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Conheça a trajetória da época de ouro do Brasília, tricampeão do NBB

Apesar de ainda ser considerado novo, o NBB já possui grandes times que foram campeões e se eternizaram na história. Um deles foi a extinta franquia do Lobos Brasília. Equipe que marcou época com muitas vitórias, mas hoje está fora do cenário nacional.

A partir de agora, eu te apresento toda trajetória dessa famosa equipe da capital do Brasil.

O COMEÇO

Criado em 2000, o time do Distrito Federal foi inicialmente ligado ao patrocínio da Universidade Salgado de Oliveira, mais conhecida como “Universo”. Desde então dominou o cenário do estado no basquete, colecionando conquistas nacionais e montando equipes que sempre forneciam jogadores para a seleção brasileira.

Na primeira edição do Novo Basquete Brasil, o NBB, a equipe já mostrou sua força vinda de torneios anteriores e foi finalista. O Flamengo, liderado por Marcelinho Machado, venceu o Brasília em uma das séries mais equilibradas da história, por 3 a 2. Mas os brasilienses, que naquele ano tinham vencido a Liga das Américas, sabiam que podiam alcançar o topo no passar dos anos.

Alex Garcia atuou por 6 anos no Brasília e, em todos eles, foi eleito defensor da temporada. Foto: Sergio Alberto/Fiba

INÍCIO DA ÉPOCA DE OURO

Então, no ano seguinte, a diretoria decidiu reforçar o plantel. Investiu nas voltas do armador Nezinho e do ala Guilherme Giovannoni, na época jogadores de seleção brasileira e que já tinham identidade com a equipe do Distrito Federal, e foi ali que se iniciava a época de ouro do Lobos Brasília no Novo Basquete Brasil. A equipe chegou novamente na final contra o mesmo Flamengo que tinha o derrotado na edição passada, mas agora com uma história diferente: derrotou os cariocas em outra série bastante acirrada por 3 a 2 e conquistou o NBB 2.

Alex (melhor ala e melhor defensor), Giovannoni (melhor pivô) e Nezinho (melhor sexto homem) foram atletas do time premiados naquela temporada, além do treinador Lula Ferreira.

DIFICULDADES

A década de 2010 se iniciava muito bem para os torcedores candangos, mas um fato fez com que fosse jogado um balde de água fria nos mesmos. Isso porque o dono da Universo decidiu por reativar o time do Uberlândia, de Minas Gerais, e que também tem muita tradição no basquete brasileiro. Assim o patrocínio abandonava o Brasília.

Mas o diretor do time na época, Jorge Bastos, se mexeu para que o Brasília continuasse forte naquele momento difícil. Ele conseguiu um patrocínio do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e uma nova administração do Instituto Viver Basquetebol. Com a mudança, os Lobos perderam os jogadores Valtinho e Estevam, além do treinador Lula Ferreira para o Uberlândia. José Carlos Vidal passou a ser o novo treinador da equipe.

Um dos maiores ídolos do time, Guilherme Giovannoni foi eternizado no hall da fama do UniCEUB Brasília. Foto: Carlos Teixeira/Agência EB

PREDOMÍNIO NACIONAL

O time mudou até a cor, passando do azul para o vermelho, mas não o instinto vencedor. Isso porque as conquistas prevaleceram: os brasilianos derrotaram o Franca por 3 a 1 e foram bicampeões do NBB, além do título da Liga Sul-Americana contra o Flamengo em pleno Rio de Janeiro. Alex “o Brabo” foi novamente o grande nome da equipe naquele grande ano.

A temporada de 2010/2011 foi, de longe, a melhor do Brasília até hoje.

Na temporada seguinte, o time manteve seus grandes jogadores e, como de costume, chegou a final da 4ª edição do NBB. Mas aquele jogo seria diferente e polêmico: a decisão seria disputada em partida única.

Na época, alguns boatos apontavam motivos políticos e de patrocínios como determinantes para o novo estilo. Mesmo com o mando do São José, que tinha feito a melhor campanha na fase regular, o Brasília reafirmou seu protagonismo nacional, derrotou os paulistas e se sagrou tricampeão do torneio.

