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Fim da linha para o Moreyball nos Rockets?

General Manager Daryl Morey em coletiva de Imprensa. Foto de Bill Baptist/NBAE via Getty Images

Ame-o ou odeie-o, é praticamente impossível permanecer neutro a Daryl Morey, um dos mais famosos executivos da NBA. O General Manager de Houston está na liga desde 2007 e sua franquia acumula o segundo melhor retrospecto neste espaço de tempo, com 640 vitórias e 400 derrotas, um percentual de aproveitamento de 61,53%. Com seu estilo controverso baseado em análises estatísticas, Morey estabeleceu uma das mais bem sucedidas franquias do século. Baseando-se em bolas de três e infiltração, eliminou completamente o mid-range do plano de jogo de Houston. Tal visão mudou inteiramente o basquete jogado na NBA e rendeu um nome em homenagem ao seu “criador”, o Moreyball.

“O JOGO MUDOU” 200 principais locais de arremesso em 2001-02 comparado a 2019-20. Gráfico produzido pelo analista Kirk Goldsberry

Moreyball é uma derivação do termo Moneyball, criado no beisebol como uma forma de selecionar jogadores subvalorizados via observações estatísticas. A técnica é tão famosa que rendeu um filme estrelado por Brad Pitt (O Homem que mudou o jogo). Morey, que é um entusiasta de dados, aplicou isso em sua equipe. O General Manager adquiriu o treinador Mike D’Antoni em junho de 2016 para comandar o time. Com D’Antoni, os Rockets possuem um plano ofensivo de atacar em poucos segundos com o maior número de arremessadores possíveis no perímetro para uma bola de três.

Com Morey e D’Antoni, Houston quebrou diversos recordes ofensivos na NBA. Dentre eles, o de maior número de arremessos de 3 convertidos (27) e o maior número de arremessos tentados (70). O sistema de Morey, apesar de simples, é difícil de se aplicar em outras equipes, porque boa parte da funcionalidade de seu sistema se deve à presença de um dos melhores jogadores ofensivos da história da NBA, James Harden.

O atleta foi adquirido por Houston via troca em 2012. A negociação é considerada uma das melhores movimentações da história da franquia. Harden é o jogador perfeito para o sistema e o sistema permitiu que ele se tornasse MVP, três vezes cestinha da NBA e um dos melhores jogadores da liga no geral.

Entretanto, mesmo com excelentes números de aproveitamento, Houston falhou nos momentos cruciais. No meio do caminho tinha os Warriors, tinha os Warriors no meio do caminho. Nos últimos cinco playoffs, os Rockets tiveram Golden State como vilão em quatro ocasiões. Por conta disso, Houston segue sem vencer o troféu Larry O’ Brien desde 1995. O ataque elaborado por Morey que permitiu Houston a chegar na posição de disputar com Golden State foi também responsável pela eliminação traumática na temporada 2017-18.

Houston vinha de uma temporada regular em que venceu 65 das 82 partidas que disputou, conseguiu abrir 3 a 2 contra o campeão Golden State Warriors nas finais da Conferência Oeste, mas uma lesão tirou o armador Chris Paul dos dois últimos jogos da série. Além disso, uma sequência negativa de 27 arremessos consecutivos errados por parte da franquia texana permitiu com que Golden State vencesse a série em 4 a 3.

Harden e Chris Paul reclamam de marcação da arbitragem em jogo contra Golden State. Foto por Lachlan Cunningham/Getty Images

Na temporada seguinte, um novo confronto contra os Warriors e uma nova eliminação. A relação Harden e CP3 estava insustentável e Morey precisou escolher um dos jogadores. A escolha óbvia foi manter o jogador mais jovem e mais talentoso. Harden seguiu na equipe e Paul foi trocado por Russell Westbrook, MVP da temporada 2016-17.

A troca foi motivada pela amizade de Harden e Westbrook, mas o encaixe dos jogadores em quadra não é simples, ainda mais ao considerarmos que Westbrook é um mau arremessador pra três. Para isso, Morey desbloqueou o nível máximo de Small Ball ao trocar o pivô Clint Capela para os Hawks. Essa troca fez com que PJ Tucker, um atleta de 1,96m atue defendendo os pivôs adversários, 20 centímetros mais altos. Apesar da dificuldade defensiva, Houston conseguiu maximizar o espaçamento de quadra permitindo a Wesbrook aproveitar as infiltrações e pontuar como um pivô utilizando sua intensidade física. O GM fez movimentações que colocam em risco o futuro franquia ao se desfazer de escolhas de draft, como na troca por Westbrook, por jogadores experientes que encaixem em seu sistema.

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Os trabalhos tanto de Morey quanto de D’Antoni já vêm sendo questionados e mais um fracasso pode ser fatal para os profissionais. Houston possui dois MVP’s na equipe com mais de 30 anos e os dois serão agentes livres em 2022. Neste momento, a franquia corre contra o tempo. O investimento financeiro feito desde 2007 em estrelas e uma equipe competitiva precisa ser recompensado com o título. Neste ano, Houston não terá Golden State pela frente (a franquia não se classificou aos playoffs), mas precisará passar pelas duas franquias de Los Angeles que são favoritas para a temporada. A série contra os Lakers é definitiva para Morey e para seu ultra-small ball contra uma equipe que joga grande como LA. A vitória contra os Lakers pode significar ainda mais para Daryl Morey, já que a franquia roxa e dourada possui um dos melhores PF/C da liga. Caso consigam sobreviver a Anthony Davis, a confiança de que podem sobreviver a qualquer outro jogador alto e talentoso cresce substancialmente. O GM conseguiria provar de uma vez por todas a capacidade vencedora de seu Moreyball.

Entretanto, os relatos feitos por jornalistas que cobrem a NBA é que, em caso de nova eliminação, haverá uma reavaliação do trabalho realizado por Daryl Morey e Mike D’Antoni. A cada ano que passa o time parece menos confiante e menos favorito. O Houston Rockets de Morey chega em um ultimato. Ao que tudo indica, a hora de vencer é agora.

James Harden e Russell Westbrook do Houston Rockets. Foto de Mike Ehrmann/Getty Images

 

Kevin Leal Ver tudo

Jornalista em formação pela Escola de Comunicação da UFRJ, torcedor fanático da maior franquia da NBA e devoto de Marcus Smart. #CelticsBasketball

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