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A história do basquete em São José dos Campos

Mesmo com poucos anos de fundação, o Novo Basquete Brasil (NBB) possui equipes bastante tradicionais e que marcaram história no basquete brasileiro. Uma delas é o São José Basketball, que viveu sua época de ouro na década de 80 e reviveu parte das glórias do passado entre os anos de 2006 e 2015, mas hoje caminha fora do cenário nacional.

Neste texto, irei apresentar toda a trajetória de uma das equipes mais tradicionais do Brasil, que não vive uma boa fase hoje em dia.

O início

Fundado em 1948, o São José Basketball deu seus primeiros passos com a finalidade de promover os esportes de quadra na região do Vale do Paraíba. Entre as temporadas iniciais destaco o ano de 1952, que ficou marcado pela primeira conquista importante do time joseense, o extinto Campeonato Paulista do Interior. No mesmo ano, o águia foi vice-campeão do Campeonato Paulista, sendo derrotado na final pelo grande Corinthians. Na época, o clube se chamava Tênis Clube São José e tinha como estrela o medalhista olímpico Alberto Marson, que trouxe a primeira medalha da história do Brasil em esportes coletivos. Ele se tornou o primeiro símbolo esportivo da cidade.

Época de ouro

O então Tênis Clube São José viveu seu auge na década de 80, época que colecionou grandes craques e conquistas importantes. A equipe era comandada pelo gigante Edvar Simões, técnico com bagagem e história no basquete nacional. Natural de São José dos Campos, comandou a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964, local onde o Brasil conquistou o bronze na modalidade.

Além de um técnico de calibre, os joseenses contavam com um plantel recheado de estrelas, das quais destaco três: O multi-campeão Milton Setrini, mais conhecido como Carioquinha, um ala que colecionou também grandes passagens por Palmeiras, Flamengo, Sírio e seleção brasileira. O armador Nilo Martins foi mais um a ter papel fundamental nos anos dourados do São José, também deixando marcas em outras equipes e na seleção. Por último, a estrela do time, um dos maiores jogadores da história do basquete brasileiro e sem dúvidas o melhor que já existiu em sua posição, o saudoso Ubiratan Maciel. O pivô teve inúmeras conquistas em sua carreira, que foi encerrada no São José. “Bira”, como era chamado, garantiu oito medalhas com a seleção brasileira, conquistando o ouro inédito ao vencer o Mundial de 1963.

No ano de 1980, o São José tornou-se campeão paulista pela primeira vez em sua história após bater o Francana (atual Franca) na final em uma série emocionante. No ano seguinte, em 1981, a equipe joseense garantiu o inédito bi-campeonato paulista após ficar a frente de Monte Líbano, Sírio, Francana e Campinas no pentagonal final. No mesmo ano, conquistou o que seria o maior título de sua história. A vitória sobre o Francana por 74 a 72 na Taça Brasil deu a águia o seu primeiro campeonato brasileiro. Com o triunfo nacional, os comandados de Edvar Simões cravaram uma vaga no Sul-americano de 1981, onde foram derrotados na final pelo Ferro Carril da Argentina. Neste torneio, o São José encerraria sua época de ouro, que mesmo curta, foi bastante vitoriosa.

Volta à elite

Após os anos dourados no início da década de 80, o São José não conseguiu engatar boas campanhas e nem conquistar mais glórias. A equipe paulista ficou ausente de muitas competições oficiais no fim dos anos 2000, e voltou a elite do basquete nacional apenas em 2006, quando a gestão do São José passou de Tênis Clube para Associação Esportiva, garantindo uma cara nova para a disputa da principal competição estadual, o Campeonato Paulista.

