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Afinal, o que o Pelicans quer?

As sensações nessa quinta-feira de retorno da NBA foram mais ou menos assim. Começaram com um:

“Oba! Finalmente basquete de volta!”

Depois viraram um: “E a gente ainda vai ver o Zion!”

No final da primeira partida oficial na bolha da Disney, todos nós compartilhávamos da mesma vibe:

FOTO: Reprodução/Twitter

O New Orleans Pelicans, do Zion Williamson, foi derrotado pelo Utah Jazz por 106 a 104 num jogo em que chegou a liderar por 16 pontos. Na reta final da partida, enquanto a equipe de Salt Lake City dava os últimos retoques na virada definitiva, o novato sensação acompanhava tudo pelo banco de reservas. E de lá não saiu. 

O engraçado é que o papo no NBAverso é que a maior explicação para que a bolha esteja recebendo 22 e não apenas os 16 times que estavam em posição de playoffs na época da pausa é que a liga queria dar um empurrão para ver se o Pelicans, munido de um dos jogadores novatos de maior potencial comercial dos últimos tempos, poderia beliscar uma vaguinha. Vamos lembrar que, em janeiro, quando ainda nem tinha estreado, Zion já estava no top 15 de camisas mais vendidas da NBA. 

Bom, quando tudo parou, o time era o décimo no Oeste e, se chegasse até a oitava posição, encararia o Los Angeles Lakers de LeBron James na primeira rodada, um confronto tão dos sonhos que parece até roteiro de comercial do Gatorade. Aparentemente, o próprio time não está tão preocupado com isso. Mas por quê?

O Pelicans vem tratando Zion como o melhor presente que eles já ganharam e que já deixaram cair no chão uma vez. Todo cuidado é pouco. Depois de ficar de fora dos 43 primeiros jogos na temporada por conta de uma lesão no joelho, ele retornou e, na primeira partida, contra o San Antonio Spurs, fez chover no último quarto:

O que talvez muitos não lembrem é que, logo depois dessa sequência, Zion foi para o banco e não voltou mais, sendo mais um mero espectador vendo o time ser derrotado. 

A situação é bem parecida com a desse recomeço. Zion, como se sabe, teve que deixar a bolha da NBA por questões médicas familiares. Retornou oito dias depois, no caso, na antevéspera da reestreia, contra o Jazz.

Segundo o The Athletic, um dos motivos para que a aparição dele tenha sido tão curta (15 minutos) é porque desde que a liga parou, em março, ele fez apenas quatro treinos 5-contra-5. A partida contra o Jazz foi a primeira vez desde a pausa que ele participou de uma atividade com dez jogadores e contato físico. 

Alvin Gentry, técnico do Pelicans, disse que só cumpriu ordens médicas, baseadas na preocupação com o impacto que uma carga maior poderia ter para um jogador com histórico de lesões e um tipo físico fora do comum. Zion, na entrevista pós-jogo, não criou caso, mas também deu para ler nas entrelinhas que ele não estava satisfeito.

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A questão é que o Pelicans está envolvido na principal briga dentro da NBA no momento, que é pela oitava vaga do Oeste. Realisticamente, o Grizzlies está na pole position e Pelicans, Kings e Blazers são os principais postulantes. Por que abrir mão de um jogador tão fundamental, se o propósito do time é lutar por essa vaga?
A decisão parece ainda mais confusa porque Zion foi efetivo no pouco tempo em quadra. Acertou 6 de 8 arremessos, marcou 13 pontos e não teve quem o parasse no Jazz. Dá para argumentar tranquilamente também que ele foi o autor da jogada mais bonita, esse passe para o Lonzo Ball:

É verdade que Zion teve o pior plus-minus (saldo de pontos do time no tempo em que determinado jogador ficou em quadra) entre todos que atuaram (-16). Mas esse número pode enganar, porque depende de outros quatros companheiros também. Zion jogou sempre nos primeiros minutos de cada quarto. No segundo e no último quarto, dividiu a quadra com alguns reservas. No terceiro, por exemplo, viu Lonzo Ball cometer três turnovers e desperdiçar dois lances livres em poucos minutos.

Independente disso, o Pelicans sucumbiu menos pela defesa e principalmente pelo ataque. De alguma forma intimidados de apostar no jogo interno com Rudy Gobert no garrafão, o time foi empurrado para arremessos de média e longa distância, acertando apenas 6 de 22. Um monstro do jogo próximo à cesta como Zion não poderia jogar mais dois ou três minutos e possivelmente salvar a temporada?

Ao que parece, essa não é a prioridade do Pelicans. De certa forma, é até justo. A maioria dos principais jogadores é jovem. Brandon Ingram e Lonzo Ball têm 22 anos. Josh Hart, 24. Jaxson Hayes, 19. Nickeil Alexander-Walker, 21. E Zion tem 19 também. A experiência de enfrentar e, provavelmente, perder para o Lakers talvez não valha o risco de deixar o presente de Natal cair no chão de novo. Eles podem deixar as coisas fluirem. No final das contas, talvez a sede dos fãs pelo entretenimento seja muito maior do que a do Pelicans por um sucesso imediato.

Igor Santos Ver tudo

Formado em Jornalismo pela UFRJ, tenho passagens pelo Jornal dos Sports e por O Globo. Desde 2013 estou na TV Brasil, onde sou repórter e apresentador do programa Stadium. Também escrevo umas palavrinhas sobre basquete pra Agência Brasil desde 2019.

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