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Uma viagem para o futuro: quem serão os top players da NBA daqui a 10 anos?

Imagem: ClutchPoints

Ídolos… A NBA sempre se alimentou de seus ídolos. Em toda sua história, jogadores de extremo talento e carisma encabeçaram o marketing da liga e ajudaram a sustentar ou promover o sucesso da marca. Hoje em dia, com o mundo totalmente digitalizado e online, a presença desses ídolos parece ser ainda mais importante e marcante.

Jerry West, Wilt Chamberlain, Oscar Robertson, Kareem Abdul Jabar, Julius Ervin, Magic Johnson, Larry Bird, Michael Jordan, Kobe Bryant e  Shaquille O’Neal são algumas das estrelas, que fazem parte da categoria dos fora-de-série, que lideraram a NBA na busca pela credibilidade e enorme popularidade nos Estados Unidos e no mundo.. 

São nomes que, se estivessem em um museu, estariam na prateleira mais alta ou numa sala especial, caso o assunto fosse “melhores jogadores”, cada um na sua época. Pode haver outros, pois opiniões são subjetivas e passionais, mas não vamos entrar nesse mérito agora.

Hoje, essa prateleira super exclusiva é ocupada pelo Big 4 formado por Lebron James, Stephen Curry, Kevin Durant e Kawhi Leonard. Calma! Há vários outros futuros hall of famers em atividade, excepcionais jogadores importantíssimos para o sucesso da Liga, como também foram no passado John Stockton, Karl Malone, Charles Barkley, Scottie Pippen, Isaiah Thomas, David Robinson, Tim Duncan, que estão inegavelmente entre os melhores da história.

Antetokounmpo, Jokic, Harden, Kyrie, Westbrook, Klay Thompson, Chris Paul, Lillard, Lowry entram nessa categoria. Você pode incluir ou excluir quem quiser dessa lista. É mais do que justo. Afinal, como eu disse antes, é um julgamento bastante subjetivo e muitas vezes passional. Mas acredito que estes 4 (Lebron, Curry, Durant e Kawhi) estão em outro patamar quando se fala em NBA atualmente. 

É sobre esta prateleira, que inclui a elite da elite, que quero falar. Lebron faz 36 anos no final deste ano. Curry e Durant estão com 32 (Durant completa este mês) e Kawhi, o mais novinho do grupo, o único que nasceu na década de 1990, está com 29. 

O exercício que me fiz e que proponho aqui é: quem vai ocupar essa prateleira daqui a 10 anos, quando estes 4 top players já terão virado história? Quem vai carregar a imagem da NBA pelo mundo afora em 2030?

Claro que é um exercício, quase uma brincadeira, porque é impossível  imaginar tudo que pode acontecer nesse longo período. 

Eu escolhi para começar a brincadeira um grupo de jovens que se destacam hoje na NBA. As peças desse “jogo” são, portanto, os rising stars de 25 anos ou menos, que terão daqui a uma década a idade que o Big 4 tem hoje. Que tal?

Então, na minha seleção de prováveis VIPs (Very Important Players) de 2030 entram apenas jovens que já são protagonistas nos seus times hoje. E não só isso. Já têm status e responsabilidade de franchise players. 

Mas há, claro, outros jogadores que ainda não explodiram e que podem vir a brilhar no futuro. Eles podem estar até mesmo no College ou no High School. O caso mais clássico é o próprio Stephen Curry. Dez anos atrás, alguém diria que aquele menino franzino se tornaria o que hoje ele representa para a Liga? Por isso, espero que escrevam suas opiniões e sugestões nos comentários ali embaixo. Quanto mais pitacos, melhor.

Bom, vamos aos principais candidatos a serem a cara da NBA daqui a uma década. Detalhe: os 3 primeiros da minha lista são europeus.

Foto: Ken Blaze -USA Today Sports

Luka Doncic (fev 1999) – Este é indiscutível e acredito que unanimidade. Se hoje já é um dos principais nomes da liga, ofuscando o brilho de algumas estrelas já consagradas, em que patamar estará o esloveno daqui a 10 anos, quando ainda será mais jovem do que são hoje Curry, Durant e Lebron? 

