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Tudo que você queria saber sobre The Last Dance mas não tinha para quem perguntar – Vol 2

Antes de entrar no segundo post sobre o “Arremesso Final”, me perguntaram “por que separar em volumes?” A resposta é simples, eu acho legal e parece mais importante do que separar em partes. É só isso. Mesmo. Não tem outro motivo. Agora, vamos ao que interessa: O segundo volume!

Scottie Pippen e seu contrato

Agora todos já sabem sobre o péssimo contrato do Pippen com os Bulls. Os motivos do péssimo contrato, o medo de Pippen de ficar pobre novamente, ou sofrer uma lesão séria e acabar em uma cadeira de rodas (como seu pai e irmãos), longe das quadras, sem conseguir ganhar os milhões que ajudam sua família. Obcecado, Pippen nunca mais queria ficar sem dinheiro. Isso acabou fazendo com que Pippen negociasse contra seus interesses.

Quando chegou em Chicago, o ala não sabia se conseguiria jogar na NBA. A primeira coisa que perguntou para seu agente, após assinar o contrato foi, “quanto eu recebo se for cortado como novato?” Jimmy Sexton, agente de Pippen, recorda, “ele queria segurança. Era com isso que mais se importava”.

Desde sua temporada de novato, Pippen sentia dores nas pernas. Bateu o medo. Do outro lado, os médicos dos Bulls, que não tinham a confiança dos jogadores, falavam para ele alongar. “Pippen é um reclamão”, parecia ser a opinião médica nos Bulls. Pippen sabia que não era só reclamação dele, ele via o final da carreira perto. Quando se alongava, seus pés ficavam cada vez mais longe.

Ao final da temporada de novato de Pippen, o time admitiu que ele precisava de uma cirurgia de disco. Imaginem, depois de tudo isso, escutar que você realmente tem um problema sério na coluna. Nunca mais confiou nos médicos de Chicago. E viu todos seus medos batendo na porta. 

Anos depois, Pippen seguia nervoso com a possibilidade de uma lesão que acabasse com sua carreira. Em 1990-91, ele ficou completamente desesperado depois de ver Charles Barkley lesionar o joelho. “Preciso de uma extensão agora”, exigiu o ala dos Bulls. Scottie afirmou, nos jornais, que jogaria abaixo do seu máximo até assinar um novo contrato.

Outra vez, Pippen disse que ficaria sumido até assinar um contrato mais alto. Logo depois, se apavorou e ligou para seu agente, exigindo que ele voltasse atrás e assinasse algo o mais cedo possível.

Esse foi o maior problema de Scottie Pippen na hora de negociar contratos. Além da falta de sorte de ver o teto salarial explodir logo após fechar um longo contrato, ele negociava contra ele mesmo sempre que possível, deixando seu medo vencer.

Durante as Finais de 1998, contra o Utah Jazz, Pip aguentou fortes dores nas costas. A cirurgia na coluna no início da carreira, o jogo da enxaqueca contra os Pistons, ter deixado a quadra no final de uma partida dos Playoffs de 1994, certamente tudo isso passou na memória de Pippen. 

Subir e descer na quadra no último jogo dos Bulls do trio Phil Jackson, Pip e MJ exigiu um esforço hercúleo do ala, mas valeu a pena. Chicago venceu seu sexto título em oito anos. 

Mesmo assim, no “fringir” dos ovos, como dizia uma tia minha, Pippen ganhou mais que MJ em suas carreiras. Scottie acabou com US$109.957.430, foram US$77.356.730 em cinco anos de Portland Trail Blazers. Jordan, por sua vez, acabou a carreira com US$93.285.000.

Dennis e seu babá

Não posso falar de Dennis Rodman nos Bulls sem falar de Jack Haley, falecido em 2015, aos 51 anos de idade. O pivô Haley foi importantíssimo na temporada 1995-96 dos Bulls, aquela das 72 vitórias. As estatísticas não mostram, afinal ele teve médias de 5 pontos e 2 rebotes em UM jogo. Mas ele foi uma espécie de babá para o Worm.

Apesar de odiar ser chamado de babá do Dennis, era para isso que estava em Chicago, fazer com que Rodman pisasse no freio, um pouquinho. 

Dennis encontrou a tempestade perfeita para seus talentos em Chicago, e um treinador que soube como lidar com os rompantes de… hmmm… criatividade do ala-pivô. 

Rodman não era apenas um cabelo colorido, ele foi o que os Bulls necessitavam. Com a saída de Horace Grant, a temporada 1994-95 mostrou o quanto Chicago ficou vulnerável sem um ala-pivô de qualidade para brigar por rebotes. 

