Ir para conteúdo

Como o Orlando Magic perdeu Shaquille O’Neal

Em 1996 o Orlando Magic tinha tudo para renovar com Shaq. A franquia conseguiu perder seu maior astro. Como o Magic conseguiu perder Shaquille O’Neal para o Lakers, mesmo tendo a faca e o queijo na mão? É o que conto a partir de agora.

Shaq chegou no time do Orlando Magic na temporada 1992-93. Até ali, a franquia havia vencido 70 partidas em toda sua história. Logo que ele chegou, o time teve sua primeira temporada vencendo ao menos 50% – a melhor temporada havia sido de 37,8% de vitórias – de suas partidas e perdeu a vaga nos playoffs para o Indiana Pacers por pouco.

Com a chegada de Anfernee “Penny” Hardaway no ano seguinte, recrutado por Shaq, e o time virou um dos melhores da NBA. Nas próximas 3 temporadas, Shaq e Penny lideraram o Magic para temporadas com 50, 57 e 60 vitórias respectivamente. 

O auge do time foi tirar Michael Jordan e o Chicago Bulls dos playoffs, o único time que desclassificou os Bulls com MJ depois de 1990. E as Finais da mesma temporada, 1994, quando o time ficou, e eu vou morrer acreditando nisso, a um lance-livre de Nick Anderson de vencer o título.

“Quando Shaq saiu, eu sabia a magnitude disso tudo imediatamente”, disse Penny Hardaway para o podcast All That Smoke. “Sabia que estávamos acabados”. Essa reação dá uma ideia do que foi perder O’Neal. De candidatos ao título para, no máximo, perder na primeira fase dos playoffs, nas duas vezes que chegaram nos próximos anos.

Em 2016, Joel Curry, assistente de Leonard Armato (agente de Shaq em 1996), contou para o cbssports que o time da Flórida tinha o negócio nas mãos. A ideia inicial era Shaq permanecer no Magic. Afinal, nenhum time podia oferecer muito mais. 

Orlando tinha os “Direitos de Bird” de Shaq. Um dia explico a história da regra, mas ela, basicamente, diz que o time que tem os direitos pode passar do teto salarial para assinar com o jogador, enquanto os outros devem encaixá-lo no teto. Ou seja, Shaq tinha tudo para continuar a ser do Magic.

Como o Orlando Magic perdeu Shaq? O primeiro erro foi logo no início das negociações. A primeira oferta de Orlando foi de quatro anos, US$54 milhões. Juwan Howard e Alonzo Mourning haviam acabado de renovar, cada um, por sete anos, US$105 milhões. E, ainda assim, Shaq seguiu negociando.

Shaq receberia US$13,5 milhões por ano, sem opção de deixar seu contrato até o final. Shaq respondeu com uma contraoferta de US$20 milhões por ano, com a opção de sair após o terceiro ano de contrato. Agora, era pegar ou largar? Nunca! Shaq, mais de uma vez, comentou que colocava seu valor lá em cima, para depois negociar. 

Orlando respondeu criticando os lances-livres de O’Neal. 

Quando um time de mercado pequeno, sem história na NBA, consegue alguém que já é um dos maiores jogadores da liga, chegar em uma negociação criticando partes do jogo dele é a última coisa a se fazer. Pior ainda se for alguém conhecido por ser sensível, como Shaq. Você diz que ele é a melhor coisa desde a invenção do ar condicionado e faz de tudo para mantê-lo feliz.

Shaq era um talento tão incrível que, com Jordan de agente livre, a maioria dos times consideravam o pivô como o cara a ser perseguido. E Orlando resolveu ser quase hostil ao jovem jogador nas negociações. 

Nessa situação apareceu Jerry West e o Los Angeles Lakers. Os Lakers trocaram Vlade Divac por uma escolha do draft de 96 do Charlotte Hornets, um tal de Kobe Bryant, que abriu mais espaço sob o teto salarial para ir atrás de O’Neal. E os Lakers já meteram o proverbial pé na porta com uma oferta que interessava mais do que a do Magic, US$95,5 milhões por sete anos, com a opção de sair do contrato após o terceiro. 

Do outro lado do país, Orlando continuava pechinchando. Os executivos do Magic tomaram uma posição passiva, esperando ofertas de outros times antes de aumentar a sua. Isso começou a afastar O’Neal da Flórida. De um lado, os Lakers faziam de tudo para aumentar a oferta, que já era a melhor na mesa. Do outro, o Magic parecia não ter tanto interesse em manter seu jogador. 

West trocou Anthony Peeler e George Lynch, podendo fazer uma nova oferta, mais alta ainda. Foi só aí que Orlando mudou um pouco de posição. Duas ofertas do Magic chegaram à mesa de Shaq: quatro anos, US$64 milhões, ou sete anos, US$109 milhões, com opção de sair do contrato no quarto ano, não no terceiro, preferência de O’Neal. 

Orlando brigar por causa de um ano, e oferecer incentivos quase impossíveis para que Shaq recebesse mais (converter 60% dos lances-livres na temporada?) irritou ainda mais Armato e O’Neal. 

Então o jornal Orlando Sentinel, e a população da cidade, resolveram jogar Shaq para o colo dos Lakers. A pesquisa foi simples “Shaq vale US$115 milhões?”, sem contexto além desse. Mais de 90% das pessoas que ligaram – ei, era 1996, internet ainda estava na infância – responderam “não”, muitos, segundo o Sentinel, com discursos racistas. 

Para piorar a situação, a seleção americana dos Jogos de Atlanta 96 acabara de chegar em Orlando. Desde o início das negociações Shaq não se sentiu querido pelo Magic, agora isso. Ainda por cima ter que ouvir seus companheiros de seleção tirando onda? Foi demais.

A posição reativa, e não proativa, do Magic, mais a pesquisa do Orlando Sentinel empurraram Shaq para o outro lado dos Estados Unidos. Nem a diferença imensa em impostos entre a Flórida e Califórnia foram suficientes para convencer O’Neal a ficar, depois de se sentir desprezado por Orlando. 

Shaq foi para os Lakers onde liderou o time no 3peat de 2000 até 2002. Depois voltou para a Flórida, mas para o Miami Heat, onde foi o fiel escudeiro de Dwyane Wade no primeiro título da franquia. Eventualmente, foi imortalizado no Hall da Fama do basquete.

Quem sabe como as coisas poderiam ter sido diferentes? Shaq poderia ter ficado em Orlando, caso o Magic tivesse negociado de boa fé desde o início. Eu estaria aqui escrevendo como ele ficou na Flórida e teve Finais épicas contra o San Antonio Spurs, múltiplas vezes. E colocou o Orlando Magic como uma das maiores franquias da história da NBA.

Siga o Rubens no Twitter:

 

 

 

 

Seja um assinante do Blog do Souza por somente 7 ou 10 reais por mês:

 

 

 

 

Siga o Blog do Souza nas redes sociais:

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 

Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

2 comentários em “Como o Orlando Magic perdeu Shaquille O’Neal Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: