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Donovan, Luka, Giannis e as dificuldades de ganhar um jogo de playoff “sozinho”

via CBS Sports

Donovan Mitchell despejou 57 pontos, quebrando o recorde da equipe e com a terceira maior pontuação da história da pós-temporada da NBA, além de 9 rebotes e 7 assistências. Luka Doncic fez 42 pontos, pegou 7 rebotes e deu 9 assistências. Giannis Antetokounmpo anotou 31 pontos, 17 rebotes e 7 assistências. O que eles todos tem em comum? Seus times perderam mesmo após esse esforço hercúleo. Nos playoffs, partidas individuais espetaculares que garantiriam vitórias na temporada regular não costumam ser regra. Fatores como uma rotação mais curta, onde os jogadores titulares passam mais tempo em quadra e elevam o nível e dificuldade do jogo, ajustes defensivos para enfrentar equipes especificas e desgaste físico e psicológico possuem um peso muito grande.

O Utah Jazz fez um jogo digno de abertura de pós-temporada contra o Denver Nuggets, cheio de emoção, aproveitamento alto dos dois lados e o recorde de Mitchell. Porém, alguns fatores pesaram para a equipe de Salt Lake City. Nos três primeiros quartos a equipe pontuou a partir de assistências em mais de 40% das chances, o que deixa o time mais imprevisível para a defesa. No último quarto e na prorrogação, as assistências não chegaram a 30%, o que fez a bola ficar na mão do Mitchell (que estava realmente tendo um jogo incrível) muito tempo. Isso fez a defesa do Nuggets se adaptar, dificultando principalmente seu caminho para a cesta, como mostra o vídeo abaixo:

Defesa do Nuggets fechando o caminho, mas Donovan Mitchell não se importa.

Isso minou a equipe do Jazz no final. Sem volume de arremessos e indo para a prorrogação, os erros da equipe e de um exausto Mitchell foram cruciais para a derrota.

Vou te “dibrei” – disse a bola

Já Doncic conheceu os playoffs da NBA da pior maneira possível: com uma das defesas mais físicas, experientes e extremamente competente nas rotações de toda a liga, ele sofreu até entender o que estava acontecendo em quadra. Foram 7 de seus 11 turnovers NO PRIMEIRO TEMPO! Foram dobras, holds dos jogadores que marcavam os bloqueadores e, principalmente, ataque ao drible de Luka a cada vez que ele progredia em direção a cesta.

Não existe um drible tranquilo contra o Clippers

Mesmo conseguindo produzir números impressionantes nessa situação graças ao seu talento, o resto da equipe do Mavs não conseguiu render no mesmo ritmo e deixando Luka claramente frustrado com a situação do jogo. Sendo ainda um segundo anista de NBA e já tendo o fardo de ser estrela da franquia em pleno playoff, Doncic sentiu como pode ser mentalmente difícil levar um time a ganhar jogos na pós-temporada.

Por fim, Giannis e o Bucks sofreram com a defesa ligada no 220v do Magic e com um aproveitamento sofrivel na linha de 3 pontos dos principais escudeiros do grego. Vindo com a proposta de todo o time se jogar para dentro do garrafão e impedir que Antetokounmpo tivesse vida fácil, o time do Magic “pagou” os arremessos de fora. Giannis se aproveitou disso e teve um aproveitamento decente, de 43% e fez ele ter um pouco mais de espaço para atacar a cesta já que o defensor teve que ficar mais próximo. Porém, o resto da equipe simplesmente não conseguiu aproveitar o espaço gerado por ele, com Brook Lopez ZERANDO nos 3 pontos e Middleton tendo apenas 33% de aproveitamento. Vendo isso, a defesa do Magic IGNORAVA o resto do time do Bucks quando Antetokounmpo atacava a cesta, fazendo um verdadeiro bate cabeça no garrafão.

Magic vs Giannis

Estamos em um temporada de muitos recordes históricos, asteriscos e atuações individuais incríveis, porém, os playoffs sempre demonstram o quão complexo é vencer um jogo sem que toda a equipe consiga produzir de alguma forma, seja ofensiva ou defensivamente. Atuações individuais históricas só conseguem se transformar em vitórias quando vem acompanhadas de auxilio de todos os jogadores. Os playoffs mostram como o basquete ainda é um esporte coletivo apesar de muitos acharem ser um festival de 1-contra-1.

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NBA

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Vitor Hugo Sarvas Ver tudo

Analista de desempenho desde 2014, acredita que a ciência e a prática podem e devem andar juntas. Escrever faz parte da maneira de divulgação científica e mostrar como de fato ambos se completam.

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