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O dia em que eu gostaria que não tivesse existido

Foto: Gilvan Souza

Nem tudo foi festa na final do basquete do Estadual do Rio de Janeiro. O jogo entre Flamengo e Botafogo no Tijuca Tênis Clube válido pela final do Estadual, teve cenas lamentáveis e clima de tensão por conta de um tumulto gerado por uma torcida organizada do Botafogo.

Preciso ressaltar que não era só uma final entre duas melhores equipes do Estado e sim, entre os dois melhores times o Brasil. É preciso entender isso para ter noção da dimensão do que foi a confusão.

Antes de expressar a minha opinião sobre o ocorrido, gostaria de falar passo a passo do que eu vi ontem a noite.

Vamos lá!

  • Como de costume, eu cheguei no cedo no ginásio por volta de 18:10. Às 18:24 eu tirei a foto abaixo dos troféus e medalhas. Quando eu chego, só avisto 2 guardas da CET-RIO (Companhia de Engenharia de Tráfego do RJ) colocando cones na rua.

  • O jogo começa normalmente. Faltando mais ou menos um minuto para terminar o primeiro quarto, escuto a primeira explosão do lado de fora, que naquele momento eu penso ser um barulho de uma batida forte em uma cadeira.
  • Porém, na sequência ouço mais 4 barulhos de bombas do lado de fora e eu já tenho a certeza que se trata de algo mais sério. Além das bombas, eu escuto claramente dois disparos de arma de fogo. É nesse momento que eu vejo uma organizada do Flamengo que fica perto da porta tirar a sua faixa e começar a correr.
  • Esse movimento da torcida, gerou pânico entre as pessoas presentes e principalmente os jogadores. Nesse momento o clima de tensão fica evidente no ginásio e a preocupação agora é que uma tragédia aconteça. O jogo é paralisado aos 23.6 segundos do primeiro quarto. Veja a minha primeira live que eu fiz falando sobre o acontecido.

  • Com os jogadores do Botafogo dentro vestiário e o tumulto já instaurado. Neste momento, acontece uma pequena confusão entre alguns torcedores rubro-negros e seguranças do Botafogo. Muito xingamento e ameaças, mas não teve agressão. Confira a outra live que eu fiz e mostro uma pequena confusão acontecendo.

  • A primeira informação que eu recebo em quadra, é que se trata de uma organizada do Botafogo que estava fazendo protesto em General Severiano e foi para o Tijuca Tênis Clube na intenção de entrar em confronto com uma torcida organizada do Flamengo. Dentro de quadra, alguns afirmam que uma pessoa da organizada do Botafogo conseguiu entrar no ginásio e foi protegida pelos seguranças do Botafogo. Eu estava perto da entrada do vestiário do Botafogo e não vi isso. Perguntei a várias pessoas sobre essa situação e a maioria me informou que a pessoa que entrou correndo pelo portão do ginásio foi um torcedor do Flamengo que estava fugindo dos botafoguenses do lado de fora. Em seguida, um atleta do sub-17 do Botafogo tomou um susto e foi para dentro do vestiário.
  • Neste momento eu quero colocar um ponto que eu trato como MUITO IMPORTANTE. Nesta partida em especial, uma das organizadas rubro-negras não ficou no local que normalmente fica em uma partida. Parecia que algo iria acontecer. Além disso, já circulava entre os torcedores a possibilidade da tentativa de ação por parte da organizada do Botafogo via Whatsapp. Então, esse tumulto só foi uma “surpresa” desagradável para os torcedores comuns, imprensa e jogadores.
  • Com o jogo já parado, esse é o momento em que os dirigentes se reúnem para ver se tem condição de jogo ou não. Na outra live que eu fiz, reparem a chegada de três policiais militares. Essa situação também é IMPORTANTE para os fatos. Não só o fato de entrarem armados em uma quadra de basquete, mas diversas pessoas afirmaram que a polícia chegou somente naquele momento. Algo em torno de 40 minutos depois que a confusão começou. Mostrando a falta de policiamento em um clássico carioca.

  • Precisamos entender que por determinação do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe), os clássicos do campeonato carioca de basquete são de torcida única. Porém, nunca vi nenhum efetivo do GEPE em clássicos cariocas para conter qualquer tumulto. Bem verdade que os clubes contratam seguranças particulares, mas em situações como dessa sexta-feira, eles não iriam ajudar muito se a torcida organizada alvinegra entrasse no ginásio.
  • Voltando para o jogo, a partida é reiniciada após a FBERJ (Federação de Basquete do Estado do Rio de Janeiro) e a PM afirmarem que vão garantir a segurança dentro e fora do ginásio para as pessoas presentes.

Minha Opinião

Foi a primeira vez na minha vida que eu desejei que um jogo de basquete terminasse logo, pois eu não tinha ânimo para estar ali. Como um amante do esporte, fiquei envergonhado e triste com o que aconteceu. O que eu só espero de uma final, é que seja um bom jogo e que eu possa sair do ginásio com a sensação de dever cumprido.

Nunca imaginei estar desanimado em um jogo de basquete. Na verdade, nunca me imaginei questionar o por que eu fui ver uma partida e o pior, se essa minha entrega para fazer uma cobertura praticamente de graça vale a pena.

É fácil eu falar que o campeonato é patético deste a sua montagem e terminou de forma lamentável. Que nunca teve policiamento suficiente em clássicos cariocas aqui no Estado. Entendem que não vou estar falando uma novidade? Quem vai ou trabalha em jogos, sabe disso. Claro, que sempre tem alguém que não ver ou não quer ver.

Porém, eu acho que o “buraco é mais embaixo” nisso tudo. Talvez socialmente não estamos preparados para ter um clássico entre duas grandes equipes em nenhum esporte. No futebol já é corriqueiro (infelizmente), não gostaria que no basquete começasse a ser.

Ok, calma. Sei que muitos estão pensando que esse foi um caso isolado e que eu estou me preocupando a toa. Então, abaixo eu vou deixar alguns links e depois me digam se é isolado.

http://globoesporte.globo.com/basquete/noticia/2016/10/estreia-de-fischer-e-briga-no-ginasio-vasco-supera-fla-e-lidera-o-estadual.html

Depois de briga generalizada no basquete, Marcelinho pede paz

É evidente que essas confusões não acontecem em todos os clássicos cariocas, mas será que vai ser preciso ter alguma tragédia de grandes proporções para alguém tomar algum tipo de providência?

Por fim, eu não só gostaria que os responsáveis fossem punidos. Eu desejo do fundo do meu coração, que alguém devolva o basquete carioca que eu tanto amo.

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Felipe Souza é o criador do site HSBasketballBR, Blog do Souza e é co-criador do Live College BR. Ele escreve para o site americano D1Vision, para a Liga Super Basketball e tem textos no Bala Na Cesta. Faz trabalho de Scout nas horas vagas e acredita que o estudo diário do basquete, faz dele um profissional melhor.

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