Um dos mais precoces talentos da história do basquete, Doncic foi ROY na temporada passada e no seu segundo ano na Liga já carrega a franquia do Dallas Mavericks nas costas. Aos 21 anos, é o responsável direto pela volta do time aos playoffs, já bateu inúmeros recordes individuais e tende a continuar quebrando tudo. 

Comparado a Magic Johnson e Larry Bird, Luka é extremamente inteligente, tem visão de jogo fenomenal, passes mágicos e arremesso letal, além de ser muito maduro para a idade, o que fica evidente quando ele não cai em provocações e assume a responsabilidade em momentos cruciais do jogo.

Apesar de não ter saído vitorioso, Doncic foi o destaque da primeira rodada dos playoffs na bolha, com direito a um buzzer beater histórico no 4o jogo contra o Clippers que deu sobrevida à franquia no confronto. Neste jogo ele ainda se juntou a Charles Barkley e Oscar Robertson como os únicos a fazerem um triple-double com mais de 40 pontos/15 rebotes/10 assists em um jogo de playoff. 

Sobre Doncic, a única dúvida é: até onde ele pode chegar?

Giannis Antetokounmpo (dez 1994) – O grego terá daqui a 10 anos exatamente a idade que Lebron James tem hoje. Mas aos 25 anos, já é uma realidade: franchise player do Bucks, dono de um troféu de MVP, do título de melhor defensor da liga e provavelmente ganhará outros prêmios nos próximos anos.

Antetokounmpo já é, portanto, um dos principais nomes da Liga e, assim como Doncic, a dúvida é até onde o grego pode chegar com seus braços enormes e passadas gigantescas.

Na defesa ele incomoda qualquer adversário (é o atual defensor do ano) e é ponto fundamental no seu time. Do outro lado da quadra, apesar de ser dono de números espetaculares, Giannis ainda precisa aprimorar o arremesso de média e, principalmente, de longa distância, elemento indispensável no jogo atual. Na transição é imparável, mas no 5 x 5 tem vários pontos a desenvolver, individualmente e no coletivo. 

Mas isso é bom quando olhamos para um jogador de 25 anos. Tem tempo e muita determinação para trabalhar tudo que precisa ser melhorado e, se já está nesse nível hoje, o que esperar de Giannis nos próximos 10 anos? 

Nikola Jokic – Confesso que, por estar no limite da idade nessa nossa previsão (assim como o grego, estará com 35 daqui a 10 anos), não sei se Jokic consegue se segurar em altíssimo nível até lá, por causa do seu físico, claro, que não é dos mais atléticos. Porém, a genialidade do sérvio do Denver Nuggets é tamanha que é capaz que ele encontre maneiras de fazer a inteligência privilegiada suprir alguma eventual falta que o baixo atleticismo possa lhe trazer.

Mesmo que ele se cuide e não tenha lesões importantes, acredito ser mais provável que Jokic atinja seu auge daqui a uns 5 anos e dificilmente segure por mais 5. Mas pela importância que tem hoje na Liga, não há como deixar o Joker de fora dessa brincadeira. 

Ninguém duvida que o sérvio é um jogador diferenciado. Do alto dos seus 2,13m, sua visão de jogo e seus passes estão naquele nível que raríssimos jogadores já atingiram algum dia e fazem com que ele seja chamado por muitos de pivô-armador do time do Denver. Algo raro, não é? Não só na NBA de hoje. Na história da Liga. Já merece um lugar em qualquer prateleira especial. Agora é esperar para ver se será eternizado na mais exclusiva de todas.

BOSTON, MASSACHUSETTS – DECEMBER 12: Jayson Tatum #0 of the Boston Celtics points down court during the game against the Philadelphia 76ers at TD Garden on December 12, 2019 in Boston, Massachusetts. NOTE TO USER: User expressly acknowledges and agrees that, by downloading and or using this photograph, User is consenting to the terms and conditions of the Getty Images License Agreement. (Photo by Maddie Meyer/Getty Images)

Jason Tatum – Número 3 no draft de 2017, atrás de Fultz (Sixers) e Lonzo Ball (Lakers) (!!!!), Tatum já é realidade no Boston. Assumiu naturalmente o papel de principal nome da franquia no seu terceiro ano na Liga. 

