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Jogo 7, defesa e as dores

Donovan Mitchell defendendo Jamal Murray
Mitchell analisando as dores pós paulistinha do Murray – Credito: Kim Klement/USA TODAY Sports

A série entre Denver e Utah foi uma das melhores dos últimos anos. Os recordes de pontuação de Jamal Murray e Donovan Mitchell (475 pontos!!!!) foi completamente insano. Mas o jogo 7 teve um gostinho especial e elementos que não foram evidentes nos outros 6 jogos, principalmente na parte defensiva e em quanto o jogo foi físico com a arbitragem apitando menos faltas por contatos leves.

Nas defesas, alguns ajustes coletivos foram feitos, porém, a grande diferença foi na defesa individual. O Denver manteve a defesa com trocas no pick, porém, quando Mitchell era o portador da bola e o bloqueio era em direção ao fundo, havia uma dobra que muitas vezes se atrapalhava e acabavam deixando um espaço gigante para ele atacar a cesta, principalmente no segundo tempo. Porém Jeremi Grant e Gary Harris defenderam em outro nível individualmente.

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O primeiro já havia conseguido fazer uma boa defesa no jogo 6, embora o aproveitamento surreal de Mitchell. Já Harris que voltava de lesão mostrou sua importância para o Nuggets. Ele evitou com maestria a bola chegar com facilidade nas mãos da estrela do Jazz nos minutos finais e, quando chegavam, conseguiu conter bem os avanços dele. A intensidade e o contato físico foram uma marca desse duelo, deixando Mitchell irritado diversas vezes e marcando “apenas” 22 pontos.

Donovan Mitchell desconhece o conceito de desequilíbrio

Do outro lado, a equipe do Jazz começou com dobras em momentos pontuais e uma defesa bem pressionada sobre Jamal Murray, com a ideia de manter a bola o minimo de tempo possível na mão do armador e tirando ele do maior volume de ações no ataque. Além disso, em uma falta no fim do segundo quarto de Joe Ingles para impedir uma transição ofensiva, Murray tomou a famosa e popular PAULISTINHA, aquela mesma que você fica mancando por horas e sente a dor de uma vida cada vez que apoia a perna no chão. Isso claramente prejudicou o desempenho de Murray, que jogou o resto do jogo inteiro mancando e com menos velocidade que o habitual. Isso permitiu que Mitchell defendesse ele com muita intensidade, o limitando a 17 pontos.

Dobra no estilo Lilard light

O fator da defesa mais forte e do nervosismo fizeram o aproveitamento cair naturalmente, fazendo com que cada cesta, cada arremesso tivesse que ter sido CONQUISTADO. As rotações estavam mais focadas, as ajudas chegavam mais rápido e arremessos livres foram bem mais difíceis de conseguir, cada cesta realmente teve um impacto maior e, em consequência, foi o placar mais baixo desses playoffs. Jogos desse nível de importância tendem a isso, onde o nível de concentração é muito alto e de estresse também, o que causa erros como a última bandeja errada de Jeremi Grant no fim do jogo. Por que Murray passou aquela bola também é um mistério. Mas só mostra ainda mais o nível de nervosismo e cansaço naquele momento e, no fim, em jogos com tanta carga emocional ajustes defensivos podem ter mais impacto devido a complexidade mais baixa, o que facilita o compreendimento do que deve ser feito pelos jogadores. Como disse o monstro Renan Lenz no Twitter: “Foi feio mas foi lindo”.

Vitor Hugo Sarvas Ver tudo

Analista de desempenho desde 2014, acredita que a ciência e a prática podem e devem andar juntas. Escrever faz parte da maneira de divulgação científica e mostrar como de fato ambos se completam.

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