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Mesa-redonda do Souza: “The Last Dance”

Foram muitas emoções ao longo das últimas semanas. A cada segunda-feira a Netflix despejava duas horas do puro suco do entretenimento com os novos episódios de “The Last Dance”. Para alguns representou uma volta a tempos mais simples, mas também teve gente que, por incrível que pareça, estava sendo apresentada à obra de Michael Jordan e até pediu: “Sem spoiler, por favor!”.

Aqui no blog, é claro, todo mundo já sabia o final da história, mas acompanhou cada episódio como um lançamento de (insira sua trilogia/saga preferida aqui). A minissérie de dez episódios deixou saudades. Antes tarde do que nunca, reunimos o elenco do blog para uma mesa-redonda no sentido figurado, cada um da sua casa, para debater o que foi “The Last Dance”.

Qual a principal conclusão que se tira de “The Last Dance”?

Igor Santos: Eu pessoalmente acho que Michael Jordan é o melhor de todos os tempos. Mas essa discussão nunca acaba e na maioria das vezes toma um rumo que deixa de ser debate e se torna pura especulação e achismo. O que fica de Last Dance, para mim, é outra coisa. Como o autointitulado Jesus Negro, Jordan dividiu o mundo do esporte em antes e depois dele. A forma como consumimos entretenimento esportivo mudou, as expectativas que se criam em torno da figura de um atleta de porte mundial mudaram e o esporte como indústria fatalmente cresceu de forma extraordinária. Em todos esses aspectos, temos hoje personalidades tão ou talvez até mais emblemáticas do que ele, mas certamente isso se tornou possível graças à contribuição de Jordan.

Rubens Borges: Eu gostaria de ter visto um pouco mais sobre Barcelona 92. Não que existam histórias não contadas (nunca vamos ver os famosos treinos de Monte Carlo por inteiro), mas poderiam mostrar mais como MJ tornou o basquete, e principalmente a NBA, como algo global. Não concordo que tenham tentado limpar a imagem do Jordan. Apesar de a série não ter contado todas as brigas (não lembro de ver sobre o soco que ele deu no Will Purdue), mostrou como a obsessão em vencer afetou seus colegas de equipe. Que diga Scott Burrell.

Gonçalo Luiz: De que não existe discussão sobre GOAT. Jordan é o maior de todos. Construiu, mais do que um legado, um time e uma franquia inteiros. Bateu recordes e conquistou mais de uma mão de títulos de uma NBA que ainda não se mobilizava, como hoje, para proteger seus principais jogadores – e que, muitas vezes, os deixava apanhar em quadra direitinho. Sem falar na chamada “besta enjaulada com ódio” que arrebentava grades, correntes e, principalmente, rivais quando se sentia provocada ou desafiada.

Felipe Souza: Que Jordan é definitivamente o maior de todos e que sua mentalidade vencedora foi útil para as conquistas dos campeonatos, mas também destrutiva com o relacionamento com os seus companheiros.

O que você mais gostou na minissérie?

Igor Santos: O modelo de vai-e-volta da narrativa colabora para que a gente entenda como cada uma daquelas figuras chegou até ali. Poderia ter um pouco menos Jordan e um pouco mais Phil Jackson e talvez Pippen? Claro que sim, mas já se sabia desde o início que o foco seria nele, o astro ao redor do qual orbitam todas as outras estrelas.

Rubens Borges: Ver imagens dos bastidores sempre me agrada demais. Ver interações não só com colegas de time como com outros funcionários dos Bulls foi bom demais. Senti falta de mais Tex Winter no documentário. O homem que inventou o triângulo e era tão detalhista que, uma vez, reclamou dos passes de peito do Jordan merecia mais espaço.

Gonçalo Luiz: Muita coisa: as imagens e depoimentos exclusivos; as histórias de vestiário. Entender a dinâmica de uma equipe dinástica no mais alto nível do esporte, da mentalidade dos atletas à administração de grupo – e de Rodman – de Phil Jackson. “The Last Dance” é um documento sobre o que é preciso para triunfar na maior liga de basquete do mundo.

Felipe Souza: A forma como foi narrada (dando alguns flashbacks), os bastidores que sempre é interessante ver em uma equipe esportiva e como as outras pessoas também tratavam o Jordan como um jogador especial.

