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O antes, o durante e o depois da histórica sequência dos Spurs

Foto por: Kevin C. Cox/AP

Na última quinta-feira (13), após a vitória dos Blazers contra os Nets, chegou ao fim a maior sequência de playoffs da história, a do San Antonio Spurs. Quando ela começou, Titanic estava ganhando o Oscar de melhor filme. Sim, faz esse tempo todo, 22 anos. Caso os Spurs fossem aos playoffs nesta temporada, estabeleceriam um novo recorde, com 23 temporadas seguidas estando presentes no mata-mata. Porém, decisões erradas ao longo da temporada e a insistência em jogadores não tão efetivos limitaram a franquia ao 11º lugar da Conferência Oeste. Talvez seja uma boa hora para olhar para trás e ver como o time chegou até aqui. A partir disso, começar a projetar o que vem pela frente.

Bom, após ter a pior campanha durante a temporada 1996-97, os Spurs conseguiram a primeira escolha do Draft de 1997 e com ela selecionaram Tim Duncan. A partir dali tudo mudou. Duncan correspondeu a todas as expectativas e até dá para dizer que conseguiu superá-las, tornando-se para muitos o melhor ala-pivô da história. Ele e o técnico Gregg Popovich guiaram a franquia texana a uma dinastia. Durante esses 22 foram treze títulos da divisão Sudoeste, dez finais de conferência, seis finais e cinco títulos da NBA. Uma dominância de quase duas décadas, que consolidou o nome de Popovich como um dos maiores treinadores (se não o maior) da história do basquete.

The dynamic between Tim Duncan and Gregg Popovich is nearly unheard of in the N.B.A.
Duncan e Popovich. FOTO: Bahram Mark Sobhani/Associated Press

Esses 22 anos, é claro, não foram sem mudanças. Depois do início com as “Torres Gêmeas” Tim Duncan e David Robinson, veio a magia do trio Duncan-Parker-Ginóbili. Por último, a formação e ascensão de uma das atuais superestrelas da liga: Kawhi Leonard, atualmente no Clippers. Tudo isso sem nunca perder o estilo de jogo que Popovich tanto gosta, a bela troca de passes até o homem livre para a cesta. San Antonio virou sinônimo de regularidade e até quando era apontado como azarão, como na temporada passada ou até nessa bolha, o time rendia em quadra.

O fantástico big-three. Foto: UPI Photo/Brian Kersey

Mas nem tudo são flores e o fim da histórica sequência teve seus motivos. Popovich tomou algumas decisões erradas ao longo da temporada, que tiveram impacto. Para começar, o time deixou de ter a defesa de elite de sempre. Esse, aliás, tem sido um dos maiores problemas da equipe desde que perdeu Kawhi Leonard (duas vezes escolhido como Jogador Defensivo do Ano). Antes da bolha da Disney, Popovich não vinha apostando tanto nos jovens, preferindo puni-los e tirá-los dos jogos ao invés de realmente dar continuidade para que eles pudessem amadurecer. Sobrou tempo de quadra para jogadores como Marco Belinelli, Bryn Forbes, Rudy Gay (mesmo levando em consideração a grande performance na Disney), mas também faltou constância tanto ofensiva quanto defensiva aos três.

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Mas é bom ressaltar que a bolha também serviu para mostrar muitos pontos positivos, como o ganho de confiança de Derrick White nos arremessos e a minutagem para os jovens Lonnie Walker e Keldon Johnson, com o último mostrando um potencial absurdo, quebrando o próprio recorde pessoal três vezes seguidas, culminando com 24 pontos no último jogo. Demar DeRozan se consolidou na bolha como mentor da equipe e foi peça-chave carregando a bola em quadra, decidindo os jogos no último quarto e principalmente dando confiança para os jovens que estavam com ele, sempre procurando-os para arremessos de fora ou infiltrações. Rudy Gay, como já dito anteriormente, foi outro destaque positivo, tendo mais de 10 pontos em todos os jogos vindo do banco de reservas. Algumas tomadas de decisões de Dejounte Murray chamaram a atenção negativamente (um exemplo: a posse ofensiva dos últimos minutos contra os 76ers) mas o armador também apresentou um salto na produção ofensiva, coisa que já tinha sido vista no pré-coronavírus. Murray deu razão para otimismo e se mostrou capaz de evoluir ainda mais para a próxima temporada.

Murray tenta uma floater contra um dos melhores defensores de aro da liga, podendo ter passado a bola ou um arremesso de meia distância anteriormente já que ficou em um momento livre.

Além disso tudo, uma escolha de loteria – finalmente – pode acrescentar e muito.

Os próximos capítulos da franquia serão muito interessantes, mas tudo depende do que irá acontecer na offseason: DeRozan vai aceitar sua player option e continuar com a equipe? Eles vão perder alguém da comissão técnica como Becky Hammon ou Will Hardy? Pop se aposenta? Os contratos de jogadores envelhecidos e expirantes, como LaMarcus Aldridge e Rudy Gay, serão trocados? É inegável o potencial de Murray, Keldon, Lonnie, Luka Samanic, todos esses do young core têm muito para crescer ainda. Acontecendo isso, aumentam as chances de o fim da sequência ser só um leve desvio de rota, ao invés de um longo e doloroso processo de reconstrução. Vale a pena acompanhar.

Imagem
Keldon Johnson a esquerda e Dejounte Murray a direita.

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NBA

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Eduardo Moreira Ver tudo

Tenho 16 anos e sou apaixonado em basquete. quero compartilhar a visão e meu mínimo conhecimento com todos

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