Jogador bastante técnico, Tatum busca incessantemente se aperfeiçoar e entende bem o seu papel no time e no jogo. Sua evolução ano a ano é evidente e se tivesse ganho Most Improved Player nessa temporada, não teria sido absurdo. Chegou ao All Star Game na sua terceira temporada e tem números que mostram claramente essa evolução: de 13,9 pontos e 5 rebotes no seu rookie year para 23,6 pontos e 7,1 rebotes este ano. Seus tiros de 3 convertidos por partida mais do que dobraram de lá para cá: de 1,3 por jogo para 2,8.

Mas mais importante que isso é a postura de liderança que ele assumiu na equipe do Boston. E nos playoffs na bolha tem provado que este papel lhe coube muito bem. Aos 22 anos, lidera com sua atitude. O tempo vai trazer mais experiência e fazer com que a ex-estrela de Duke amadureça ainda mais. Mas os torcedores do Celtics podem se animar, afinal é bem provável que tenham novamente um dos maiores nomes da NBA.

Trae Young – Com um basquete moderno e eficiente, Young tem tudo para ser um dos grandes astros da liga. Comparado por muitos com Stephen Curry, mas com personalidade própria, vem liderando o Atlanta Hawks, dando ao time a sua cara e chamando demais a atenção dos adversários. Na verdade, o sistema do Hawks está sendo construído ao seu redor. E isso não é pouco para um segundo anista.

Só o fato de ter superado rapidamente a polêmica que envolveu ele e Doncic no draft e ter se estabelecido como All Star já no seu segundo ano de NBA (foi starter assim como Doncic), já mostra a força da personalidade e o tamanho do talento que Trae Young carrega. 

Mesmo com uma porcentagem de acertos modesta (média de 34,4%), Trae já é considerado aos 22 anos um dos principais arremessadores de 3 pontos da liga, principalmente porque é capaz de score de qualquer ponto da quadra. Excelente no pick and roll, ainda é dono de uma visão de jogo e de passes comparados aos dos melhores que a liga já teve. Aperfeiçoou as infiltrações e o floater nessa temporada. Sua média de pontos por jogo subiu praticamente 50% do primeiro para o segundo ano, de 19,1 para 29,6.

Nos próximos anos Trae precisa ganhar força física, subir sua porcentagem do perímetro, melhorar a defesa e mostrar regularidade. Mas nada disso deve ser difícil para ele, que parece estar muito focado e no caminho certo.   

Devin Booker – Décima terceira escolha do forte draft de 2015, Devin Booker chegou ao Suns como uma grande esperança ofensiva. E em sua segunda temporada, aos 20 anos, já provou que as expectativas procediam. Entrou para a história anotando 70 pontos em uma única partida, em uma derrota para o Celtics (130-120). Foi recorde da franquia e maior pontuação na NBA desde os 81 pontos de Kobe Bryant em 2006. 

O ex-jogador da universidade de Kentucky se transformou no centro do rebuild do Suns e sempre se manteve com bons números. Este ano, na bolha, conseguiu mostrar todo seu potencial e foi o principal destaque do final da temporada regular, com números excepcionais (médias de 30,5 pontos, 4,9 rebotes, 6 assists e 50,3% de acertos nos arremessos), incluindo um buzzer beater contra o Clippers, que levou o time do Arizona a ser o único invicto em 8 jogos no Complexo Disney. 

Apesar de essa campanha não ter sido suficiente para que o time chegasse aos playoffs, Booker ajudou a mostrar que esse Phoenix pode ser um time vencedor. E prestes a completar 24 anos, com status de franchise player, ele passa a ser mais respeitado, com potencial para, mais maduro, ser um dos maiores da Liga. 

Donavan Mitchel –  Mitchel tem a mesma idade de Booker (1 mês separa o nascimento dos dois), também foi a 13a escolha do draft, porém dois anos mais tarde, em 2017. Foi escolhido pelo Denver e trocado para o Jazz. Tinha como grande trunfo quando saiu da Universidade de Louisville, além da grande envergadura (2,10 m), o atleticismo. E realmente este é um fator que faz a diferença no seu jogo. 

Explosão, velocidade e impulsão fora do comum favorecem suas infiltrações e contra-ataques. Em arremessos de quadra, o “spider” tem sido regular nesses 3 anos, com médias de aproveitamento de 48,7% de 2 pontos e 35,5% de 3 pontos. Mas Mitchel precisa amadurecer e melhorar sua leitura do jogo, o que vai ajudá-lo a fazer as melhores escolhas em quadra. Dessa forma, será um forte candidato a fazer a diferença na Liga lá na frente.

