Ir para conteúdo

Small Ball, Harden e Westbrook, o sucesso do novo Houston

Foto: Gary A.Vazquez/ USA Today Sport

Desde a troca que levou Robert Covington a Houston e Clint Capela a Atlanta, os Rockets se jogaram de cabeça no small ball para potencializar o jogo de sua dupla de armadores MVP’s. E isso aconteceu, principalmente para Russell Westbrook, que vem tendo os melhores números em aproveitamento na carreira e liderou a NBA com mais jogos consecutivos de 20 pontos (35). Mas a evolução e maximização ofensiva de Westbrook é só um dos motivos para o small ball vir dando certo. Um dos pilares sem dúvida é a evolução defensiva de James Harden, principalmente no post up, aquela jogada em que o adversário trabalha de costas para a cesta, usando a força física para sobressair sobre o defensor e chegar mais próximo para pontuar.

O MVP da temporada 2017-18 teve o pior defensive rating (índice de eficiência defensiva) de Houston por dois anos consecutivos, mas nessa temporada as coisas mudaram. Harden se tornou peça-chave na rotação defensiva de Mike D’Antoni, ao lado de Covington e PJ Tucker. Por mais que ainda sirva como um defensor híbrido, às vezes marcando um armador e em outras alas, diferente de Tucker que sempre tem a função de segurar o maior jogador fisicamente da outra equipe, Harden vem alcançando números absurdos no Post Up e em situações de Pick and Roll.

Harden permite apenas 0.65 pontos por posse no poste baixo, a segunda melhor marca entre jogadores com pelo menos 50 posses defensivas no poste. Quanto ao pick-and-roll, Harden permite apenas 0.78 pontos quando defendendo o ball-handler (o cara que inicia a jogada com a bola nas mãos), estando no top 30 de jogadores qualificados para a estatística. Essa ascensão foi provada na bolha de Orlando, principalmente no jogo contra os Bucks do atual MVP Giannis Antetokounmpo. No clutch time, pendurado em relações a faltas, Harden teve três posses defensivas sensacionais em cima do grego.

Foto por: Mike Ehrmann/ USA Today Sports

Em uma, trocou com RoCo no pick-and-roll, roubando a bola de George Hill e gerando dois pontos para Houston, na jogada seguinte rouba a bola do grego no garrafão e em um contra-ataque assume a liderança para Houston e por último, na jogada decisiva da partida, força um passe errado de Giannis que gera a roubada de bola de Danuel House Jr e garante a vitória de Houston nos lances livres seguintes.

Mas e em relação ao ataque, o que faz o jogo de D’Antoni vir dando certo?

Houston em suas posses ofensivas faz o chamado five-out, sem nenhum jogador de fato no garrafão e todos abertos como se fossem alas, por isso o small ball é tão efetivo.

Ao realizar esse tipo de ataque, Houston obriga o pivô adversário a sair do garrafão, como acontece com Rudy Gobert na imagem, e assim como o francês, muitas vezes falta ao pivô a velocidade suficiente para defender o perímetro,ou a agilidade nos pés pra segurar as infiltrações de Westbrook ou Harden.

Utah Jazz sofreu com o small ball de Houston, com os dois ex-MVP’s chegando a combinar para 72 pontos em um dos jogos contra a franquia de Salt Lake City.

Tudo gira em torno da dupla. Harden precisa usar a sua leitura ofensiva para criar o passe no momento certo ao perímetro ou para infiltrar e cavar faltas com inteligência. Assim como Westbrook precisa atacar os closeouts (a marcação que vem para cobrir os espaços nos cantos da quadra) no momento certo e usar da sua velocidade em cima do adversário.

Outro importante aspecto a prestar atenção é a movimentação sem bola do time, seja com PJ Tucker trocando a zona morta (área mais lateral da quadra) com Covington, ou Mclemore saindo de um bloqueio para o arremesso, tudo isso para que recebam a bola de três pontos livres e consigam ser eficientes. Ben Mclemore vive sua melhor temporada na carreira, e o próprio diz como o estilo de jogo e a liderança de Harden afetaram ele. O ala lidera a equipe em porcentagem pra três pontos (40,4%) convertendo 2.7 bolas do perímetro por jogo.

Mas, e se a bola de três não cair?

Bom, aí não tem solução a não ser arremessar até cair, um dos problemas que o small ball traz. Houston não tem outra opção de ataque caso as bolas de 3 não caiam, não vai dominar o garrafão como acontecia com Capela. Outro ponto que vem junto com a falta de um pivô real: Houston em quase todos os jogos sai perdendo nos rebotes. Mas isso não é um total problema. Por exemplo, os Bucks pegaram 29 rebotes a mais que os Rockets e mesmo assim perderam o jogo. A bola de 3 é tão constante e única para esse time, que Ben Mclemore arremessou o seu primeiro e único mid-range na temporada no jogo contra Portland na bolha.

Sendo assim, fica claro que o small ball força o time a ter mais regularidade para ir bem nos playoffs, e principalmente,  como James Harden e Russell Westbrook têm que manter um alto nível para que a #ONEMISSION seja realizada e após 25 anos, o título retorne a Houston. Vem dando certo até agora. Vamos aguardar os próximos capítulos.

Foto: Mike Ehrmann/ via USA TODAY Sport

Eduardo Moreira Ver tudo

Tenho 16 anos e sou apaixonado em basquete. quero compartilhar a visão e meu mínimo conhecimento com todos

3 comentários em “Small Ball, Harden e Westbrook, o sucesso do novo Houston Deixe um comentário

  1. Excelente análise!
    Como você disse, a dependência da bola de 3 cair nesse esquema gera uma obrigação de regularidade, que é complicada de sustentar nos playoffs, mas a nova capacidade defensiva do barba deve ajudar

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: