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Bandejas da Quarentena #1 – Deni Avdija

Parece que fazem 5 meses sem basquete, não é mesmo, caro leitor? No mundo frenético que é a temporada do esporte da bola laranja, com tanto jogo em tanto lugar da mundo, todas essas semanas de quarentena podem servir, ao menos, para resgatar um pouco da temporada e olhar com mais calma àquilo que vem acontecendo nesse doido 2019-2020. A intenção é trazer notas diversas sobre o mundo do basquete enquanto o tempo recluso nos dá mais tempo e paciência para revisitar essa época.

Deni Avdija

O Draft de 2020 vem trazendo impressões extremamente negativas, sobretudo pelos principais prospectos do College, todos com temporadas muito abaixo das expectativas e mostrando sérias questões a serem respondidas na transição para NBA, com destaque para o trio de criadores Anthony Edwards – Cole Anthony – Nico Mannion, além de nomes como Jaden McDaniels e Vernon Carney.

Em meio às frustrações vindas do mundo universitário, a oportunidade cresce para atletas do basquete internacional, que vinham apagados nos anos recentes. Por sorte, também se trata de uma classe mais forte para prospectos para além do Oceano Atlântico, com destaque para Killian Hayes, Theo Maledon e Deni Avdija, além do fenômeno LaMelo Ball.

Olhando para Avdija, alguém que vem ganhando olhares bem altos, pensando até em TOP 3, o ala israelense é um vencedor, com um grande histórico recente em termos de títulos no nível de base, conseguindo levar Israel a títulos Europeus Sub- 20 e Sub- 18, acompanhado de Yovel Zoosman, que também é seu companheiro de equipe no Maccabi Tel Aviv.

O basquete israelense carecia de renovação, afundado em nomes repetidos, como Omri Casspi, Lior Elyahu, Guy Pnini, Yogev Ohayon e Yotam Halperin. O envelhecimento da base era visível e os clubes do país, relativamente endinheirados, sempre preferiram contratar jogadores americanos para rechear os elenco, com a liga nacional pouco restritiva a contratações de estrangeiros. Foi apenas com Avdija, Zoosman, Tamir Blatt (filho de David Blatt) e Yam Madar que este cenário vem começando a mudar, com talento e poder de fogo do perímetro.

Zoosman MVP do Europeu Sub20 de 2018, com Deni Avdija no Quinteto Ideal.

Deni chegou até a ser disputado pela seleção Sérvia e a de Israel, uma vez que seu pai, Zufer Avdija, é ex-jogador, com passagem pela seleção Iugoslava e nascido em Pristina, atualmente na Sérvia. Chegou a ganhar um bronze no Mundial de 1982, mas sua carreira nos anos 90 foi toda por clubes de Israel, época em que seu filho nasceu.

Navijaće za Zvezdu protiv svog sina: Ko jednom obuče taj dres ...
Zufer e Deni juntos no Basketball Without Borders.

Desde cedo, o jovem descendente de Gorani (grupo ético eslávico-muçulmano de origem em Kosovo) foi destaque na seleção israelense de base como um grande pontuador e criador, máquina de quase triples doubles no nível jovem. Mas seu grande trunfo foi tomar minutos no Maccabi, um clube que tradicionalmente não dá minutos a jogadores de sua idade. Dos 18 para os 19 anos, o único jogador da mesma faixa etária que chegou a jogar qualquer minuto relevante foi Dragan Bender nos últimos 20 anos, com 112 minutos totais na Euroliga, número que Deni já triplicou em uma temporada interrompida. Com muito dinheiro e grandes patrocinadores por trás, o clube costumar optar por trazer veteranos saídos da NBA, ou nomes muito tradicionais do mercado europeu para preencher seu elenco até a última lacuna, sem qualquer minuto para a molecada.

Titular na Liga Nacional e jogador de rotação na Euroliga, Avdija conquistou um espaço único em uma equipe endinheirada, algo essencial para entender seu contexto. Afinal, cada clube carrega sua história e sua forma de trabalhar com prospectos. No caso do Maccabi, era basicamente não usar jovens, no passado recente e médio.

Com algumas lesões, seu espaço estava sendo cada vez mais relevante no decorrer da temporada, executando papel como criador secundário, pontuador, defensor de cobertura e ball handler em transição e semi-transição. Por 36 minutos, suas médias são de 10-7-3, números tímidos para pontuação (Maccabi possui muitos pontuadores esfomeados), mas que deixam sua versatilidade amostra. Na Liga Nacional, suas médias são de 12.2 pontos, 5.9 rebotes, 2.4 assistências e 1.1 tocos em 26.6 minutos. Na Seleção Nacional, agora no nível adulto, já é o principal atleta da equipe. Nas Eliminatórias para o EuroBasket, sua estreia já foi com 21 pontos e 8 rebotes em 24 minutos. Mostrando todo seu arsenal:

Alto (2,05 m), fluido, ótimo passador e driblador, além de ser um bom defensor coletivo, suas maiores questões estão no atleticismo e arremesso. Embora consiga converter de forma decente o chute de três pontos, seus números de lances livres, em toda sua carreira, foram entre 50-60%, muito ruins para um criador de jogadas. Por outro lado, os relatos de treinos insanos e grande ética de trabalho para ajeitar esse aspecto estão por todos os lados, dizem ser um maluco por treinos, muito diferente de Bender, o outro grande prospecto a ter passado por Tel Aviv.

Com todo seu pacote versátil e seu background, seja lá quando for o Draft, Deni Avdija aparecerá como um grande nome e tende a ter uma ótima carreira. Talvez trazendo Israel de volta ao Basquete Mundial e Olímpico.

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