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Tudo sobre o G-League Select Team

NBA's G-League offers new option to senior student-athletes – Quest News

Um dos grandes assuntos recentemente no mundo do Draft e dos prospectos como um todo tem sido a G-League e seu novo programa para desenvolvimento de prospectos. Começando com o grande boom que foi o anúncio de Jalen Green sobre sua decisão de jogar com a G-League na próxima temporada ao invés do caminho tradicional passando pelo basquete universitário ou então outras opções profissionais fora do país.E na semana passada, quando outra possível escolha Top 3, Jonathan Kuminga, anunciou também sua ida para o programa. (Leiam sobre aqui!)

Nesse texto começarei explicando um pouco sobre como esse novo programa funcionará, e depois falar um pouco sobre cada um dos prospectos que atuarão no time.

Para começar, é bom dizer que eles vão seguir o processo normal como qualquer outro prospecto entrando na liga. Eles irão jogar essa temporada como se estivessem jogando em qualquer outra liga do mundo ou universidade, e então poderão entrar no Draft.

É muito comum ouvir coisas como “espero que eles joguem no time da G-league do Warriors, Lakers, Celtics etc.” Mas não. Eles não jogarão em nenhum dos afiliados da NBA. Eles irão todos jogar num novo time sediado no Sul da Califórnia, chamado “Select Team”.

Na verdade, o time nem disputará a G-League de verdade. Ao invés dos 50 jogos tradicionais que os times da liga jogam, o chamado “Select Team” jogará de 10 a 12 jogos apenas contra times da G-League, e esses jogos serão apenas de exibição, ou seja, não vão valer para a classificação da liga. Existem rumores de que o time ainda jogaria contra times internacionais, porém ainda não existe nada concreto.

E a composição do time? serão só os prospectos? O elenco ainda não está completo, já que por enquanto os únicos confirmados no time são os 5 prospectos, porém, já foram reveladas informações de que o time deve buscar veteranos para completar o time, e servirem como mentores dos jovens. A possibilidade de conseguirem mais prospectos para o time também existe. 

 

Mas vamos falar agora dos 5 prospectos do time, e o destrinchar o jogo de cada um: 

 

Jonathan Kuminga, SF/PF

Kentucky Wildcats Basketball: Jon Kuminga reclassifies; recruiting expert  thinks he'll go pro - A Sea Of Blue

Altura: 6’8 (2,03)

Peso: 225 lbs (102 Kg)

Envergadura: 7’2 (2,18)

Idade: 06/10/2002 (17 anos)

Nacionalidade: República Democrática do Congo

Comparação: Pascal Siakam/ Jonathan Isaac/ Kawhi Leonard

Projeção no Draft: Top 3 

Kuminga ao recentemente se reclassificar para a classe de 2020 do High School, passou a ser elegível para o Draft de 2021, e também se tornou o jogador mais jovem da classe. Mas apesar da idade, o congolês é um verdadeiro homem entre meninos. Mostrou-se absolutamente dominante fisicamente no High School, muito rápido, explosivo, forte e com enorme impulsão, não existe como pará-lo. Mas Jonathan mostrou muito mais do que só habilidades físicas. Ótimos flashes como playmaker, criando em transição ou na meia-quadra, usando bem screens, e usando a gravidade que gera como scorer para abrir linhas de passe. Ele acabou por ganhar uma certa “fama” de mau passador, mas não partilho dessa opinião. Em Patrick School, sem nenhum outro criador ou talento ao seu lado, ele comumente ativava um modo de “visão de túnel” ignorando todos os jogadores a sua volta e partindo para jogadas individuais, porém, ao jogar com jogadores de mais alto calibre na EYBL, teve momentos muito impressionantes como playmaker, que devem se repetir ainda mais com o Select Team.

Agora falando do seu arremesso, a melhor maneira para descrevê-lo é como um shot maker, e não um pure shooter. As porcentagens de 29% da linha de 3 pontos e 49% dos lances livres realmente não impressionam, porém, sua habilidade para criar oportunidades para arremessar, de converter muitos arremessos de alta dificuldade, a versatilidade, e a capacidade de explorar arremessos de diferentes níveis, desde arremessos do logo, até mid-ranges são notáveis; e melhorando mais a seleção de arremessos e com uma carga menor, aproveitamentos melhores devem vir naturalmente.

