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Por que precisamos valorizar Russell Westbrook além dos seus triple-doubles?

A bolha da NBA, aparentemente, começou a surtir efeito, depois de uma onda de testes positivos que atingiu nomes importantes. Entre eles, um jogador, digamos, controverso. Controverso porque há quem não o valorize, apesar de seus números impressionantes e da importância e impacto que teve em uma certa franquia de Oklahoma.

Russell Westbrook partiu para novos desafios nesta temporada e, até mesmo essa decisão foi motivo de questionamento, afinal, Russ e Harden conseguiriam jogar juntos? O camisa 0 não demorou para responder em quadra, adaptando seu jogo, mudando seus números e fazendo a dupla funcionar, respondendo às inúmeras “brincadeiras” que, mais uma vez, o colocavam no centro das dúvidas.

Nos protestos, Russ estava nas ruas. E não foi a primeira e, certamente, não será a última vez que a imagem de Westbrook se funde às lutas sociais e raciais. Alvo de racismo na NBA – inclusive, tema do episódio 26 do NBA das Mina – Westbrook tem uma voz ativa dentro e fora da Liga. Além de ir às ruas após a morte de George Floyd, além de suscitar frequentemente o debate dentro e fora de quadra, além de trabalhar na comunidade de Oklahoma, Russ se uniu ao diretor Stanley Nelson na produção do documentário “Terror em Tulsa: a ascensão e a queda de Black Wall Street”, sobre o Massacre de Tulsa, maior ataque racial da história dos Estados Unidos, que completa um século em 2021.

Russell Westbrook já fez história nas quadras quebrando recordes, sendo chamado de “senhor triple-double”, sendo a figura mais importante do OKC e, agora, caminhando, mais uma vez, ao lado de Harden, desta vez, em Houston.

A adesão de jogadores e da própria NBA a ações que promovam o debate social efervescente nos Estados Unidos teve seus limites. A bolha foi pensada para proteger os jogadores, comissão, funcionários, jornalistas, ao mesmo tempo que a NBA pensou em detalhes para não deixar a discussão social e racial de lado, tema que, inclusive, fez alguns atletas abdicarem do restante da temporada e provocou discussões intensas sobre a responsabilidade dos jogadores e do uso de suas plataformas neste momento da história.

O camisa 0, que contraiu o coronavírus antes mesmo de se unir ao Rockets na bolha e, chegou, nesta terça-feira (21) a Orlando, depois de ser considerado curado – ele ainda ficará isolado por 48 horas antes de, efetivamente, se juntar aos companheiros – estará em quadra. Ele sempre está. Westbrook é movido pelo jogo, pelo desafio, pela vontade de conquistar um título. Mas, mais uma vez, ele fez mais.

Apesar das mensagens gravadas em quadras, camisas, e arenas, a NBA tem seus limites no que diz respeito a semear e promover os debates tão intensos fora da bolha. Westbrook não. Em parceria com a NBPA (National Basketball Players Association), a marca de roupas de Russell, a Honor The Gift, irá produzir camisas com mensagens que não foram aprovadas para serem utilizadas nas jerseys. A NBA tem seus limites.

“Systemic Racism”, “I Can’t Breathe”, “No Justice No Peace”, Police Reform”, “Break the Cycle”, “By Any Means”, “Power to the People”, “Strange Fruit” e “Am I Next?” estarão estampadas em camisas usadas pelos jogadores, jogadores esses que já sofreram com o racismo dentro e fora das quadras, que estiveram nas ruas usando suas imagens para chamar a atenção para uma luta de séculos.

Nas redes sociais, não é incomum surgir, volta e meia, a discussão: Russell Westbrook é overrated ou underrated? Ainda na última semana, uma das famosas listas que costumam pipocar nesta época da temporada colocava Russell Westbrook apenas como o 23º melhor jogador da temporada. Ele riu. Típico de Russell Westbrook que, esperem, responderá em quadra.

Provavelmente, excluindo os torcedores do OKC, poucos são aqueles que conseguem valorizar o talento de Russell Westbrook em quadra e, quando o fazem, não fazem com a intensidade que ele merece. Até aí, “tudo bem”, opiniões. Mas, é preciso valorizar Russell Westbrook sem a camisa 0 e vestindo um uniforme muito mais importante e impactante, o de ser humano.

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