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Os playoffs não são para qualquer um

Foto de: John G. Mabanglo/EPA-EFE

A pós-temporada, sem dúvidas, é a fase mais esperada da NBA. Os 16 melhores times da liga, em tese com os melhores jogadores. Todo mundo quer ver as estrelas brigando pra colocar seu nome na história, assim como os jovens querendo provar que podem, sim, assumir o barco de suas franquias.

Porém, querendo ou não, é a hora onde muitos jogadores se mostram apenas “leões” de temporada regular e não matadores em playoff. Assim como os jogadores mais cascudos provam que ainda estão ali e que no fim a experiência conta e pesa muito a favor deles. Só para dar um exemplo: na semifinal da Conferência Oeste, entre Houston Rockets e Los Angeles Lakers, tivemos uma amostra do que é o “Playoff Rondo”.

Rajon Rondo sem dúvidas em seu auge foi um dos três melhores armadores da NBA. É óbvio que ao longo do tempo ele foi perdendo um pouco da qualidade que tinha, mas a experiência e a visão de jogo de um veterano como ele, que jogou em times vencedores e é um grande competidor, fez muita diferença na série contra Houston. Ele já tinha feito a diferença nos playoffs de 2018 contra os Trail Blazers quando os Pelicans varreram o time de Damian Lillard com uma grande série do armador. Rondo em inúmeros momentos tira o peso de LeBron de armar o jogo, assim James pode se desgastar menos e agir mais como um pontuador e defensor de elite que é. Além disso, Rondo tem uma leitura defensiva sensacional, já foi líder de roubadas de bola da liga e tem um QI defensivo extremamente importante para o banco dos Lakers.

LeBron, Rondo e Kuzma comemorando a vitória no jogo 3. Foto de: Kim Klement-USA TODAY Sports

E o que falar sobre LeBron James? Bom, mesmo assumindo e desempenhando magistralmente uma função nova esse ano com os Lakers, LeBron mostra que é como o vinho: quanto mais velho melhor. O playoff é o palco dele, a atenção toda vai para ele. Na temporada passada, pela primeira vez depois de oito anos, a final da NBA não teve Lebron James. Nesse ano, as coisas parecem ter voltado ao normal. King James segue mostrando o alto nível de sempre nessa fase e que, com os companheiros ao seu lado desempenhando em um bom nível, ele é grande favorito ao título. Até aqui, são 26 pontos de média, com 10 rebotes, 7 assistências e quase 2 tocos por partida. Lidera a equipe ao lado de Anthony Davis, que sem dúvidas vem se provando na fase decisiva da temporada e sendo um ótimo suporte para LeBron.

A mesma coisa vale para a superestrela da outra franquia de Los Angeles, Kawhi Leonard. “The Klaw”, duas vezes MVP das Finais, é conhecido por ser decisivo quando é preciso ser. Foi assim com os Spurs ao assumir a função de franchise-player levando o time a uma final de conferência, onde acabou se machucando no primeiro jogo contra o Golden State Warriors em 2017. Foi decisivo também em Toronto, levando a equipe com fantásticos coadjuvantes como um emergente Pascal Siakam e Kyle Lowry desafogando o jogo, ao seu primeiro e até aqui único título da NBA. Além disso, protagonizou um dos arremessos mais memoráveis da história da pós-temporada.

Entretanto, Kawhi não fez uma fantástica série contra os Nuggets. Isso aliado a erros de Doc Rivers em momentos decisivos, Paul George apático e um fenomenal Nikola Jokic, rendeu a eliminação aos Clippers mesmo após liderarem a série por 3-1.

Com a vitória no jogo 7, os Nuggets se tornaram o primeiro time da história dos playoffs da NBA a ganhar duas séries consecutivas chegando a perder por 3-1 em ambas. Jamal Murray teve 40 pontos e se tornou o segundo mais jovem com essa pontuação em um jogo 7. Leonard e Paul George fizeram partidas pífias e viram o sonho do título ir embora nesta temporada.

Nikola Jokic se tornou o único jogador da história a ter 2 jogos 7 com triplo-duplo.

Já no Leste, os olhos vão todos em um ascendente MIami Heat. Liderado por Butler e Dragic, o time aliou a experiência de jogadores como Iguodala, Butler, Dragic a um ótimo núcleo jovem.

Como mostram os números, Jimmy Butler foi um dos piores arremessadores da temporada regular entre os qualificados para o ranking. Mas nesse playoff se mostrou decisivo em inúmeros momentos e com a confiança para o arremesso de três pontos de volta tem sido um fator crucial para o Miami Heat. Butler marcou 40 pontos no jogo 1 contra os Bucks, recorde pessoal em playoff. Butler e Adebayo são os grandes expoentes do Heat quando o jogo aperta, um ofensivamente sempre chamando o ataque, enquanto o outro sendo um perfeito pilar defensivo. Já vimos isso no jogo 1 das finais do Leste, com Butler sendo decisivo no ataque e Adebayo garantindo a vitória na defesa.

Além de todos os jogadores, o que talvez mais diferencie o Heat dos demais é o seu técnico. Claro que Brad Stevens (três finais de conferência nas últimas quatro temporadas) e Frank Vogel são fenomenais nomes do momento e Mike Malone tem se mostrado cada vez mais cirúrgico nos ajustes para fechar as séries. Erik Spoelstra tem tudo isso. Treinador do BIG-3 que deu dois títulos a Miami em 2012 e 2013, Spoelstra deu uma aula de como anular o (bi?) MVP Giannis Antetokounmpo nas semifinais de conferência, expondo as fraquezas do grego fora do garrafão e capitalizando em cima dos MUITOS turnovers dos Bucks. Pat Riley mais uma vez deu uma aula como executivo, montando um time competitivo e com reais chances de se tornar campeão novamente.

Mas para o Heat avançar, precisa passar pelos Celtics da dupla Jay-Jay.

Jayson Tatum contra Fred VanVleet no jogo 7. Foto de:Kim Klement USA TODAY Sports

Os Celtics eliminaram o atual campeão em sete jogos com algumas dificuldades, mas sem dúvidas com muitos elogios também. Jaylen Brown provou sua constância e fez um fantástico trabalho defensivo em Pascal Siakam. Jayson Tatum assumiu de vez o barco e ao lado de Marcus Smart vem liderando Boston nesse playoff. Marcus Smart é o grande líder do time não só defensivamente, mas fora de quadra também. Na série contra Miami, Boston ainda poderá contar com Gordon Hayward novamente. Ele fez falta em alguns momentos da semifinal, visto que era peça chave na rotação até sua lesão.

Os playoffs estão afunilando e agora cresce a ansiedade para ver quem sai vivo no final. Com só quatro times, é hora de ver quem é O cara dos caras.

Eduardo Moreira Ver tudo

Tenho 16 anos e sou apaixonado em basquete. quero compartilhar a visão e meu mínimo conhecimento com todos

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