a defesa a reagir. Alguém pode ficar livre dos 3 pontos, ou debaixo da cesta. 

Professor Hakeem Olajuwon

Antetokounmpo também deveria me imitar e passar horas e mais horas vendo vídeos do trabalho de pés de Hakeem “The Dream” Olajuwon. Parem um pouco e olhem o vídeo ali em cima. Eu espero. Voltaram? Que trabalho de pés espetacular que tinha Hakeem.

Focando mais no post up, mas agora, em vez de estar de costas Giannis estará de frente, no face up. Movimentos rápidos, decisivos e com infinitos contragolpes para quando a defesa se adapta. Giannis pode fazer chover aprendendo alguns desses movimentos.

Professor David Robinson

Mantendo o quesito face up, outro cara para Antetokounmpo estudar é o Almirante David Robinson. Nem perto do repertório de Hakeem, mas o Almirante tinha uma boa variedade de movimentos olhando para a cesta. O principal, era a finta para bater para o aro. 

Antetokounmpo tem agilidade, força, explosão e habilidade o suficiente para imitar Robinson. Só que com a mão direita. 

Ainda seria melhor ver Antetokounmpo ganhar uma fluidez para seu arremesso. Facilitaria com o pull up se a defesa cortasse o caminho para o aro e permitisse o chute. Não precisa ser prioridade no momento, mas ajudaria. 

Professor George Gervin

Imaginem a cena: Giannis Antetokounmpo batendo para a cesta, defesa formando a parede, esperando que ele tente a enterrada. O grego sobe perto da linha pontilhada e só larga a bola em um finger roll amanteigado. Defesa olha a bola descrevendo um arco perfeito por cima dos dedos esticados do pivô que subiu para o toco. Ela não toca em nada além do fundo da rede. Parliament/Funkadelic começa a tocar no fundo.

Se Giannis adicionar um finger roll parecido com o de Iceman, e imitar o ex-ala do San Antonio Spurs em figer rolls e floaters pode entregar o título. E um título vencido com estilo. Se ele ainda por cima deixar o black power crescer então…

Professor Arvydas Sabonis

Já que vamos colocar Giannis mais no post up nesse mundo imaginário, a defesa vai reagir. A maneira mais comum da defesa reagir é dobrando a marcação. Não existe ninguém melhor para dar aulas de como passar do post como Arvydas Sabonis.

O lituano, infelizmente, chegou tarde na NBA. Mesmo assim, mostrou a visão de quadra que tanto enlouqueceu os defensores da FIBA durante toda sua carreira. Giannis não vai conseguir essa visão emprestada, mas pode aprender como reconhecer melhor a dobra e onde passar a bola. Com bons arremessadores de 3 e alguém cortando para a cesta como Robert Horry fazia para Shaq, e o ataque dos Bucks ganha outra dimensão.

Nenhuma das sugestões acima é complicada de se aprender. Nem o trabalho de pés de Hakeem. Afinal, o ala não precisa de todos os movimentos, somente o suficiente para manter a defesa adivinhando o que vem depois, bem ao contrário de seu jogo atual. 

Boa aula!

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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