A equipe joseense escreveu novamente seu nome na história do basquete em janeiro de 2010 após vencer o Paulistano por três jogos a zero em uma série que valia o título do Campeonato Paulista de 2009. Na ocasião, o destaque de São José era o armador Fúlvio, que liderou a águia na campanha histórica. O treinador da equipe era o renomado Régis Marrelli, que fazia questão de dedicar todas as conquistas aos fanáticos torcedores de São José dos Campos que lotavam o Linneu de Moura. O clube voltou a disputar a final do estadual em 2011, mas foram derrotados pelo Pinheiros por três jogos a um. Em duas temporadas no NBB, colecionaram eliminações nas quartas de final para o Flamengo em 2010 e o Franca em 2011.

Na temporada 2011/12, o São José investiu ferrenhamente em reforços com objetivo de ter uma equipe para brigar no topo do basquete nacional. Os joseenses montaram um elenco histórico que contava com diversas estrelas, entre elas destaco: Murilo Becker, Jefferson William, Andre Laws, Ricardo Fischer, Dedé Stefanelli, Jimmy Dreher e Calvo Masa. O plantel lotado de craques rendeu bons frutos ao time do Vale da Paraíba. Os comandados de Régis Marrelli conquistaram o tetracampeonato paulista ao bater o Pinheiros por três jogos a dois em uma final emocionante. No NBB, a águia também fez história, finalizando a primeira fase da competição com a melhor campanha, foram 23 vitórias em 28 jogos, emplacando em um momento da época 15 triunfos consecutivos, recorde do clube no torneio.

Nos playoffs, o São José quebrou tabus históricos contra Franca e Flamengo, eliminando ambas as equipes de forma épica e garantindo vaga na grande final do NBB pela primeira vez em sua história. Os paulistas enfrentaram o gigante Brasília na disputa pelo título e foram derrotados, ficando com o vice-campeonato. Naquela temporada, o pivô Murilo Becker venceu o prêmio de MVP do campeonato.

Entre 2012 e 2015 o São José teve boas campanhas nas competições em que disputou, caindo duas vezes na semi final do NBB e uma vez nas quartas de final. Pelo Campeonato Paulista, foi eliminado nas quartas de final em duas temporadas e venceu o título estadual em um ano de superação após derrotar o maior rival Mogi das Cruzes, por dois jogos a um, triunfo que garantiu o pentacampeonato paulista.

Crise financeira, encerramento das atividades e chance na Liga Ouro

A cidade de São José dos Campos que viveu anos animadores com o grande basquete apresentado pela equipe entre os anos de 2006 e 2015 nem imaginava o sofrimento que estaria por vir em 2016. Submetido a uma alta redução no orçamento, o São José caminhava sobre ovos para manter-se ativo na temporada 2015-16. A equipe paulista não disputou o campeonato estadual devido a problemas financeiros. Por conta do baixo nível do elenco, amargurou a penúltima colocação no NBB na época, finalizando ali o pior cenário para um dos clubes fundadores da liga e multi-vitorioso. Após o vexame, os joseenses pediram licença das competições oficiais e ficaram fora do NBB e do Campeonato Paulista entre o fim de 2016 e o início de 2018, ano em que o São José retomou suas ações, voltando a disputar o Campeonato Paulista e fazendo parte da divisão de acesso ao NBB, a Liga Ouro.

Com 9 equipes disputando uma vaga no NBB, o São José iniciou sua participação na Liga Ouro 2018. O elenco comandado Jaú contava com jogadores de calibre, como Douglas Nunes, Rafa Moreira e Hélio. A equipe joseense fez uma boa primeira fase, terminando na segunda colocação na classificação geral com 12 vitórias em 16 jogos, se classificando diretamente para a fase semifinal, onde enfrentou o Londrina e avançou para a final do torneio após vencer a série diante dos paranaenses por três jogos a zero. Na grande final, enfrentou o favorito Corinthians em um duelo que rendeu grandes jogos, mas a equipe corinthiana conquistou o título após vencer a série diante da águia por três jogos a um. Mesmo com o vice-campeonato, o São José garantiu uma vaga na temporada 2018/19 do Novo Basquete Brasil após emitir um pedido de retorno e receber um convite da Liga Nacional de Basquete.