Guilherme Giovannoni teve atuação de gala e decidiu o título para os brasilienses. Aquele título foi o 3º consecutivo dos Lobos do Novo Basquete Brasil e o 4º nacional.

COMEÇO DE UM FIM NACIONAL

Após 6 anos de grandes conquistas, a temporada de 2012/13 foi em branco para o Brasília. A equipe foi vingada pelo São José nas quartas do NBB quando perdeu dolorosamente a série por 3 a 2. Fato esse que motivou a saída do técnico Vidal para a chegada de Sérgio Hernandez, argentino que vinha de um tricampeonato do nacional da Argentina pelo Peñarol de Mar Del Plata.

Em 2013, o insucesso do NBB continuou: caiu novamente para o São José, mas dessa vez varrido por 3 a 2. Mesmo com a conquista do segundo título Sul-Americano, o Brasília se despediu de duas das suas maiores estrelas: Alex e Nezinho encerraram suas trajetórias vitoriosas no clube.

Como reposição, foi anunciada a chegada do experiente armador Fulvio e a volta do treinador Carlos Vidal para a temporada de 2014/15. Mas não foi o suficiente e a equipe não conquistou nenhum título, caindo novamente nas quartas do NBB, dessa vez com derrota para o Limeira.

Para a temporada de 2015/16, a diretoria decidiu manter seus principais jogadores, como Guilherme Giovannoni, Fúlvio e Cipolini e adicionou as chegadas dos jovens Deryk Ramos e Jefferson Campos, que no mais tardar se tornaram bons jogadores para o basquete brasileiro. O Brasília venceu o seu 3° título sul-americano e se tornou, ao lado do Atenas de Córdoba (ARG), o maior campeão da competição, fato que permanece até hoje. Mas no NBB, foi eliminado para o Bauru na semifinal.

FREIO NOS TÍTULOS

A temporada de 2016/17 começou com muita esperança para os torcedores candangos, que viram a equipe reforçar sua rotação com dois jovens pivôs: Lucas Mariano, com passagens pela seleção brasileira no currículo e Fab Melo, que teve experiência na NBA. Mas a frustração foi muito grande após o time ser eliminado apenas na segunda fase da Liga Sul-Americana e nas quartas do NBB, novamente para o Bauru.

Ex-jogador do time e então técnico, Bruno Savignani dá instruções no último ano de existência da franquia. Foto: Divulgação

O FIM

Em 2017, o UniCEUB anunciou que deixaria de patrocinar o Brasília no basquete após 6 anos de grandes conquistas. A equipe, então, não reuniu garantias financeiras e, sem patrocinador, pediu licença da temporada. Uma crise econômica do país alinhado com falta de incentivos ao esporte foi motivo para que o time deixasse o cenário nacional.

LEGADO

Até hoje, a franquia é lembrada por ter tido grandes títulos e jogadores. Alex Garcia, Guilherme Giovannoni, Nezinho, Fúlvio, Lucas Mariano, Arthur, Deryk Ramos, Jefferson Campos entre outros, marcaram seus nomes na história do time. Com 12 anos, o NBB ainda tem o Lobos Brasília em segundo na sua lista de maiores campeões da história com 3 títulos. Apenas atrás do Flamengo, com 6.

BASQUETE EM BRASÍLIA

Para essa edição de 2019/20 do NBB e após quase 3 anos de ausência, Brasília tem um novo time para o basquete. O Universo, que foi patrocinador do Lobos lá no começo, agora vira a nova franquia para o time nessa temporada. No momento, ocupam a 13ª colocação do campeonato.

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Felipe Souza é o criador do site HSBasketballBR, Blog do Souza e é co-criador do Live College BR. Ele escreve para o site americano D1Vision, para a Liga Super Basketball e tem textos no Bala Na Cesta. Faz trabalho de Scout nas horas vagas e acredita que o estudo diário do basquete, faz dele um profissional melhor.

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