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Torcer pelos Knicks? Tem louco para tudo

Foto: Nathaniel S. Butler/Getty Images

Por que alguém torce pelo New York Knicks no ano de nosso Deus de 2020? Foi a sugestão do lendário Ricardo Bulgarelli. “Rubão, explica por que você começou a torcer para os Knicks”, parafraseando um pouco pois perdi o áudio, mas a ideia foi essa. Não tem como dizer não para alguém como o Bulga. Parece loucura, verdade, mas eu tenho uma explicação. E ela começa no início dos anos 90, quando comecei a acompanhar a NBA de verdade. Quando a gente não tinha internet, existiam uns cinco canais na televisão e NBA era toda a sexta-feira na Band.

Não posso negar, como qualquer pré-adolescente (pré-pré adolescente?) foi Michael Jordan que me trouxe à NBA. Mesmo assim, nunca consegui me identificar com o Chicago Bulls. Algo sobre torcer para o time “da moda” não me descia bem. Pausa para deixar claro que isso é uma coisa minha, e entendo que, por “n” motivos, o “normal” é torcer para o time que está em voga. 

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Os Knicks venceram dois títulos e participaram de algumas Finais nos anos 70. Os anos 80 foram duros, mesmo com a chegada do meu Knick favorito, Bernard King, o time não teve tanto sucesso. Em 1985, no polêmico draft, chegou Patrick Ewing e a coisa mudou. Um pouco, pois Jordan ainda estava no caminho.

Mas não foi Ewing que me atraiu para os Knicks. Eu sempre fui um cara que, apesar de conseguir pontuar bem, preferia fazer o trabalho sujo. Defesa, rebote, corta-luz, achar o jogador livre, esse sempre foi o meu jogo. Por isso, quem me fez olhar o time com outros olhos foram Charles Oakley e Anthony Mason

A dupla é o que penso quando escuto “Basquetebol do New York Knicks”. Dois jogadores durões, mas não sujos, que faziam o que o time necessitava para vencer. Não tinham um jogo esteticamente bonito, para a maioria. Tudo o que faziam parecia ser difícil, nada plástico. 

Anthony Mason

Mase jogou apenas cinco temporadas pelos Knicks, mas é difícil encontrar alguém que é tão a cara da franquia quanto ele. Um ala de força. Não um ala-pivô, como hoje em dia, mas uma tradução quase literal do inglês –power forward– do que a posição era nos anos 90. E, ao mesmo tempo, jogou como armador sob o comando de Don Nelson.

Alguém que, ao mesmo tempo que fazia Oakley parecer sutil, negociava o contra-ataque como um Magic Johnson que passou tempo demais no crossfit. Não com a mesma criatividade e beleza de Magic, claro, mas com uma visão tão boa que a comparação não é tão absurda como parece em primeiro lugar.

Durão e criativo. A cara de Nova York. Mason podia tanto lhe driblar e achar um passe maravilhoso quanto passar por cima de você, sem pestanejar. 

Em 1993, Charles Barkley pulou a mesa para reclamar que Mason havia feito uma falta nele. Depois da partida, ao ser perguntado sobre isso, Mason respondeu, “se eu tivesse feito uma falta nele, ele não conseguiria pular a mesa para reclamar”.

Nas Finais de 1994, Mason marcou Hakeem Olajuwon da melhor maneira possível, algo que Patrick Ewing falhou, nas sete partidas. Depois de uma delas, Hakeem resumiu Mase de uma maneira que só o melhor pivô da história poderia, “Mason… cara pequeno que gosta bastante de trombar”.

O maior elogio que recebi até hoje numa quadra de basquete feito do Matheus Meyohas, “é um Anthony Mason dos pampas”. Valeu Matheus, acho que nunca vou receber um elogio desse tamanho por algo que eu tenha feito.

Charles Oakley

Oak! Assim como Mason, talvez mais ainda, representava a definição de dicionário do ala de força. É aquele cara que sabe que tem um trabalho a fazer, que pode não ser glamoroso, mas vai lá e faz. E protegia os colegas de equipe como se fossem familiares. Por isso Michael Jordan ficou irritado quando foi trocado dos Bulls para os Knicks. E Vince Carter dizia que nem ele nem Tracy McGrady se preocupavam com alguma coisa, tendo Oak na retaguarda.

Numa era cheia de caras durões, Oakley era o mais durão de todos eles. Você não precisava pedir a ajuda de Oakley em uma confusão. Estando no time dele, era uma certeza que o 34 dos Knicks estaria no meio, ajudando seu companheiro. 

Nada ilustra o quanto Oakley metia medo do que as duas vezes que ele deu uma tapa (sim um tapa) em dois dos caras que metiam medo em todo mundo. O primeiro, foi Charles Barkley. Em uma negociação com os donos, no locaute de 1999, estavam Chuck Taylor, Derrick Coleman e Barkley conversando em um corredor. 

Oakley chegou e foi direto na direção de Barkley. “O que você falou sobre mim?”, foi o que ele disse, antes de acertar Barkley, no rosto, com a mão aberta. 

Oak conversou tempos depois, com o New York Daily News, explicando um pouco do que houve. “Eu estava de saco cheio dele. Ouvi o que ele disse em Atlantic City. Disse para ele trocar o nome dele. Eu sou o único Charles”.

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O quê Barkley disse? Que a troca de Oakley por Marcus Camby era melhor para os Knicks. 

O outro tapa foi Tyrone Hill, em 2000. Parece que Hill devia US$20.000 para Oakley. Após prometer que pagaria em duas vezes, Hill voltou atrás. Oak respondeu da melhor maneira que conseguia no momento, deu um tapa em Hill. Alguns dizem que ele pagou a dívida completa, outros que pagou a metade quase que na hora. Mas uma coisa é certa, Oakley não tinha medo de ninguém.

Foram esses os dois caras que me fizeram amar o time. O fato dos Knicks terem fugido tanto de suas origens, com times sem coração, fazem ser difícil manter a torcida pela equipe, mais ainda do que as constantes derrotas. 

Quem sabe um dia os anos 90 voltem? Quem sabe… Quando Phil Jackson chegou de volta, como dirigente, parecia que o time estava pronto para ir pelo caminho correto. Infelizmente, a pressão de fora, e principalmente da imprensa novaiorquina, fez com que essa oportunidade entrasse pelo cano. Hoje a torcida nem é por um título, mas de um retorno para os tempos de basquete competitivo no Madison Square Garden.

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Rubens Borges Ver tudo

Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

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