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A briga pela oitava vaga do Oeste é uma deliciosa bagunça

Quando a NBA divulgou a fórmula da disputa da reta final da temporada regular, na bolha na Disney, foi praticamente consenso que o fato de o play-in (mata-mata menor para entrar no mata-mata maior, também conhecido como playoffs) entre o 8º e o 9º colocados ser engatilhado por uma diferença máxima de quatro jogos entre eles não deixava muitas opções abertas na Conferência Oeste. O Memphis Grizzlies, oitavo, com uma vantagem de 3,5 jogos para o nono – que, no caso, era o Portland Trail Blazers – provavelmente se manteria ali e os desafiantes seriam não mais do que três times. Eu mesmo falei isso há menos de uma semana! Teve quem achasse que era até capaz de o Grizzlies aumentar a vantagem e não precisar de play-in nenhum e pular direto para os playoffs.

Como fomos bobos…

Três jogos para cada time depois, as coisas não poderiam estar mais imprevisíveis. O Grizzlies foi quem começou pior e agora corre risco não só de não ficar em oitavo, como até de sair da briga completamente. O Phoenix Suns, que eu sequer me dei o trabalho de mencionar até agora e era o time mais atrás na classificação, agora é a equipe mais quente da bolha e vem daquele jeito que pode ser o prenúncio de uma grande arrancada ou um tombo gigantesco: com a confiança lá no alto. No bolo, todos os seis times envolvidos na disputa têm motivos para achar que ainda dá. A situação está assim:

Antes de os jogos começarem, o Grizzlies parecia senhor de si nessa briga. Além da liderança na tabela, abria com três confrontos diretos, que poderiam fazer o time se separar do resto. Nada feito. A juventude do elenco apareceu da pior forma. Derrotas apertadas para Blazers, Spurs e Pelicans mostraram que no clutch time a equipe ainda tem que acertar bastante coisa. O jogo contra o Spurs foi o maior – e pior – exemplo. Depois de empatar a partida nos últimos segundos com uma bola de três de Jaren Jackson Jr, o Memphis viu Dillon Brooks cometer uma falta inexplicável faltando um segundo, jogando tudo por água abaixo:

Para piorar, nessa terça o departamento médico veio com a pior das notícias. Jackson Jr, que vinha sendo o cestinha da equipe na bolha com média de mais de 25 pontos, está fora do que resta de temporada. Rompeu o menisco do joelho esquerdo na partida contra o Pelicans. Não se tem certeza do momento exato da lesão, mas pode ter sido nessa tentativa (frustrada) de parar Zion Williamson:

O mau momento da equipe combinado com a perda de um dos seus dois principais jogadores abre a porta para uma derrocada ainda maior de Memphis, que já tinha motivos para deixar as coisas irem com calma antes mesmo disso. O primeiro a agradecer foi o Trail Blazers, que já na noite de ontem se aproximou mais um pouquinho ao vencer o Houston Rockets. Um dos motivos para acreditar é Carmelo Anthony, que vem sendo bastante decisivo nos momentos finais das partidas, como foi contra o ex-time:

E o Blazers poderia estar ainda melhor. O time tem duas vitórias e uma derrota nesse retorno, mas o retrospecto poderia ser perfeito se Jusuf Nurkic tivesse passado a bola de maneira minimamente competente no final do jogo contra o Boston Celtics.

Fala-se muito que, no papel, o Blazers tem o melhor time do pelotão. O elenco que foi vice do Oeste na temporada passada teve a adição de Carmelo e a recuperação de Nurkic. Mas aí entra uma questão importante na equação: a tabela.

Restam cinco jogos para cada time. Vamos dar uma olhada:

Em tempos normais, a tabela do Blazers seria considerada uma das mais complicadas entre esses seis times. Porém, se prestarmos atenção, veremos que quase não restam confrontos diretos nesses últimos jogos. Considerando isso, muitas equipes ou já garantiram uma determinada posição na classificação ou estão próximas de conseguir isso. Ou seja, a partir daí, ganhar ou perder não faz mais diferença. Com o destino da oitava vaga dependendo bastante também de quão interessadas essas outras equipes vão estar, o conceito de jogo fácil ou difícil pode mudar. 

Isso só torna a tarefa de fazer projeções ainda mais pretensiosa. O Pelicans pareceu em maus lençois quando não quis arriscar deixar Zion em quadra por muito tempo. Agora, ele já vai colocando as asinhas de fora e o time recuperou terreno. O Spurs, que a princípio parecia que tinha ido à Disney só para passear, mostrou um basquete sólido e vencedor e entrou numa briga improvável, muito por conta também do mestre que está no banco deles.

Para completar, o Suns, que chegou à bolha seis jogos atrás do Grizzlies, resolveu que agora a parada é séria. Ganhou os três jogos que disputou. E quem vai dizer que a tabela deles é difícil, quando eles ganham do Clippers com Kawhi E Paul George nesse arremesso simplesmente maravilhoso do Devin Booker?

E o Kings? Bom, para eles o negócio não parece tão bom, não. Também não ganharam nenhuma partida. Mas olha, ainda têm chances! Acabamos de ter uma das maiores zebras das últimas décadas, pelo menos para as casas de apostas. Por que não mais uma?

Cada um com seus trunfos, esses times prometem dar um brilho ainda maior a uma disputa que já era bem interessante quando tudo parecia mais fácil de prever. Agora que se transformou numa bagunça, virou entretenimento de primeira.

Igor Santos Ver tudo

Formado em Jornalismo pela UFRJ, tenho passagens pelo Jornal dos Sports e por O Globo. Desde 2013 estou na TV Brasil, onde sou repórter e apresentador do programa Stadium. Também escrevo umas palavrinhas sobre basquete pra Agência Brasil desde 2019.

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