No outro lado da quadra o potencial é tão impressionante quanto na parte ofensiva. Como qualquer outro jogador do High School, ele foi inconsistente, mas os pontos altos, foram realmente muito altos. Marcando literalmente das posições 1 a 5, Kuminga tem as ferramentas para conter qualquer tipo de jogador, e até deu muitos problemas para o quase consensual #1 da classe Cade Cunningham quando o marcou. Ele ainda tem muito a trabalhar, e tem que estar presente em todos os jogos, mas atingindo seu teto, estamos falando de um potencial All Defensive Team, ou até um Defensive Player of the Year. 

  

 

Jalen Green, SG

No. 3 high school player Jalen Green changes course

Altura: 6’5

Peso: 180 lbs (82 Kg)

Envergadura: 6’7.5 (2,00)

Idade: 09/02/2002 (18 anos)

Nacionalidade: EUA

Projeção no Draft: Top 3

Comparação: Donovan Mitchell/ Zach Lavine 

Jalen Green ganhou muita fama com seus highlights enterrado magicamente sobre adversários e com bandejas ultra acrobáticas, mas ele é mais do que isso. Não é preciso ser nenhum especialista para perceber o quão criativo e habilidoso ele é. Tem um excelente toque finalizando ao redor da cesta, tem ótima fluidez correndo a quadra e o atletismo mais de explosão para saltar ao ponto de parecer flutuar no ar. Assim como Kuminga, Jalen é mais um shot maker do que um shooter tradicional. Tem step backs, combo moves e todas as ferramentas imagináveis para criar o seu arremesso. Ele tem um trabalho relativamente bom no P&R, porém mais o usando para pontuar do que para criar para os companheiros. A força física de Green também é bem impressionante para um jogador do seu peso, sua habilidade para finalizar sob contato é fora do normal.

O maior dos seus problemas é a consistência. O arremesso nem sempre cai, mas ele sempre tenta em alto volume (por isso os 29% de aproveitamento dos 3 pontos) o que leva ele a ser um streaky shooter muitas vezes.

Green nem sempre está interessado em criar para os outros, ignorando oportunidades de passe para buscar seu próprio arremesso. A defesa também vai e volta, quando engajado ele mostrou-se um jogador positivo do lado defensivo da quadra, mas é mais frequente vê-lo se esforçando pouco do que dando seu máximo e isso pode ser um problema com o nível de competição se elevando cada vez mais.

Ele também é amplamente reconhecido como um tomador de decisões ruim, e embora eu não ache que seja péssimo (como é o de outro prospecto da G-League que será tratado no texto), ele de fato toma muitas decisões questionáveis, o que é compreensível ao se tratar de um jogador tão jovem, mas é outra questão a se levantar sobre como ele se comportará no time.

Um último ponto a ser pensado é como ele vai reagir não sendo um centralizador tão grande das ações do time. Em todos os níveis ele foi acostumado a ter a bola nas suas mão, e quando não teve, não trouxe nenhum valor significativo trabalhando sem a bola. Também é importante ter em mente, que embora possua um grande potencial como um pull up shooter, como dito previamente, ele não é um grande jogador arremessando no Catch&Shoot. E será importante ver como será sua reação e de que maneira ele vai trazer valor ao ter que dividir mais o controle da bola com os outros jogadores da equipe. 

 

 

Isaiah Todd, PF

Isaiah Todd still torn in decision between Kansas, Michigan

Altura: 6’10 (2,08)

Peso: 215 lbs (98 Kg)

Envergadura: 7’0 (2,13)

Nacionalidade: EUA

Idade: 17/10/2001 (18 anos)

Comparação: Julius Randle/ Marcus Morris

Projeção no Draft: Fim do 1º Round/Começo do 2º Round 

Isaiah Todd, o 2º jogador a se unir ao Select Team, é um jogador que divide opiniões. Alguns o consideram um jogador de loteria, e outros um de 2º round. Eu fico com o segundo grupo. Isaiah tem muitas qualidades, é claro. É um jogador muito grande e longo, consegue fechar linhas de passe muito bem, é um team defender bem inteligente, sempre procurando fazer a ajuda quando necessário, e um bom protetor de aro secundário, No ataque mostrou muito potencial pontuando nos 3 níveis, espaçando a quadra, e podendo usando sua altura para arremessar por cima do marcador, explorando bem o nível intermediário com o mid-range jumper, e mostrando habilidade no post. 

