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Qual o maior ensinamento que a pandemia está dando para os clubes?

Desde o anuncio do cancelamento da temporada do Novo Basquete Brasil (NBB) no dia 4 de maio, muitas perguntas começaram surgir no meio do basquete. Como por exemplo: quando teremos uma nova temporada? Quais times vão jogar? Teremos mais ou menos equipes? Qual será o tamanho da queda do investimento nos clubes e por aí vai.

Porém, a pergunta que segue ecoando na cabeça de todos é se algum time vai realmente encerrar as atividades e não jogar o próximo NBB. Isso porque recentemente vimos o Pinheiros liberar todos os seus atletas antes do cancelamento da temporada e o presidente do Corinthians informando que as atividades do basquete seriam encerradas. No caso do time do Parque São Jorge, o encerramento seria temporário até a competição voltar.

São situações como essas que ressaltam os clubes que estão com o trabalho de gestão em dia e que se prepararam minimamente para uma crise. É evidente que ninguém esperava por uma pandemia, mas se os dirigentes priorizassem a saúde financeira da sua instituição e fizessem um projeto de médio a longo prazo tendo um planejamento para situações de crise, provavelmente o cenário seria outro.

Isso não é incomum no meio empresarial. As empresas normalmente separam uma porcentagem do seu ganho mensal para uma possível crise financeira ou até mesmo para uma grande expansão no mercado.

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Então, por que os clubes não seguem a mesma linha? Tudo bem que não são uma empresa formal, mas a saúde financeira e transparência com certeza iria fazer bem para a equipe e até mesmo para a competição.

O que não dá, é termos essa indefinição se vai ter time X ou não em pleno 2020. Tudo porque o planejamento foi mal feito ou o dirigente gastou mais do que o clube arrecada.

Para falar mais sobre esse assunto e nos explicar a importância de uma boa gestão, eu procurei o economista Vitor Luis Camargo para nos ajudar.

Ele é formado em economia pela FEA-USP, tendo cinco anos de experiência profissional em consultoria e gestão. Vitor também é autor do livro ‘Era de Gigantes’, escrevendo há 10 anos sobre esportes e está presente nas redes sociais com os perfis Na Era do Garrafão e TM Warning.

Vamos ler o que o Vitor fala sobre o tema.

“Uma organização esportiva não é, fundamentalmente, diferente de qualquer outra empresa. E, assim como no mundo empresarial, atingir o resultado desejado passa por um bom planejamento, gestão e execução.

E boa gestão não só leva a mais eficiência, mas também a maior proteção. É claro, ninguém poderia esperar uma pandemia como essa eclodindo em 2020 e causando todos os efeitos colaterais que vieram com ela, levando a cancelamentos, adiamentos, quarentenas e todos os outros. Mas as empresas e os times que possuem uma gestão bem estruturada – que conhecem bem o seu processo, as etapas do seu próprio funcionamento, possuem um planejamento de médio e longo prazo e que trabalha com cenários diferentes – estão em uma posição muito mais favorável para lidar com esses imprevistos.

É muito mais fácil para empresas (e times) assim identificarem oportunidades de ganho e redução de custos emergenciais do que uma que precisa perder tempo em uma emergência primeiro colocando a casa em ordem. Você já sabe de antemão onde pode mexer e onde não pode, dependendo da sua complexidade e efeito sobre o resultado final, e um maior dominio sobre sua organização facilita na hora de tomar as decisões difíceis.

E um dos maiores inimigos de uma boa gestão, e um bastante comum no mundo dos esportes, é o imediatismo. O excesso de atenção e gastos com o hoje é uma aposta de alto risco que, no caso de um imprevisto, pode afundar toda a operação. Enquanto isso, uma visão de médio e longo prazo adiciona estabilidade e perspectivas futuras, dando uma base em cima da qual planejar a saída dessa crise, o que também passa por questões financeiras: um olho no futuro leva a mais contingências, reservas e maior controle financeiro e do fluxo de caixa, que são fundamentais em um momento de crise onde as receitas acabam sendo diminuídas.

Equipes esportivas as vezes são vistas como sendo diferentes do resto, à parte do mundo comercial, mas a verdade é que as lições que levam ao sucesso muitas vezes são iguais em ambas, e o esporte tem muito a aprender nesse sentido. A crise, por pior que seja no momento, pode oferecer uma oportunidade única para as equipes brasileiras repensarem sua própria estrutura e a forma como se organizam.”

Por fim, está claro que o maior ensinamento que essa pandemia está dando para os clubes é a importância de fazer uma ótima gestão. Agora fica a critério dos clubes melhorar o seu planejamento ou não.

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Felipe Souza Ver tudo

Sou o criador do site HSBasketballBR, Blog do Souza e fui co-criador do Live College BR. Fui o primeiro brasileiro a escrever sobre high school para um site americano, o D1Vision. Trabalhei para a Liga Super Basketball como repórter e assessor de imprensa. Também escrevi para os blogs como Jumper Brasil e TimeOut Brasil, tive textos publicados pelo Bala Na Cesta. Trabalho de Scout nas horas vagas e acredito que o estudo diário do basquete, me faz um profissional melhor.

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