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O surrealismo botafoguense

Surrealismo foi um movimento artístico e literário de origem francesa, caracterizado pela expressão do pensamento de maneira espontânea e automática, regrada apenas pelos impulsos do subconsciente, desprezando a lógica e renegando os padrões estabelecidos de ordem moral e social.

Essa é a definição literal do que é Surrealismo, mas também pode nos explicar o que acontece com a diretoria do time de General Severiano.

Na tarde de ontem, o VP de Esportes Olímpicos do Botafogo deu uma entrevista para o jornalista Thiago Veras da Tupi e trouxe algumas informações bem otimistas em relação a continuação do projeto.

É bom pensar de forma positiva, mas talvez é melhor trazer um tom de realidade para os torcedores e funcionários. Pois o que eu apuro a meses, antes da pandemia mudar nossas vidas, é bem diferente do que foi falado e nada otimista.

Vamos por partes.

Patrocínio e salários

O Botafogo realmente vai receber o valor de R$ 1.5 milhão da AMBEV e o dinheiro só não caiu por causa da burocracia. Esse é um baita ponto positivo, porém devemos lembrar que os jogadores e comissão técnica estão com cerca de 5 meses de salários atrasados. Fazendo uma conta por alto, o clube teria que desembolsar mais da metade do dinheiro da AMBEV só em salários de jogadores e comissão técnica. Bem verdade, que “sobraria” dinheiro se o clube não tivesse nenhum outra pendência.

Isso porque não sabemos se os gastos de manutenção da quadra, seja pagamentos de contas (luz, água, produtos de limpeza) e funcionários, estão em dia.

Na entrevista, o dirigente cita a TIM como empresa interessada em manter o acordo. Seria incrível para o projeto, já que a empresa de telefonia investe cerca de 4 milhões de reais no basquete adulto. Mas surgem algumas dúvidas coerentes: a TIM vai manter esse investimento na próxima temporada? Mesmo o cenário econômico de 2021 não sendo animador?

Se a resposta for sim, o Botafogo precisa comemorar muito. Porém, vejo de forma racional e acredito que essa verba vai cair. O investimento ainda vai existir, mas menor do que vimos atualmente.

Política e separação do clube

A partir do próximo ano, o alvinegro verá a parte social se separar do departamento de futebol. O que pode ser bom e ruim para o basquete.

Pode ser bom, pois com essa mudança o presidente não tem mais uma voz forte no futebol e vai querer mostrar serviço para os seus associados. Buscando patrocínios e sendo mais ativo nos esportes olímpicos. Por sinal, esse já está sendo um movimento que encontramos nos bastidores. Mas nada passa de promessas até o momento.

Por outro lado, os esportes olímpicos correm o risco de ser deixado de lado. Nesse sentido, a tendência é só manter as escolinhas do clube. Pois elas dão algum retorno financeiro.

Outro ponto importante neste quesito, é a política do Botafogo. Vimos no meio dessa temporada, um atrito enorme entre o VP comercial e marketing com o Diretor de Esportes Gerais. Situações como essa foram acirradas por causa do movimento político que foi visto nos bastidores do clube.

Por sinal, é dada como certa a saída do Diretor de Esportes Gerais e VP de Esportes Olímpicos quando o mandato acabar. O que chega ser uma perda para a Estrela Solitária. Pois mesmo os dois tendo defeitos (e muitos!), são dirigentes que foram fundamentais para que o projeto do Glorioso ficasse de pé.

Renovação e manutenção do elenco

É prudente o clube liberar os jogadores após o fim do contrato, já que vivemos um momento delicado no país. Mas o alvinegro não pode esperar muito para pensar o que fazer na próxima temporada. O time foi valorizado com razão após conquistas e resultados expressivos, mas não sei se todos os jogadores e comissão técnica vão esperar pelo clube carioca.

A tendência é que os salários diminuam na próxima temporada, além de existir a chance de alguns clubes encerrarem as atividades por não ter dinheiro suficiente para sobreviver. Então, os profissionais provavelmente não vão ficar escolhendo o clube que querem assinar.

Bem verdade, isso pode ajudar o Botafogo. Já que os gastos com salários devem diminuir. Entretanto, como o clube pode garantir se vai ter time na próxima temporada sem ter pago o que deve aos profissionais atuais.

Sim, o Vasco fez isso. Porém, vimos que fim levou.

Uma coisa é certa nesse momento, os dirigentes precisam jogar limpo para os seus torcedores. Não é feio dizer que a situação está ruim no clube e sim, dar declarações surreais para querer mostrar que está tudo bem. O dirigente não pode agir por impulsos do subconsciente e desprezar a lógica, precisa ser objetivo e transparente com os seus torcedores.

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Sou o criador do site HSBasketballBR, Blog do Souza e fui co-criador do Live College BR. Fui o primeiro brasileiro a escrever sobre high school para um site americano, o D1Vision. Trabalhei para a Liga Super Basketball como repórter e assessor de imprensa. Também escrevi para os blogs como Jumper Brasil e TimeOut Brasil, tive textos publicados pelo Bala Na Cesta. Trabalho de Scout nas horas vagas e acredito que o estudo diário do basquete, me faz um profissional melhor.

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