Após um ótimo desempenho na Liga Ouro, os joseenses também fizeram bonito no estadual. O time do Vale do Paraíba teve uma boa campanha em seu retorno, finalizando a competição na sexta colocação com 8 vitórias em 18 jogos, se classificando para as quartas de final, onde enfrentou o Franca em jogo único e foi eliminado após ser derrotado por um placar elástico. Na ocasião os francanos venceram por 93 a 57.

Retorno ao NBB

Para a estreia na temporada 2018/19 do Novo Basquete Brasil, a equipe comandada por Jaú conseguiu manter a base do elenco vice-campeão da Liga Ouro, além de completar o plantel com novos reforços. Os nomes mais importantes eram os de Douglas Nunes, Vinicius Pastor, Fábian Sahdi, Coimbra e Gui Schneider. Com um núcleo avaliado como razoável para bom, o São José terminou a primeira fase na décima primeira posição, se classificando para os playoffs. A campanha da águia joseense foi mediana, o time do Vale do Paraíba somou 9 triunfos em 26 partidas disputadas. Nas oitavas de final, enfrentou o Botafogo e se despediu do torneio após perder a série para os cariocas por dois jogos a zero em uma melhor de três, finalizando o campeonato com uma eliminação na primeira fase dos playoffs.

Com bastantes mudanças, a águia apareceu diferente para a disputa do Campeonato Paulista 2019, finalizando a primeira fase da competição com uma boa campanha, 5 vitórias em 10 jogos e a quarta colocação do Grupo B, garantindo classificação para as oitavas de final. Nos playoffs, os joseenses enfrentaram o Osasco e não tiveram dificuldades, venceram a série por dois jogos a zero. Nas quartas de final, o embate era contra o atual campeão Franca, favorito para o bi-campeonato na época. A equipe de PC Jaú chegou a vencer o primeiro jogo da série, abrindo margem para uma possível zebra, mas não conseguiu conter os francanos no Pedrocão e foram eliminados por dois jogos a um, conquistando uma campanha muito positiva no estadual.

Para a disputa do NBB 2019/20, o São José apostou em uma base montada com atletas estrangeiros, experientes e remanescentes da equipe. Os destaques eram Diego Figueiredo, Guido Mariani, Duda Machado, Rafa Moreira, Angustin Ambrosino, Lupa e o principal, Nehemias Morillo, que foi contratado somente na segunda metade da competição e disputou só 13 jogos com a camisa da águia, mas provou ser um exímio jogador ao finalizar a competição com médias de 20.1 pontos por partida. Mesmo com um plantel considerado bom, os joseenses sofreram durante grande parte da competição e viveram uma montanha russa na temporada que foi marcada por muitos altos e baixos. A equipe paulista terminou na décima quarta colocação, ficando fora da zona dos playoffs e se despedindo do NBB precocemente, em uma temporada abaixo do esperado.

Legado

A história vitoriosa do basquetebol do São José deixou grandes legados a uma cidade que respira basquete nos dias de hoje. A águia conta com uma torcida fanática e apaixonada, que não deixa de apoiar a tradicional equipe do Vale do Paraíba nem nos momentos mais difíceis. A identificação que o morador de São José dos Campos tem com o clube e com a bola laranja tornou-se muito especial com o passar dos anos. A prefeitura da cidade realiza eventos voltado aos ídolos do passado tentando enfatizar ao máximo esta cultura em toda a população.

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2 comentários em “A história do basquete em São José dos Campos

  1. Wallace Coelho Lopes Ferreira

    Agradecido e honrado por esta matéria, os joseenses amam o basquete e a sua história no basquete, agradecemos a homenagem 💙💛

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  2. Pedro Henrique

    Muito bom saber a historia de um time do Vale tão grande como o São José, o time que me faz querer torcer pelo basquete do Vale do Paraíba, torcer pra vir mais vitorias e mais vitorias ❤

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