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Do jornalismo até o trabalho fora das quadras: o pouco espaço do negro no basquete

Foto: Felipe Duest

Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um dado importante para educação brasileira: pela primeira vez, o número de negros (pretos e pardos) nas universidades públicas ultrapassou o de brancos, chegando ao patamar de 50,3%.

Apesar desse importante dado, o jornalismo esportivo ainda segue sendo uma amostra da realidade brasileira, em que negros raramente ocupam espaços de destaque.

Veja abaixo os relatos feitos pelo narrador do Sportv Júlio Oliveira.

É importante lembrar que desde 2009, após decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional o art. 4º, inciso V, do Decreto-Lei nº 972/1969, o exercício profissional do Jornalismo no Brasil pode ser realizado mesmo que a pessoa não tenha graduação acadêmica. Entretanto, os grandes veículos de comunicação raramente contratam para seus quadros pessoas que não têm diploma superior.
Portanto, poderia se dizer que o baixo quórum de negros no meio jornalístico tem relação com a já conhecida dificuldade de acesso ao ensino superior. Contudo, esta não é a única causa.
Segundo o IBGE, o termo “negro” abrange pessoas “pretas” e “pardas”. Apesar de o Brasil ser um país de maioria negra – 50,74% segundo o último censo, sendo 7,61% pretos e 43,13% pardos – essa parcela da população não é representada em setores sensíveis da sociedade.
Portanto, analisando os números do acesso de negros às faculdades e universidades, pode-se afirmar que sua presença no ensino superior ainda é muito abaixo do esperado. Uma das causas desses números baixos, é por que existem poucas pessoas negras em postos de destaque no mercado profissional – situação que é evidente no meio jornalístico, sobretudo o televisivo.

Até aqui já entendemos que a presença dos negros no jornalismo esportivo é muito menor em comparação aos brancos. Agora quando entramos na modalidade do basquete, o número cai ainda mais. Você que gosta do esporte e consome informações sobre, te faço algumas perguntas simples: quantos negros/pardos cobrem o basquete em grandes empresas? E quantos de forma independente?

Foto: Felipe Duest

Poucos, eu sei e vejo isso no meu dia a dia. Conto nos dedos quantos companheiros de cobertura são negros. Porém, não só no jornalismo que essa falta de representatividade chama a atenção. Nas quadras de basquete também.

Pode parecer estranho o que eu estou falando, já que muitos jogadores negros se destacam no basquete nacional, mas quero levantar alguns questionamentos para você.

Quantos negros são técnicos de um time no NBB? Das 16 equipes, só me vem o nome do Léo Figueiró do Botafogo.

Quantos negros são dirigentes ou tem poder de decisão nos clubes de basquete?

Quantos negros trabalham na comunicação desses clubes?

Quantos negros trabalham na LNB e na CBB? E quais são os seus cargos?

Acredito que boa parte dessas perguntas vão ser respondidas com “poucos”, “não sei” ou “nenhum”.

Foto: Diego Maranhão

Sei que o tema é delicado e só é tratado por boa parte da imprensa no Dia da Consciência Negra, mas espero que com esse texto você possa entender a importância dessa discussão e a partir de hoje olhar atentamente ao seu redor.

Entendo que o racismo não vai acabar de um dia para o outro. Infelizmente eu sei que ainda vou continuar sofrendo alguma discriminação pelo meu tom de pele, por ser filho de empregada ou da onde eu venho. Porém, sei que a mudança de mentalidade pode ajudar nesse processo e isso só vai acontecer a partir do conhecimento e entendimento da causa.

Por fim, eu agradeço a todos que leram esse texto até o final e quero deixar a seguir esse belo vídeo feito pela Globo sobre o racismo. Até a próxima!

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Felipe Souza é o criador do site HSBasketballBR, Blog do Souza e é co-criador do Live College BR. Ele escreve para o site americano D1Vision, para a Liga Super Basketball e tem textos no Bala Na Cesta. Faz trabalho de Scout nas horas vagas e acredita que o estudo diário do basquete, faz dele um profissional melhor.

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