Por trás da vida caótica de Rodman existia um cara que amava o basquete e estudava o jogo como poucos. 

No vídeo acima, Dennis explica como ficava até altas horas da madrugada com amigos na quadra. Os amigos arremessavam, Rodman anotava, mentalmente, para onde cada arremesso errado iria.

Depois, era só passar esse conhecimento para os colegas de equipe e adversários. “Ok, fulano costuma errar arremessos curtos, então a bola dele vai para ali. O outro erra mais por arremessar forte demais, então seus rebotes são mais longe do aro, então vou me posicionar lá”. Assim, estudando horas e horas de vídeos, chutes, Rodman sabia onde deveria estar logo que a bola deixava as mãos do arremessador. 

Atrás do maluco, batia o coração de um nerd. 

E amava cachorros, salvando-os no melhor estilo Libertadores. 

MJ vs Scott Burrell

Para contar sobre Jordan e Scott Burrell (notem como, no “The Last Dance”, MJ chama o colega pelo nome inteiro) temos que voltar no tempo. Mais precisamente para a temporada 94-95 e o retorno de Michael Jordan. 

A vítima da vez era Pete Myers. Myers tinha a mesma altura de Jordan e era um bom defensor. Myers também virou o ala-armador titular. Com isso, ele se tornou um dos alvos de Jordan. 

Depois dos treinos, Jordan fazia mais alguns exercícios e jogava um contra um, para recuperar o timing. Myers era um dos constantes adversários. “Eu não tive chances”, lembrou Myers sobre as sessões de tortura treinos, “Michael fazia umas 12 cestas consecutivas”.

Corta para a chegada de Scott Burrell no time. Ninguém queria jogar um contra um com Jordan, Burrell era o único. E insistia nisso. 

Burrell encheu tanto que MJ aceitou. Obviamente, venceu. Scott Burrell queria mais, quem sabe teria mais sorte numa segunda partida. “Claro que você quer jogar de novo”, provocou Jordan, “você quer contar para seus netos que venceu Michael Jordan. O quê eu vou contar para os meus? Que venci Scott Burrell?”

Assunto encerrado, mas Burrell virou o mais novo alvo de Jordan. Não apenas pelo desafio feito por Scott Burrell, mas também pelos desafios que os dois enfrentariam juntos, em quadra. 

Algo que ficou claro, para quem não conhecia MJ, foi ver o astro dos Bulls desafiar colegas de equipe o tempo todo. Ele precisava saber quem aguentaria a pressão. Por isso pegava tanto no pé de Burrell. 

Scott não havia participado de nenhum dos outros cinco títulos, Jordan acreditava que ele “não tinha comprometimento, determinação e seriedade”. 

Por sua parte, Scott Burrell (e eu nunca mais vou conseguir chamar ele só por um dos nomes) entendeu o que Jordan fazia. “Nunca foi físico, sempre verbal. Tudo para me fazer melhor”, desculpou. 

Não pode ter sido fácil passar por isso todos os dias. Jordan até admitiu ter tentando fazer com que Scott Burrell brigasse com ele. Mesmo assim, Scott Burrell sabia que era o que ele precisava para melhorar. 

Nem tudo foi sofrer na mão de Michael, Scott Burrell também pode aproveitar a experiência de jogar com o melhor de todos os tempos. Quando no Charlotte Hornets, o time tinha um segurança, em Chicago, era um segurança para cada jogador. O preço de jogar nos Beatles do Basquete. 

Uma vez, Scott Burrell estava atrasado para o voo do time. Suando de preocupação, ligou para Luc Longley, no mesmo engarrafamento em um carro pouco à frente. “De repente, eu vejo uma escolta policial correndo no acostamento, era o MJ ganhando uma escolta para o O’Hare (aeroporto de Chicago). Entramos atrás e chegamos a tempo”.

Assim era jogar com Michael Jordan. Partes boas, partes ruins, mas a ideia era estar no seu melhor. Jordan não aceitaria nada além disso. 

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Rubens Borges entrou no jornalismo esportivo em 2005, no BasketBrasil. Tempos depois, se juntou ao Blog Squad do site da NBA no Brasil. Entre os dois trabalhos, ele iniciou o blog e Twitter do Hit the Glass. Nas quadras, jogou em times como o Petrópole Tênis Clube e PUCRS.

1 comentário em “Tudo que você queria saber sobre The Last Dance mas não tinha para quem perguntar – Vol 2

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