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Em Miami saem as estrelas, entram os azarões

Tyler Herro #14, Jimmy Butler #22 e Bam Adebayo #13 do Miami Heat em jogo contra o Chicago Bulls na temporada regular da NBA. Copyright 2019 NBAE (Photo by Issac Baldizon/NBAE via Getty Images)
Oito de Julho de 2010, um dia que ficou marcado na cabeça de todo fã de basquete no mundo. Há mais de 10 anos, LeBron James anunciava em entrevista ao vivo para a ESPN que levaria seus talentos para South Beach (praia famosa de Miami). No dia anterior, Wade e Bosh já haviam anunciado seu compromisso com o Heat e assim a NBA se transformava para sempre. Estava consolidada a era dos Big Threes na NBA. O trio chocou a liga e alterou as estruturas, transformando Miami em um imediato favorito ao título.

A chegada dos craques foi motivo de festa na cidade, tanto por parte dos torcedores como pela franquia. Heat, LeBron, Wade, Bosh e os fãs não conseguiam esconder o clima de “Já Ganhou” que pairava sobre a equipe com a formação do trio de estrelas. Durante a festa de boas-vindas promovida pela franquia aos atletas, LeBron James, ao ser questionado sobre quantos títulos aquela união geraria, projetou: “Não dois, não três, não quatro, não cinco, não seis, não sete!” . O tom era de brincadeira, mas de modo geral mostrava a confiança de que eles poderiam estabelecer uma dinastia e vencer mais do que sete títulos da NBA. Segundo Wade, aquele poderia ser considerado o melhor trio da história da liga, mesmo antes de os jogadores sequer terem pisado em quadra juntos.

Lebron, Bosh e Wade recebem uma festa de boas-vindas do Miami Heat na American Airlines Arena.

O Big Three se separou ao fim da temporada 13-14 com a saída de LeBron. Dos tantos títulos projetados, Miami conquistou apenas dois. Porém, de alguma forma, o otimismo sobre aquela equipe se justificou. Afinal, foram quatro temporadas e quatro finais, além de lances espetaculares marcados na memória dos fãs da liga para sempre.

Com a saída de James e as lesões sofridas por Bosh e Wade, o Heat não conseguiu competir novamente da mesma forma e amargou temporadas sem playoffs, assim como eliminações em estágios iniciais do mata-mata.

Durante esse tempo a estrutura da NBA se alterou. LeBron voltou a Cleveland com outro Big Three, a dinastia Warriors surgiu e agregou a força de Kevin Durant. San Antonio se dissolveu, mas Miami seguiu sob o comando de Pat Riley e Erik Spoelstra e com isso veio uma nova ideia. Durante a última free agency, Pat Riley conseguiu adicionar o talento de Jimmy Butler à equipe. Jimmy chegou para liderar um time muito diferente daquele formado em 2010. Sem festas, sem promessas, sem superestrelas. Apenas atletas que trabalham duro e dão o melhor de si a cada jogo. Os atletas sabiam que não seriam favoritos para vencer e isso se transformou em motivação.

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Depois de seis anos, o Miami Heat volta às finais da Conferência Leste com a força dos rejeitados. Alguns jogadores que passaram por vários times, outros chegaram via Draft com menos destaque do que jovens estrelas da liga selecionados nas primeiras posições. Exemplos? Butler foi a 30ª escolha em 2011; Adebayo, a 14ª escolha em 2017; Dragic, a 45ª escolha em 2008; Crowder, a 34ª escolha de 2012; Herro, a 13ª escolha de 2019; por fim, Robinson sequer foi draftado em 2018. Os atletas parecem ter se conectado a esse sentimento e nesta temporada se afeiçoaram a pertencer a um grupo formado apenas por azarões, ou como dizem os americanos, underdogs. Sem os holofotes que rodeavam os Heatles, o novo Miami tem mais cara de Bad Boys, talentoso, mas brigador acima de tudo.

Goran Dragic canta a música do filme Bad Boys de Will Smith

A trajetória da conferência Leste coloca novamente no caminho do Miami Heat alguns de seus grandes rivais da época do trio de estrelas. A equipe já eliminou Indiana e agora lidera a série contra o Boston Celtics nessa final de conferência após fazer uma demonstração de força e despachar Milwaukee, a melhor franquia da temporada regular, com um 4-1. Após a vitória sobre os Bucks, Miami passou a ser respeitado pelos fãs e pela liga da forma que o líder dessa equipe sempre acreditou, mas não pense que a equipe se importa com o que alguém pensa. Seja para o bem ou para o mal, esses jogadores não ligam para o que as pessoas falam. Em entrevista para a jornalista Rachel Nichols da ESPN americana, Jimmy fez questão de afirmar que o Heat não se importa com o que é falado sobre o time e reforçou a confiança de que este time pode ser campeão ainda nesta temporada.

Durante a temporada regular, Miami se classificou em quinto lugar, sem sequer ter conquistado o teórico mando de quadra da bolha. Isso engrandece ainda mais o feito dos underdogs. Esse elenco garantiu que o Heat fosse o classificado mais baixo da história (5º) a abrir os playoffs com seis vitórias e nenhuma derrota. Um certo jogador que vestia a 23 dos Bulls disse uma vez: “Playoffs separam os homens dos meninos”.Ficou claro para todos que, nesse grupo, meninos não têm vez. O Big Three de 2010 tinha como objetivo vencer, mas ainda gerar entretenimento dentro e fora das quadras, entretanto, a única coisa que importa para esse novo formato liderado por Jimmy Butler, Bam Adebayo e Goran Dragic é o troféu Larry O’Brien.

Kevin Leal Ver tudo

Jornalista em formação pela Escola de Comunicação da UFRJ, torcedor fanático da maior franquia da NBA e devoto de Marcus Smart. #CelticsBasketball

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