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E o que você menos gostou?

Igor Santos: A maldita camisa quadriculada do Phil que tornava quase impossível a tarefa de ler as legendas da entrevista dele.

Rubens Borges: A minha maior reclamação é que acabou. Queria mais. Por outro lado, eu daria mais espaço para os adversários dos Bulls dos anos 90. Mais Knicks de Patrick Ewing, Charles Oakley, Anthony Mason e John Starks, mais Magic de Shaq e Penny, etc. Acho que daria um pouco mais da dimensão da qualidade da liga na época.

Gonçalo Luiz: A narrativa tão inteiramente na mão de Michael Jordan. O 23 é, sem dúvida, principal protagonista de toda a trajetória daquele Bulls. Mas a própria repercussão posterior aos últimos episódios da série demonstra que havia mais histórias e, sobretudo, mais versões a serem contadas e ouvidas dos que as que apareceram no vídeo para os assinantes da Netflix.

Felipe Souza: Como algumas histórias foram esquecidas. Por exemplo: a série conta sobre o último ano do super Bulls e foca bastante sobre o “fim” da carreira do MJ. Porém, não mostraram que ele foi para o Wizards e o por que da sua escolha. 

 

Michael, Gary Payton merece um documentário sobre ele? Foto: twitter/@jasonhehir

Vimos como a dinastia do Bulls acabou ofuscando outras histórias de sucesso. Que time/atleta daquela época você gostaria de ver tendo mais destaque, quiçá até um documentário próprio?

Igor Santos: Me surpreendeu o quão pouco se falou de Hakeem Olajuwon e do Houston Rockets. É compreensível, considerando que as trajetórias dos dois acabaram se desenhando em paralelo às do Chicago Bulls e Michael Jordan, sem nunca se cruzarem, então o documentário – inconscientemente ou não – fez como muita gente faz e praticamente colocou asteriscos simbólicos nos títulos do Rockets em 94 e 95. Viraram nota de rodapé. Acho que eles poderiam ter tido um pouco de espaço. Adoraria ter visto Jordan falar da relação com Olajuwon. Por outro lado, talvez seja mais justo que aquele time receba os próprios holofotes e não as sobras dos outros.

Rubens Borges: Seattle Supersonics. As personalidades imensas de Gary Payton e Shawn Kemp, além do ótimo elenco em volta deles, são prato cheio para um documentário. Também seria legal ver algo sobre jogadores da posição de Jordan que, por não serem Jordan, ficaram meio esquecidos na história. Mitch Richmond é o primeiro que vem à mente, um ala-armador excelente que, talvez só ficasse atrás de Jordan na segunda metade dos anos 90.

Gonçalo Luiz: O próprio Chicago Bulls e seus personagens merecem um doc à parte. Pense quantas histórias há para contar da carreira de Phil Jackson: desde o rebelde jogador do New York Knicks nos anos 70 às mãos sem dedos suficientes para os 11 anéis conquistados como treinador. Quanta coisa ainda a contar sobre o croata Toni Kukoc, testado pelos próprios companheiros em sua chegada à NBA e pela guerra de independência que atingia suas raízes numa fatia da antiga Iugoslávia. Imagine Rodman contando suas aventuras, seja nas quadras da NBA, na noite de Las Vegas ou sabe-se lá em que circunstâncias na Coreia do Norte. E Kerr, que saiu na mão com o maior de todos, perdeu o pai como o maior de todos e foi campeão a vida toda?! Por fim, me desculpe o torcedor de Chicago, o próprio Bulls, pós-98, e sua inhaca desde então – com alguns momentos de esperança pelo caminho – daria um belo documentário.

Felipe Souza: Nossa, vários. Gostaria de ver alguns documentários nesse formato sobre o Lakers do Magic, Celtics do Larry Bird, Rockets do Olajuwon, Seattle Supersonics e muito mais.

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Igor Santos Ver tudo

Formado em Jornalismo pela UFRJ, tenho passagens pelo Jornal dos Sports e por O Globo. Desde 2013 estou na TV Brasil, onde sou repórter e apresentador do programa Stadium. Também escrevo umas palavrinhas sobre basquete pra Agência Brasil desde 2019.

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