Mas o problema é todo o resto (inclusive, o anteriormente dito péssimo decision maker do time, é ele). Na EYBL Todd conseguiu ficar no Top 3 de mais turnovers cometidos por jogo, com 4, e isso sem sequer ser um criador primário de seu time, seu Ast/TO ratio ainda foi de 0.35, ou seja, para cada assistência que ele dava, cometia praticamente 3 turnovers.

Muito frequentemente ele força passes arriscados e perigosos sem necessidade, e mesmo que existam flashes de execução boa de passes com apenas uma mão (quase sempre com a direita) e passes cruzando a quadra, numa base de jogada a jogada, ele prejudica muito mais o time de que o beneficia.

Isaiah parece sempre estar tentando fazer mais do que o que consegue em quadra, forçando drives em cima de 3 ou 4 defensores, tentando dribles e perdendo o controle da bola, tentando jogar num ritmo que não consegue e  forçando arremessos de baixo aproveitamento ou muito contestados.

Ele ainda é um jogador com muito potencial dos dois lados da quadra, e que pode fazer coisas muito incomuns para um jogador da sua idade e altura, porém ainda é algo muito cru, e pouco lapidado. 

 

 

Daishen Nix, PG

Five-star recruit Daishen Nix signs with NBA G League | NBA.com

Altura: 6’5 (1,96)

Peso: 205 lbs (93 Kg)

Envergadura: 6’8 (2,03)

Idade: 13/02/2002 (18 anos)

Nacionalidade: EUA

Comparação: Lonzo Ball/Shaun Livigston

Projeção no Draft: Meio/Fim do 1º Round 

Nix foi o 3º jogador a se juntar ao Select Team, mesmo tendo se comprometido com UCLA em 2019, em abril deste ano o armador retirou seu comprometimento com a universidade e assinou um contrato com o programa da G-League.

Daishen é um armador muito alto, 6’5, como tem sido a tendência da liga, grandes playmakers que podem enxergar sobre a defesa e com capacidade para marcar múltiplas posições. E é exatamente isso que Nix é.

Ele é um passador muito bom, e um facilitador natural, um dos melhores do quesito em toda a classe. Seu tamanho lhe dá o poder de ver o jogo por cima da defesa, e observar toda a quadra a partir dali. O armador também não tem medo de tentar passes de alto risco/recompensa, pode passar usando apenas uma mão, saindo de dribles e em velocidade. E é bem criativo como playmaker.

O seu jogo com slasher é também muito avançado, com seu tamanho, força física, uma boa primeira passada e inteligência, ele acha seu caminho para a cesta com facilidade, tem um ótimo toque finalizando, e aguenta sofrer contato. Sua habilidade para cavar faltas quando ataca o aro também merece destaque.

Na defesa mostra bom engajamento nas jogadas, pressiona bem seu homem, sempre busca fazer a ajuda, e tem bom QI defensivo geral. Pode legitimamente marcar das posições 1 a 3.

Sua principal fraqueza é o arremesso, que tem problemas mecânicos básicos, é inconsistente e de release muito lento. E isso pode ser um grande problema, já que Kuminga, Green e Todd mesmo tendo mostrado habilidade no arremesso, são todos muito inconsistentes e pouco confiáveis, e Nix é ainda pior que os três. Ele também pode ser muito passivo algumas vezes, e não traz pontuação como um elemento consistente do seu jogo..

Seus passes de alto risco também podem ser prejudiciais ás vezes, e a busca por eles muito frequentemente é um problema em alguns jogos, cometendo muitos turnovers. 