O duelo que travou com Jamal Murray recentemente no confronto com o Denver na bolha comprova o potencial de Mitchel e atesta, para quem ainda tinha alguma dúvida, que ele é o homem da franquia de Utah nos próximos anos. 

Zion Williamson (jul 2000) – O mais novo desta lista, Zion entrou na NBA com hype nível Lebron e neste primeiro ano não teve chance de justificar plenamente todas as expectativas em torno do seu nome. Lesões…

Em função do seu físico (2,01 e 130 kg) e de tudo que sua descomunal capacidade atlética lhe proporciona (principalmente a altura que ele alcança nos saltos), a probabilidade de as lesões continuarem atrapalhando o caminho da estrela do Pelicans não é pequena. E isso pode atrapalhar bastante sua carreira. 

Seus tocos e enterradas espetaculares hipnotizam os torcedores, porém Zion ainda tem bastante a aprimorar na parte técnica, especialmente no jogo do perímetro, bem como no entendimento do jogo. Mas é fato que seu potencial é enorme e, caso consiga administrar a questão “físico x lesões”, tem tudo para fazer história na NBA.  

Ja Morant – O título de Rookie of the Year poderia ter vindo com um asterisco para Ja Morant, porque que o grande favorito ao troféu, seu amigo e ex-colega de time no High School, Zion Williamson, acabou ficando fora da disputa por causa de lesões. Mas a performance da mais nova estrela do Grizzlies foi tão arrebatadora que ninguém ousou questionar o seu feito. 

O ex-astro de Murray State liderou os novatos este ano em pontos por jogo (17,8) e assistências (7,3), mas impressionou mesmo com suas infiltrações e enterradas sensacionais, além de uma maturidade incomum para os seus 21 anos. Sua personalidade também chamou a atenção desde sua chegada à franquia, quando entrou em polêmica com Iguodala pelo Twitter (até Stephen Curry se envolveu).

Morant chegou a uma equipe desacreditada (dizem que até pelo próprio Iguodala) e fez com que o Memphis, surpreendentemente, chegasse à bolha e lá quase atingisse os playoffs. O time acabou perdendo no play in para o Portland. 

Se ganhar força física vai poder ser mais efetivo na defesa e atacar ainda melhor o aro. Este ano teve 33,5% de aproveitamento nos arremessos de 3, porém só tentou 2,7 vezes por jogo, mostrando que não está confortável nesse fundamento.

Morant é habilidoso, tem um atleticismo comparado ao de Westbrook e um ótimo QI de basquete (apesar de ter cometido muitos erros nessa primeira temporada – 3,9 por jogo). Apresenta também uma enorme capacidade de liderança dentro e fora da quadra. Essa combinação pode levá-lo a se tornar a cara da nova geração de armadores de elite da NBA.

Bom, a bola agora está com vocês! Quais desses jogadores conseguirão chegar ao nível do Big 4 de hoje? Ou você acha que há outros jovens tão promissores ou mais que estes? Quem vai reinar depois que as lendas Lebron, Curry, KD e Kawhi se aposentarem? Façam suas apostas, dêem seus palpites, escrevam nos comentários!  

Marcia Melsohn Ver tudo

Sou jornalista (PUC-SP) e professora de Educação Física (USP). Joguei basquete dos 9 aos 22 anos, do mini ao adulto. Trabalhei como redatora e repórter na Folha de S.Paulo (Editoria de Esportes e sucursais) e na Revista Placar. Como professora, dei aula de Educação Física e fui técnica de basquete na Chapel School, em São Paulo, durante 11 anos. De lá para cá, escrevo para sites e blogs de diferentes empresas. Muito feliz por poder dar meus pitacos agora sobre NBA aqui neste espaço tão valoroso.

3 comentários em “Uma viagem para o futuro: quem serão os top players da NBA daqui a 10 anos? Deixe um comentário

  1. Boa, Alê! Bons palpites. São 4 jovens bem especiais mesmo. Acho até que se comparamos com o Big 4 de hoje, tem uma certa correspondência: Doncic/Lebron, Trae/Curry, Tatum/Kawhi e Giannis/KD. Valeu!

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