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Mesa-redonda do Souza: vem aí uma NBA diferente. O que esperar?

Bom, parece que a NBA não respeita mais as opiniões dos integrantes do Blog do Souza. Embora tenhamos nos manifestado veementemente contra a volta da temporada em um podcast em junho, fomos voto vencido e a bolha da Disney está pronta para o reinício nesta quinta, dia 30. Só nos restou então reunir o pessoal para uma Mesa-Redonda do Souza® e discutir o que vem por aí. O Fábio Ferreira, do Podcast Racha dos Filhos, vem para enriquecer o debate.

De 0 a 10, qual a probabilidade de termos um campeão inesperado numa temporada fora do comum? Nesse caso, quem parece pronto para dar o bote?

Igor Santos: Eu diria 4. Em condições normais, seria 1 ou 2. O basquete já é um jogo que minimiza surpresas, com tantas posses de bola. Numa série melhor de sete jogos, em que o melhor time tem mais partidas em casa isso fica ainda mais difícil. Acredito que com a dinâmica da bolha, em que jogadores podem sair e, boom, demorarem uma ou duas semanas para serem liberados para jogar de novo, além da inexistência do mando de quadra, as portas estão ligeiramente mais abertas para surpresas. Se os favoritos são Bucks, Lakers e Clippers, uma opção fora dessas seria o Sixers, pelos motivos que expliquei recentemente. Mas eu particularmente acredito que o Mavericks, com um time acertadinho e um gênio chamado Doncic e o Celtics, com vários ótimos jogadores, podem complicar a vida dos favoritos.

Rubens Borges: Eu daria um 8, considerando que a NBA está parada há um bom tempo, aumentando risco de lesões, o momento inusitado (atletas são pessoas de rotinas, isso tudo foi pelo espaço com a bolha) e a possibilidade de, a qualquer momento, algum jogador importante testar positivo para o coronavírus e ficar de fora da temporada.

Os Clippers podem ser considerados surpresa pela história do time?

Mas falando sério, uma equipe que pode embalar e surpreender é o Portland Trail Blazers.

Fábio Ferreira: Eu diria baixa probabilidade, um 3. Entendo que deve ficar mesmo entre as equipes de L.A, Bucks, Raptors e Celtics. Com o calendário que foi montado, as equipes têm tempo para buscar entrosamento antes de chegar à parte que realmente importa. Isso me faz pensar que o quadro de favoritismo de antes da parada não se altera. Jazz, Rockets, Heat e Nuggets seriam as boas surpresas e, correndo lá por fora, Blazers.

FOTO: Jayne Kamin-Oncea/Getty Images/Tribune News Service

Qual ausência terá mais impacto no que resta de temporada? Obviamente não estamos falando de ninguém do Nets ou do Wizards.

Igor Santos: Bojan Bogdanovic no Utah Jazz. É o jogador que melhor balanceia defesa e ataque, embora não seja o melhor do time nem em um nem no outro quesito. É bem verdade que a equipe pode inserir Joe Ingles de volta no time titular sem perder tanto, mas nos playoffs todas as armas são importantes. Não acho que o Jazz estivesse destinado ao título ou coisa assim, mas certamente poderia dificultar bastante o caminho dos adversários no Oeste e, num jogo onde o encaixe com as peças dos outros times mexe com a noção de favoritismo, poderia fazer diferença.

Rubens Borges: Trevor Ariza vai fazer falta para os Blazers. Ele era um substituto de qualidade quando Carmelo Anthony ia para o banco e até permitia – embora não tenham feito isso – que Melo iniciasse na reserva, dependendo do adversário.

Avery Bradley também vai fazer falta. Mais por seu substituto ser o mercurial J.R Smith do que por sua qualidade.

Fábio Ferreira: As ausências importantes de equipes candidatas ao título sempre são as mais sentidas porque times que querem ser campeões têm ali suas 8 ou 9 peças com papeis bem definidos. Por isso acho que Avery Bradley, com sua defesa implacável e chute de 3 confiável e possivelmente Gordon Hayward (que deve deixar a bolha quando o filho nascer, em setembro) com sua experiência e a possibilidade de flexibilização tática que ele oferece, sejam problemas importantes para Lakers e Celtics. Mas outras ausências como Bojan Bogdanovic, Oladipo e agora Sabonis, enfraquecem equipes que com certeza dariam muito mais trabalho aos grandes candidatos ao título.

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Entre retornos de lesão, novas escalações, jogadores mais magros, posicionamento em questões sociais durante os jogos e outras possibilidades, o que você mais está ansioso para ver nesse retorno?

Igor Santos: Eu estou especialmente curioso para ver o Nikola Jokic na nova fase. Sempre houve uma discussão sobre a forma física dele, embora o ingrediente que o faz mais especial não fosse nada limitado pelo peso: a visão de jogo. Jokic é o exemplo de que jogador inteligente tem espaço na quadra. Já vi gente falando que o fato de o pivô ter emagrecido pode prejudicar o jogo físico embaixo da cesta, mas estar mais magro não necessariamente significa mais fraco. Pode significar chegar a lugares em que ele nunca tinha chegado e o técnico Mike Malone já andou fazendo isso, colocando Jokic de armador numa escalação nada convencional. Ok que foi muito por conta dos desfalques, mas a longo prazo pode dar bons frutos.

Rubens Borges: O que me deixa ansioso mesmo é voltar a NBA com toda essa situação. Mesmo que tudo dê certo, acho errado a liga retornar no meio desta pandemia, fazendo com que jogadores arrisquem suas vidas.

Fábio Ferreira: Todas essas coisas colocaram em ebulição essa pausa, mas na real o que me faz falta é um bom e disputado jogo de playoff. Defesa pegada, variações táticas, confrontos individuais… já estamos há mais de 12 meses sem esse conteúdo praticamente. Então, por favor, chega logo! Cansei de ver só passe e passe, chuta de 3!

FOTO: Stacy Revere/Getty Images

Depois de algum tempo, os dois principais candidatos ao prêmio de MVP parecem destinados a um encontro nas Finais, sendo os astros dos times de melhor campanha na liga. O que é mais provável? Giannis x LeBron nas finais? Só um deles? Ou nenhum?

Igor Santos: Olha, é arriscadíssimo apostar contra LeBron James, mas eu realmente acho que a diferença na campanha na temporada regular não é indicativo do patamar de Lakers e Clippers. Kawhi, Paul George, Doc Rivers e cia têm um elenco fortíssimo. Acho que a probabilidade de o Lakers não sair vencedor no disputado Oeste é maior do que a do Bucks do Antetokounmpo no Leste. Como vimos no ano passado, a tão falada superioridade do Milwaukee dentro da conferência pode evaporar num piscar de olhos, mas ainda acredito que é mais uma questão de ajustes a serem feitos do que a temporada regular ter sido uma enganação. Sendo assim, minha resposta é um deles, no caso, Giannis.

Rubens Borges: Vejo Giannis com o caminho mais aberto para as Finais do que LBJ. Enquanto praticamente todos os times do Oeste apresentam perigos para os Lakers, Milwaukee só tem que se preocupar com os Celtics e, talvez, Sixers.

Fábio Ferreira: Há uma probabilidade de ter os dois na final. Não seria algo impossível, bem improvável, mas hoje vejo mais o Giannis jogando a final da NBA do que LeBron. Claro que vamos ter mil ajustes táticos nas séries mais avançadas de playoffs, mas olhando elencos e performance até agora, vejo o Bucks favorito no Leste e o primo pobre de L.A, o Clippers, na final do Oeste.

ASSISTA: A família Antetokounmpo não teve vida fácil na Grécia – Tradução

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