 

  

Kai Sotto, C

Kai Sotto to train overseas | BusinessMirror

Altura: 7’2 (2,18)

Peso: 225 lbs (102 Kg)

Envergadura: 7’4 (2,24)

Idade: 11/05/2002 (18 anos)

Projeção no Draft: 2º Round-Undrafted

Comparação: Zubac/Joakim Noah (piorado) 

O 1º jogador internacional e o 4º ao todo a escolher a G-League, Sotto ganhou nos últimos anos um status até como um prospecto de 1º round, pegando muitos rebotes, dando tocos, e sendo a monstruosidade que é com 7’2 e 18 anos. Mas a verdade, é que hoje, isso é um exagero.

O filipino tem sim qualidades, sua altura e seus longos braços impressionam, dando muitos tocos, colocando as mãos em passes e brigando por rebotes. Kai foi sim uma grande força nos níveis mais baixos, anotando mais de 16.8 Pts, 13.5 Reb 2.5 tocos no torneio asiático sub-16 e depois 16.4 Pts, 10.6 Reb e 2.3 tocos na Copa do Mundo sub-17, ambas em 2018 e depois em 2019, tendo médias um pouco menores na Copa do Mundo Sub-19, na Grécia , foram: 11.7 Pts, 7.9 Reb e 3.1 tocos de média. E é claro, as estatísticas todas parecem ótimas, mas ao destrinchar um pouco mais nas suas características, o ceticismo quanto a ele deve ficar mais claro.

Sotto é um típico big dos anos 80/90, fica a maior parte do tempo debaixo da cesta, esperando para receber a bola ali e tentar de alguma maneira forçar a bola para a cesta.

Mesmo tendo feito melhoras muito grandes como passador, suas decisões ainda são muito ruins, e ele continua perdendo oportunidades de passe claras, isso resultou num Ast/TO Ratio de 0.77 na Copa do Mundo Sub-19, no ano passado. O ball handling ainda é bem cru, ele parece estar a ponto de perder o controle da bola muitas vezes (e várias vezes, realmente perde)

A sua finalização ao redor da cesta não é o que se espera de um jogador que deveria ter esse atributo como principal qualidade. Ele consegue sim muitos pontos dentro do garrafão, mas muito se deve a sua altura, e pouco a suas habilidades como finisher. O toque não é nada demais e ele sofre muito com contato, mesmo de jogadores menores. Ele também teve aproveitamento de quadra inferior a 48% em duas das 3 competições principais, já citadas, com a seleção.

A sua defesa também deve ser um problema, embora seja de fato um ótimo protetor de aro, a agilidade lateral é absolutamente terrível, usar ele em trocas de marcação parece ser totalmente inviável, mesmo no futuro, e até usando deep drops ele sofre muito, por não conseguir se movimentar bem para trás e acompanhar o ataque.

Agora falando mais sobre seus pontos positivos, o seu tamanho é de fato muito impressionante, e pode ter um bom valor por si só. A habilidade como protetor de aro é inegável, e não é só tamanho,Sotto prevê bem movimentações próximas ao aro e tem excelente timing para bloquear os arremessos.

O playmaking também vem numa trajetória positiva, mesmo que permaneça muito abaixo da média, há potencial.

E agora o grande ponto com ele, o arremesso. Ele apresenta um bom toque no mid-range, e vem desenvolvendo mais confiança do perímetro, mesmo que num estágio embrionário. Desenvolver um bom, e consistente arremesso é a única maneira, que hoje, vejo ele retornando valor de 1ª rodada 

 

 

  

 

 

 

Para fechar falando um pouco sobre o fit geral do time. O grande problema é que não existe nenhum tomador de decisões totalmente confiável no time, e a maior parte dos jogadores do time costumou ter sempre a bola nas mãos 100% do tempo, e isso não vai acontecer no Select Team. Nenhum deles também pode consistentemente converter arremessos, especialmente sem a bola, e espaçamento pode se tornar um problema.

É claro que com todo o talento do time, especialmente nas duas estrelas do time: Jalen Green e Jonathan Kuminga, todos os problemas podem ser resolvidos, e eles são todos muito jovens, então é muio provável que haja evolução durante o ano, e esses problemas acabem sendo menores do que parecem. 

 

 

 

 

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